sábado, 15 de dezembro de 2007

Avaliações, reflexões e Natal...

Depois de quase três meses de aulas é tempo de avaliações. Mais uma vez, é no 8º ano de escolaridade que o sucesso escolar à disciplina de Geografia menos se evidencia. A dificuldade sentida por muitos alunos para apreenderem correctamente (de forma rigorosa e não facilitista) os conteúdos relacionados com o clima constitui a razão para tal circunstância. Apesar da diversidade de estratégias utilizadas a taxa de níveis inferiores a três neste ano de escolaridade ronda os 40%. Estou crente que no próximo período de aulas a situação irá melhorar... Já nas turmas do 7º e 9º anos, as negativas propostas à minha disciplina ficaram-se pelos 15%. Nada mau...
É também tempo para reflectir sobre o que poderia ter decorrido melhor nestes três primeiros meses de aulas e as estratégias que deverão ser seguidas para que o sucesso escolar, a determinação e o rigor exigidos a todos os intervenientes educativos (professores, alunos e pais) possam ser alcançados. As últimas novidades sobre o estatuto do alunos não ajudam nada a que tal anseio seja atingido. Entretanto, continuo à espera que os currículos escolares no ensino básico sejam efectivamente revistos, a fim de acabar com as redundâncias e trapalhadas que afectam este nível de ensino...
Entretanto, há que viver esta época festiva, não esquecendo que o Natal é a festa das crianças... Um Feliz Natal para todos!!!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

De mãe para professora

Chegou-me via email uma cópia da correspondência tida entre uma Professora de Ciências Naturais e uma Encarregada de Educação. A docente informava a mãe da aluna que esta não havia realizado os TPC`s pela terceira vez consecutiva. A Encarregada de Educação responde-lhe, de seguida, afirmando que a legislação não obriga os alunos a realizarem trabalhos em casa, além de que os pais têm mais que fazer do que saber se os educandos levam TPC`s para fazer ou não. Outra particularidade: a professora é tratada por "Senhora de Ciências"...
1. Com disciplinas com cargas horárias tão reduzidas (um bloco de aulas por semana), como são os casos de Geografia ou História no 7º ano, o envio de TPC`s poderá constituir um importante suporte de estudo e revisão da matéria leccionada a aproveitar pelos alunos;
2. Há pais que demonstram um desprezo pela vida escolar dos filhos e pela função docente que não me escandalizaria nada que fosse criada legislação que punisse estes pais (por exemplo, perdendo o direito a parte do abono de família);
3. Raramente envio TPC`s aos meus alunos, até porque a sua eficácia é reduzida (nunca ficamos a saber se foi o aluno que os fez ou se copiou), mas não há dúvidas que, mesmo sem TPC´s, ficamos sempre a saber quais os alunos interessados pela matéria dada nas aulas: basta no início de cada aula fazer umas questões sobre a matéria leccionada...

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Obrigados a deixar passar??? Era o que faltava...

A edição de hoje do Correio da Manhã traz como título "Pressão para não chumbar", dando a conhecer que nalgumas escolas deste país, os professores dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico estão a ser pressionados pelos conselhos executivos, no sentido de evitarem ao máximo as negativas (notas inferiores a três), já no primeiro período lectivo. A ser verdade, é urgente que a Inspecção Geral da Educação e, porventura, a Procuradoria Geral da República tome conta deste assunto...
Em dez anos de serviço docente nunca fui pressionado por qualquer conselho executivo para atribuir uma determinada nota. Muito pelo contrário! Quanto tive encarregados de educação a duvidarem da avaliação atribuída por mim aos seus educandos, com a instauração de pedidos de revisão de nota, nunca deixei de ter a confiança dos órgãos executivo e pedagógico da escola.
Compreendo que possam existir mecanismos que alertem os professores para diversificarem as suas estratégias de ensino, a fim de que as aprendizagens dos seus alunos possam ser melhoradas. Para tal temos as aulas de recuperação, as tutorias, os clubes, etc. Agora, pressão para que as positivas aumentem com o intuito de "agradar" aos inspectores é que nem pensar!!!
A propósito, visto que qualquer professor tem uma enorme satisfação quando os seus alunos fazem por merecer boas avaliações, decidi-me por criar um novo blogue destinado aos meus alunos. Pode ser que alguns deles o aproveitem da melhor forma e melhorem as suas notas. Com esforço e não por via do facilitismo ou da pressão sobre os professores...

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

A lógica dos CEF`s e as verdades que a opinião pública desconhece...

A carta aberta que o professor de Ciências Físico-Químicas Domingos Cardoso endereçou a Cavaco Silva a propósito da "tortura" por que passa cada vez que tem aulas com uma turma do CEF (Curso de Educação e Formação) pode não representar a totalidade do universo dos alunos que se encontram matriculados neste tipo de cursos (que, convenhamos, de educativos têm muito pouco!), mas não deverá estar muito longe da realidade de muitas escolas deste país. É que há ainda quem não saiba (porventura até o próprio Presidente da República) que muitos destes cursos apenas existem para evitar que muitos alunos multipliquem o seu rol de retenções e/ou abandonem a escola. Esta foi, em grande medida, a forma arranjada para tornear a desgraça das estatísticas da Educação no 3º ciclo...
Nunca leccionei a turmas do CEF, mas ouvindo os meus colegas lá da escola que têm turmas do CEF, parece que com a maioria destes alunos não se consegue trabalhar, apenas ocupar tempo. Como diz um colega meu, "é o mesmo que tentar fazer omoletes sem ovos!!!"
Muito haveria para dizer sobre os cursos CEF. Mas, bastará uma leitura atenta da carta aberta de Domingos Cardoso para saber um pouco sobre a forma como (não) funcionam muitas das turmas CEF deste país!!! Boa leitura (caso isso seja possível)...

sábado, 3 de novembro de 2007

Os rankings das escolas têm de ter consequências

Mais uma vez e pelo sétimo ano consecutivo, o Ministério da Educação deu a conhecer os resultados obtidos pelos alunos nos exames do ensino secundário. E, mais uma vez, apenas um jornal se deu ao trabalho de avaliar de forma séria e rigorosa as diferentes realidades escolares que povoam um pouco por todo o país.
Com um dossier especial de 64 páginas, de acesso livre na Internet, o jornal Público dá conta dos resultados obtidos por cada escola nas principais disciplinas. E, se mais uma vez, fica patente que não faz sentido algum comparar as médias alcançadas pelas "melhores" escolas privadas deste país, que escolhem e fazem a seriação dos seus alunos, com a maioria das nossas escolas públicas, abertas a todo o universo educativo das suas áreas geográficas, convém não deixar de fazer uma avaliação séria e ponderada dos resultados obtidos pelos estabelecimentos de ensino público a nivel distrital e a nível disciplinar.
Dou apenas um exemplo. A Escola Sec./3 de Latino Coelho, em Lamego, onde no passado ano lectivo "levei" 20 alunos ao exame nacional de Geografia (num total de 30 alunos) obteve nesta disciplina uma média de 12,2 valores, ocupando o 98º lugar a nível nacional (num total de 519 escolas) e o 5º lugar à escala distrital (entre 27 escolas). Bons resultados, portanto, se tivermos em conta que, no conjunto das oito disciplinas, a escola se ficou pelo 318º lugar a nível nacional.
Claro está que há duas variantes que influenciam de forma decisiva as notas obtidas nos exames: por um lado, a qualidade da matéria-prima, ou seja, as capacidades demonstradas pelos alunos, e por outro, o desempenho docente e a capacidade dos professores para motivarem os seus discentes. Deste modo, penso que as escolas têm um papel importante a desempenhar no sentido de distribuírem da melhor forma o seu corpo docente pelos diferentes níveis de ensino. Ou seja, talvez não seja assim tão indiferente as decisões que os Conselhos Executivos tomam na hora de escolherem os professores que nas suas escolas irão leccionar âs turmas do ensino secundário. É bom que também as escolas reflictam seriamente sobre os resultados dos exames!!!

domingo, 28 de outubro de 2007

Andam a brincar com a Educação...

A mais recente novidade governamental em matéria educativa é de bradar aos céus. Falo do novo Estatuto do Aluno do ensino básico e secundário que, de uma vez por todas, atira às urtigas qualquer pingo de respeito que ainda poderia existir pela instituição escolar.
Com a pressa de mostrar serviço em Bruxelas em matéria de sucesso escolar e depois do coelho saído da cartola das Novas Oportunidades, é chegada a hora de impedir a reprovação da rapaziada que falta às aulas para ir curtir para outras bandas. Faça-se um exame de recuperação aos preguiçosos, que é como quem diz, faça-se uma prova bem levezinha, pois a dita prova é de recuperação e se não o for a culpa é de quem a elaborou: o professor, quem havia de ser?
Estou para ver como se vai comportar Cavaco Silva!!! Se promulgar tal aberração, está mais que visto que o objectivo é agradar a Bruxelas, colocando Portugal em bicos de pés, mesmo que a nossa juventude não saiba a tabuada do seis ou não saiba distinguir a China do Japão...
Entretanto, a profissão docente passará a ser cada vez mais parecida com a profissão de tratador de animais, sobretudo daqueles cujos pais ignoram por completo a vida escolar dos seus filhos. E este tipo de pais "deseducadores" são cada vez em maior número...
Este Ministério da Educação anda a brincar com coisas sérias. Só pode...

sábado, 13 de outubro de 2007

Maus tempos na Educação...

O mais recente relatório sobre o estado da Educação em Portugal dado à estampa pela Comissão Europeia envergonha qualquer português que julgue ser possível que o nosso país chegue rapidamente ao nível de desenvolvimento dos países do pelotão da frente desta Europa a 27 cada vez mais desigual. Em todos os cinco níveis analisados pela UE Portugal encontra-se abaixo da média europeia. Um cartão vermelho para os governos que nas últimas décadas nos têm "desgovernado" no sector da Educação...
Entretanto, a nível interno, esta semana foi marcada pela pressão exercida pelas autoridades governamentais no que toca às manifestações realizadas pela Fenprof. Nada me liga a este sindicato (bem pelo contrário, já que sempre defendi a criação de uma Ordem dos Professores), mas aquilo que se sabe sobre a forma como as autoridades policiais exerceram a sua autoridade nas acções levadas a efeito por este sindicato em Montemor-o-Velho e na Covilhã nada auguram de bom no que concerne à capacidade deste Governo para aceitar opiniões contrárias à sua. A "festa da democracia" não se proclama, comprova-se nas atitudes!!!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Meras palavras de circunstância...

O discurso do Presidente da República nas comemorações do 5 de Outubro esteve cheio de elogios à profissão docente. Depois de meses de silêncio em matéria educativa, Cavaco Silva decidiu aliar o dia evocativo da Implantação da República com o dia mundial do professor, apelando à sociedade portuguesa para a importância de respeitar, acarinhar e prestigiar a função do professor. Palavras bonitas, mas insuficientes.
Depois de amanhã o discurso do Presidente será mero arquivo histórico, pois só com actos políticos sérios e capazes levados a cabo pelas entidades competentes é que as palavras poderão ter algum sentido prático. Ora, os últimos dois anos de governação socialista não auguram nada no sentido de prestigiar a classe docente. Muito pelo contrário! Com a minimização do acto de leccionar em prol dos actos burocráticos e com as dificuldades impostas à progressão na carreira docente, a vida do professor esforçado e dedicado à escola em nada tem sido prestigiada pelo actual Governo. Enfim, pode ser que daqui a um ano Cavaco Silva se lembre novamente dos professores deste país...

domingo, 30 de setembro de 2007

País da treta...

Um país que não cuida e protege da melhor forma os mais novos (cada vez em menor número) não passa de um projecto de país desenvolvido. É isso que penso de Portugal quando confrontado com o facto de termos uma legislação miserável no que toca à defesa da maternidade e da paternidade.
Na passada sexta-feira fui pai pela segunda vez. Depois de uma gravidez de risco que a minha esposa teve de aguentar, de forma heróica, temos pela frente tempos difíceis e desgastantes, com dois filhos de tenra idade: um de vinte e um meses e outro recém-nascido. Ambos somos professores e não temos família por perto: os avós vivem bem longe de nós. Mas, pelos filhotes nada é sacrifício...
Ora, o que o Estado nos concede para cuidar do elemento mais novo da família resume-se a um abono de família que nem para as fraldas do mês chega e uma licença de maternidade de quatro meses (com a hipótese de ter mais um mês sem direito a vencimento), a par de uma licença de paternidade de uns míseros cinco dias. Pouco, muito pouco, quando sabemos que outros países decentes desta Europa cada vez mais desigual permitem o alargamento da licença de maternidade até três anos e concedem subsídios verdadeiramente natalistas.
Como poderemos ter um país de jovens (lembremos-nos que o número de idosos já supera o de jovens) quando a classe média é posta de lado no que toca a incentivos decentes à natalidade? Aos quatro meses de idade um bébé deixa de ter a necessidade de ter a mãe ou o pai por perto? É isso que pensam os nossos governantes? Que com quatro meses já pode ser "despejado" no infantário, como se já não fosse um ser frágil? Só visto!!!
Enfim, tinha de desabafar. A felicidade de ter mais um filho não me impede que deva protestar com a actual situação de completo abandono que este e os anteriores governos demonstram ter pela classe média portuguesa. Sim, porque para a "arraia miúda" já há rendimentos mínimos e outros incentivos à preguiça...

sábado, 22 de setembro de 2007

A primeira semana de aulas

Para mim, este é já o décimo ano consecutivo em que o mês de Setembro é dominado pela azáfama do início de mais um ano lectivo, nomeadamente no que respeita à "arrumação" dos horários familiares. Há quem pense que a vida de um professor se resume ao trabalho que medeia entre a entrada e a saída da escola. Esquecem-se que não é nada fácil fazer a organização da vida familiar quando se lecciona a quase uma hora de casa e se tem uma filha ainda no infantário.
Este ano calharam-me em sorte oito turmas do ensino básico com a disciplina de Geografia, sendo que em duas delas ainda lecciono Área de Projecto e noutra Estudo Acompanhado. Nada mais, nada menos do que 200 alunos!!! Ou seja, este vai ser um ano complicado e de grande exigência. Ainda por cima, em dois dias seguidos da semana entro às 8.30H, o que me obriga a levantar pouco depois das 6.30H para levar a filhota ao infantário e seguir viagem para a escola...
Felizmente, já conheço mais de 2/3 dos alunos de que sou professor, o que facilita em muito o trabalho. Esta é uma das vantagens da estabilidade do quadro docente. Por outro lado, este é já o terceiro ano consecutivo que estou na mesma escola, o que permite um conhecimento dos "cantos à casa", sendo uma vantagem ao nível dos conselhos de turma.
A primeira semana de aulas foi desgastante: a habituação a um novo horário de trabalho e às rotinas próprias da vida de professor notaram-se, sobretudo, a difícil tarefa de, à 3ª e 4ª feira ter de acordar às 6.30H, preparar a filhota de 20 meses, levá-la ao infantário e conduzir durante 45 minutos para chegar à escola. Mas, daqui a umas semanas o organismo já estará habituado...
A primeira impressão que tenho das 8 turmas é bastante positiva. Logo na primeira aula, gastei apenas 20 minutos para apresentações e o resto do tempo foi para dar matéria. A receptividade por parte dos alunos foi, em termos gerais, interessante e agradável. 7º ano: as paisagens; 8º ano: o clima; 9º ano: os recursos energéticos. Aulas dinâmicas e alunos interventivos. Bom prenúncio...
A todos, um ano lectivo cheio de sucesso.