domingo, 28 de outubro de 2007

Andam a brincar com a Educação...

A mais recente novidade governamental em matéria educativa é de bradar aos céus. Falo do novo Estatuto do Aluno do ensino básico e secundário que, de uma vez por todas, atira às urtigas qualquer pingo de respeito que ainda poderia existir pela instituição escolar.
Com a pressa de mostrar serviço em Bruxelas em matéria de sucesso escolar e depois do coelho saído da cartola das Novas Oportunidades, é chegada a hora de impedir a reprovação da rapaziada que falta às aulas para ir curtir para outras bandas. Faça-se um exame de recuperação aos preguiçosos, que é como quem diz, faça-se uma prova bem levezinha, pois a dita prova é de recuperação e se não o for a culpa é de quem a elaborou: o professor, quem havia de ser?
Estou para ver como se vai comportar Cavaco Silva!!! Se promulgar tal aberração, está mais que visto que o objectivo é agradar a Bruxelas, colocando Portugal em bicos de pés, mesmo que a nossa juventude não saiba a tabuada do seis ou não saiba distinguir a China do Japão...
Entretanto, a profissão docente passará a ser cada vez mais parecida com a profissão de tratador de animais, sobretudo daqueles cujos pais ignoram por completo a vida escolar dos seus filhos. E este tipo de pais "deseducadores" são cada vez em maior número...
Este Ministério da Educação anda a brincar com coisas sérias. Só pode...

sábado, 13 de outubro de 2007

Maus tempos na Educação...

O mais recente relatório sobre o estado da Educação em Portugal dado à estampa pela Comissão Europeia envergonha qualquer português que julgue ser possível que o nosso país chegue rapidamente ao nível de desenvolvimento dos países do pelotão da frente desta Europa a 27 cada vez mais desigual. Em todos os cinco níveis analisados pela UE Portugal encontra-se abaixo da média europeia. Um cartão vermelho para os governos que nas últimas décadas nos têm "desgovernado" no sector da Educação...
Entretanto, a nível interno, esta semana foi marcada pela pressão exercida pelas autoridades governamentais no que toca às manifestações realizadas pela Fenprof. Nada me liga a este sindicato (bem pelo contrário, já que sempre defendi a criação de uma Ordem dos Professores), mas aquilo que se sabe sobre a forma como as autoridades policiais exerceram a sua autoridade nas acções levadas a efeito por este sindicato em Montemor-o-Velho e na Covilhã nada auguram de bom no que concerne à capacidade deste Governo para aceitar opiniões contrárias à sua. A "festa da democracia" não se proclama, comprova-se nas atitudes!!!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Meras palavras de circunstância...

O discurso do Presidente da República nas comemorações do 5 de Outubro esteve cheio de elogios à profissão docente. Depois de meses de silêncio em matéria educativa, Cavaco Silva decidiu aliar o dia evocativo da Implantação da República com o dia mundial do professor, apelando à sociedade portuguesa para a importância de respeitar, acarinhar e prestigiar a função do professor. Palavras bonitas, mas insuficientes.
Depois de amanhã o discurso do Presidente será mero arquivo histórico, pois só com actos políticos sérios e capazes levados a cabo pelas entidades competentes é que as palavras poderão ter algum sentido prático. Ora, os últimos dois anos de governação socialista não auguram nada no sentido de prestigiar a classe docente. Muito pelo contrário! Com a minimização do acto de leccionar em prol dos actos burocráticos e com as dificuldades impostas à progressão na carreira docente, a vida do professor esforçado e dedicado à escola em nada tem sido prestigiada pelo actual Governo. Enfim, pode ser que daqui a um ano Cavaco Silva se lembre novamente dos professores deste país...

domingo, 30 de setembro de 2007

País da treta...

Um país que não cuida e protege da melhor forma os mais novos (cada vez em menor número) não passa de um projecto de país desenvolvido. É isso que penso de Portugal quando confrontado com o facto de termos uma legislação miserável no que toca à defesa da maternidade e da paternidade.
Na passada sexta-feira fui pai pela segunda vez. Depois de uma gravidez de risco que a minha esposa teve de aguentar, de forma heróica, temos pela frente tempos difíceis e desgastantes, com dois filhos de tenra idade: um de vinte e um meses e outro recém-nascido. Ambos somos professores e não temos família por perto: os avós vivem bem longe de nós. Mas, pelos filhotes nada é sacrifício...
Ora, o que o Estado nos concede para cuidar do elemento mais novo da família resume-se a um abono de família que nem para as fraldas do mês chega e uma licença de maternidade de quatro meses (com a hipótese de ter mais um mês sem direito a vencimento), a par de uma licença de paternidade de uns míseros cinco dias. Pouco, muito pouco, quando sabemos que outros países decentes desta Europa cada vez mais desigual permitem o alargamento da licença de maternidade até três anos e concedem subsídios verdadeiramente natalistas.
Como poderemos ter um país de jovens (lembremos-nos que o número de idosos já supera o de jovens) quando a classe média é posta de lado no que toca a incentivos decentes à natalidade? Aos quatro meses de idade um bébé deixa de ter a necessidade de ter a mãe ou o pai por perto? É isso que pensam os nossos governantes? Que com quatro meses já pode ser "despejado" no infantário, como se já não fosse um ser frágil? Só visto!!!
Enfim, tinha de desabafar. A felicidade de ter mais um filho não me impede que deva protestar com a actual situação de completo abandono que este e os anteriores governos demonstram ter pela classe média portuguesa. Sim, porque para a "arraia miúda" já há rendimentos mínimos e outros incentivos à preguiça...

sábado, 22 de setembro de 2007

A primeira semana de aulas

Para mim, este é já o décimo ano consecutivo em que o mês de Setembro é dominado pela azáfama do início de mais um ano lectivo, nomeadamente no que respeita à "arrumação" dos horários familiares. Há quem pense que a vida de um professor se resume ao trabalho que medeia entre a entrada e a saída da escola. Esquecem-se que não é nada fácil fazer a organização da vida familiar quando se lecciona a quase uma hora de casa e se tem uma filha ainda no infantário.
Este ano calharam-me em sorte oito turmas do ensino básico com a disciplina de Geografia, sendo que em duas delas ainda lecciono Área de Projecto e noutra Estudo Acompanhado. Nada mais, nada menos do que 200 alunos!!! Ou seja, este vai ser um ano complicado e de grande exigência. Ainda por cima, em dois dias seguidos da semana entro às 8.30H, o que me obriga a levantar pouco depois das 6.30H para levar a filhota ao infantário e seguir viagem para a escola...
Felizmente, já conheço mais de 2/3 dos alunos de que sou professor, o que facilita em muito o trabalho. Esta é uma das vantagens da estabilidade do quadro docente. Por outro lado, este é já o terceiro ano consecutivo que estou na mesma escola, o que permite um conhecimento dos "cantos à casa", sendo uma vantagem ao nível dos conselhos de turma.
A primeira semana de aulas foi desgastante: a habituação a um novo horário de trabalho e às rotinas próprias da vida de professor notaram-se, sobretudo, a difícil tarefa de, à 3ª e 4ª feira ter de acordar às 6.30H, preparar a filhota de 20 meses, levá-la ao infantário e conduzir durante 45 minutos para chegar à escola. Mas, daqui a umas semanas o organismo já estará habituado...
A primeira impressão que tenho das 8 turmas é bastante positiva. Logo na primeira aula, gastei apenas 20 minutos para apresentações e o resto do tempo foi para dar matéria. A receptividade por parte dos alunos foi, em termos gerais, interessante e agradável. 7º ano: as paisagens; 8º ano: o clima; 9º ano: os recursos energéticos. Aulas dinâmicas e alunos interventivos. Bom prenúncio...
A todos, um ano lectivo cheio de sucesso.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Regresso à escola

Estamos em Setembro, mês em que milhares de professores e alunos regressam à rotina das aulas. Digo rotina, não no sentido de algo fastidioso ou secante, mas sim de convivência e partilha de experiências entre professor e turma. Sim, porque convém não esquecer que os alunos de hoje passam mais tempo na escola com os professores do que em casa com os pais.
Nesta primeira semana de trabalho tive de escala em dois exames de equivalência à frequência do 9º ano e fui corrector em 15 exames de Geografia. Nenhum com avaliação positiva!!! Seguem-se as reuniões de departamento e de grupo e a preparação do novo ano lectivo. É que faltam menos de 10 dias para o primeiro dia de aulas.
Um bom ano lectivo para todos os professores e alunos que aqui costumam fazer uma visita...

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Agosto: mês de balanço...

Para a generalidade dos professores, este é o mês em que se faz o balanço de mais um ano lectivo que terminou. Se não é, deveria ser... Para além do gozo merecido de férias e de algum descanso, há que fazer a devida reflexão daquilo que correu bem e mal ao longo dos últimos onze meses.
Pessoalmente, este foi mais um ano de muito trabalho, embora recompensado com os bons resultados obtidos pela grande maioria dos meus alunos: em quase duzentos alunos, a percentagem de níveis negativos que atribuí não chegou aos 20%, para além de que na minha turma do secundário os resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais superaram largamente a média nacional. Tudo isto sem nunca ter baixado o nível de exigência. Bem pelo contrário: só com rigor e seriedade se pode alcançar a competência! A estratégia que tenho vindo a seguir deste que acabei o meu estágio (há já nove anos) de ser exigente para com os alunos e não fazer testes facilitistas nunca me desiludiu. Se no início do ano lectivo é habitual os alunos queixarem-se, depois com aulas diferenciadas, atractivas e motivadoras, os resultados aparecem...
Pena é que ao longo dos anos tenha vinda a sentir que os nossos alunos se deixam levar pela onda do facilitismo e do eduquês que inundou o sistema de ensino. Enfim, isto daria pano para mangas...
Umas boas férias para todos!!!

quarta-feira, 25 de julho de 2007

A revolução tecnológica não chega!!!

Depois de inúmeras notícias a evidenciarem o estado calamitoso a que chegou o estado da Educação em Portugal (resultados paupérrimos na generalidade dos exames nacionais, situações de juntas médias incompetentes, casos de delação contra professores, degradação da carreira do professor "que lecciona"), finalmente surge uma boa notícia no campo da Educação: as escolas portuguesas estarão, proximamente, equipadas com um computador com ligação à Internet, uma impressora e um videoprojector em cada sala de aula, para além de um quadro interactivo por cada duas salas. A revolução tecnológica chegou à escola!!!
Mas, para termos uma Escola de sucesso não chega "impingir" aos alunos computadores e Internet. Há que investir no rigor e na promoção do trabalho e do empenho. Doutra forma continuaremos a ter resultados vergonhosos nos exames nacionais (ainda por cima exames bem mais fáceis de realizar do que aqueles que se faziam há dez ou quinze anos atrás). E isto só se consegue alterando, por completo, a legislação sobre a avaliação dos alunos no ensino básico e secundário. Há que voltar aos bons e velhos tempos em que com mais de dois níveis negativos se chumbava de ano. Há que impedir que a lei permita que alunos com sete e oito níveis negativos possam progredir de ano apenas porque psicologicamente a retenção poderá ser gravosa para o discente. Há que reforçar os instrumentos que permitam ao professor promover a disciplina e o bom comportamento dos alunos. Há que punir os pais que, pura e simplesmente, ignoram a vida escolar dos seus filhos. Há que alterar o currículo escolar, diminuindo o número de disciplinas no ensino básico, por forma a aumentar a carga lectiva das principais disciplinas. Há que alargar os exames nacionais aos 4º e 9º anos de escolaridade, acabando com as provas de aferição. Enfim, há que apostar no rigor, na competência e na exigência. Muito há, pois, ainda por fazer...

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Em correcção de exames...

Nos últimos dois dias estive a corrigir 14 exames nacionais de Geografia A da 2ª fase e fiquei abismado com o elevado número de disparates que fui "obrigado" a ler... Depois de ter ficado satisfeito com as notas obtidas ao exame de Geografia A pelos alunos da minha turma de secundário (o 11º E) e sabendo que o nível de exigência do exame de Geografia em nada se compara com aquele que eu tive de fazer há uns treze anos atrás para entrar para a Faculdade, nunca pensei que ainda houvesse tanta ignorância junta nuns míseros 14 exames. Algumas das respostas dadas pelos alunos evidenciam uma tal preocupante falta de conhecimentos, que nem a minha avó com mais de 80 anos e apenas a 4ª classe ousa apresentar...
Pois bem, em 14 provas corrigidas tive 3 negativas e das restantes 11 positivas, houve um total de 7 provas com nota dez. Mas, a custo!!! Curiosamente a melhor nota (catorze valores) foi de um(a) aluno(a) do ensino recorrente, muito provavelmente um adulto a frequentar o ensino nocturno... Enfim, foi difícil ter de corrigir tanto disparate junto. Como é possível!!!
Mais uma prova de como os "meus" alunos do 11º E se portaram bastante bem no exame da 1ª fase...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Em conformidade...

Foram hoje publicados os resultados dos exames nacionais do ensino secundário. Como havia previsto no artigo anterior, não se registaram discrepâncias entre as notas internas da minha turma de Geografia A e as notas de exame: a média da turma manteve-se inalterada nos 13 valores.
Apesar de tudo, e tendo em conta a reduzida exigência verificada, na minha opinião, ao nível dos conteúdos constantes no exame, penso que a turma poderia ter feito bem melhor. Apenas um aluno, o Sérgio, saiu da regularidade, aproveitando da melhor maneira as vinte questões de escolha múltipla que apareceram no exame: com uma nota interna de 12 valores chegou ao exame e teve 17 valores. Para os alunos que gostam de escrever (e nesta turma eram quase todos) este tipo de questões fechadas parece tê-los confundido e atrapalhado. De todos os alunos da turma que foram a exame, apenas um, o José Tiago, terá que voltar a fazer exame, pois precisava de 9 valores e apenas conseguiu 7 valores. Enfim, nem sempre tudo corre às mil maravilhas. Apesar de tudo, tudo correu como previsto: bem!!!
Aliás, tendo em conta a média nacional de 11 valores verificada no exame de Geografia A, há que dar os parabéns aos alunos do 11º E da Latino Coelho, que estiveram bem acima desse valor, com uns merecidos 13 valores de média...