A Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, em visita a uma instituição de ensino particular, proferiu, uma vez mais, afirmações perturbadoras acerca da actual situação vivida no ensino público português.
Diz a Ministra que "nos últimos anos, a escola pública foi encolhendo tanto que cumpre apenas os mínimos e está muito longe do que é essencial". Esquece-se a Ministra que são os professores, que tiraram uma licenciatura em especialização de ensino, que muitas vezes, têm de fazer de tutores (e até de pais) dos alunos e acompanhá-los na sua vida que vai para além da escola. Quantas vezes, na presença de pais que ignoram a vida escolar dos seus filhos, não são os professores que têm de os "apertar" e abrir os olhos desses pais que vêem a escola como o local ideal para depositarem os seus filhos?
Criticar a escola pública é muito fácil, sobretudo quando se elogiam instituições privadas com condições muito diferentes das que existem no sector público, seja em número de alunos por turma, seja no apoio de profissionais de outras áreas (psicólogos, educadores, profissionais de serviço social, entre outros) ou até no empenho das instituições locais...
E as soluções? Quais são? Acrescentar uma maior carga horária aos alunos, obrigando-os a estarem fechados em salas de aula de manhã ao final da tarde, com aulas normais, aulas de recuperação, actividades de substituição, aulas de apoio e frequência de clubes escolares? Não me parece, pois até os alunos se queixam da situação... E continuarmos a ter um 3º ciclo do ensino básico, onde as taxas de insucesso e abandono escolares são as maiores, com um número tão elevado de disciplinas, obrigando à redução da carga horária de cada uma? É solução? Também não me parece...
Ora, dito isto, esperam-se medidas importantes em termos de reformulação dos currículos escolares!!! É que não chega criticar a escola pública...