terça-feira, 1 de abril de 2008

Estar no terreno...

Paulo Guinote e Isabel Fevereiro falaram bem e demonstraram até que ponto é que o discurso dos teóricos da Educação é confrangedor! Há que estar no terreno para saber a realidade do ensino em Portugal.

segunda-feira, 31 de março de 2008

A última caminhada...

Iniciou-se hoje o terceiro período de aulas. Depois de uma interrupção das actividades lectivas dominadas pelo lastimável vídeo do Carolina Michaelis, eis que é tempo de voltar ao que verdadeiramente interessa: ensinar...
À excepção de uma das minhas turmas do 9º ano, todas as outras sete turmas a quem lecciono a disciplina de Geografia apresentaram no final do 2º período de aulas uma melhoria significativa nas suas avaliações. Fiquei satisfeito com a prestação geral dos meus alunos e espero que este último período possa ser ainda melhor. Isso mesmo lhes disse hoje e irei continuar a dizer ao longo dos próximos dias.
Infelizmente, a situação actual na Educação está difícil e instável. Adivinham-se novas formas de luta docente, devido às políticas desencadeadas por este Governo, para além de que a burocracia não pára de crescer. O tempo dedicado aos alunos escasseia cada vez mais, em contraponto com aquele que é gasto em reuniões e papéis supérfulos.
A todos os que aqui me costumam visitar, faço votos de um trabalho profícuo em prol dos alunos...

sexta-feira, 21 de março de 2008

Big Brother nas escolas: um mal necessário?

Com os problemas decorrentes de uma sociedade cada vez mais alheada de valores tão básicos como o respeito, a disciplina, a seriedade ou tão simplesmente a verdade, eis que a única forma de nos defendermos dos perigos da insegurança é o recurso ao "Big Brother". Seja nos centros históricos das principais cidades, seja nas centrais de transportes rodoviários e ferroviários, seja nos shopping-centers, hipermercados ou instituições bancárias, seja nas estações de serviço, entre muitos outros locais, a forma encontrada para evitar problemas desnecessários centrou-se na instalação da videovigilância, com óbvias vantagens ao nível da segurança das pessoas e dos seus haveres. George Orwell bem nos avisou...

Será necessário que também as escolas tenham de recorrer a esta medida tão drástica com o intuito de devolver a normalidade aos corredores, às cantinas, ao recreio e às salas de aula das nossas escolas? A continuar assim, não estaremos longe de termos câmaras de filmar em tudo quanto é canto das nossas escolas. Enfim, há males necessários...

quarta-feira, 19 de março de 2008

Senhora Ministra, com argumentos destes...

No debate parlamentar sobre Educação realizado ontem, Maria de Lurdes Rodrigues respondeu da seguinte forma a um deputado da oposição a propósito das notas dadas pelos professores poderem contar para a avaliação destes:
Com argumentos destes estamos conversados sobre a qualidade das intervenções da Ministra da Educação naquela que, supostamente, deveria ser a casa da democracia.
Há uns dias atrás, o Ministério da Educação veio informar os professores que estes poderiam estar descansados pois a progressão das avaliações dos alunos só contariam 6,5% para a avaliação de desempenho docente.
Pois eu considero um completo disparate que as notas dadas pelos professores aos alunos tenham qualquer tipo de peso (nem que seja 1%) para as avaliações dos professores. Não argumento com as analogias feitas com os casos dos médicos ou juízes, mas tão só na injustiça em que se poderá incorrer ao assumir-se tal estratégia. Injustiça para alunos, pois as avaliações destes apenas devem ter consequências para a progressão ou não destes, mas sobretudo para os docentes que ficariam em total perda de igualdade de oportunidades entre si, apenas pelo facto de se fazer depender o seu desempenho profissional pelo maior ou menor empenho demonstrado pelos discentes!
O desempenho profissional de um professor mede-se pela capacidade de trabalho que o mesmo prova ter, seja na forma como aplica as suas estratégias de ensino, seja na cientificidade evidenciada na elaboração e correcção das fichas de avaliação, seja ainda na flexibilidade e adaptabilidade do seu método de ensino ao seu público-alvo. A única forma possível de fazer depender o seu desempenho das notas dos alunos será, porventura, através da realização de exames nacionais aos alunos, diagnosticando possíveis discrepâncias entre as notas internas e as notas externas destes! Aí sim, poderá avaliar-se quem, de facto, se deixa levar pela onda do facilitismo e quem verdadeiramente assume uma postura de exigência e rigor no ensino.
Só uma última nota: já todos devem ter reparado que na retórica utilizada por José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues é extremamente raro ouvirem-se palavras como "rigor" e "exigência". Porque será???

quinta-feira, 13 de março de 2008

Assim vale a pena...

Para quem está dentro da forma como, efectivamente, funciona o sistema educativo português, palavras como desmotivação, desilusão, facilitismo, indisciplina, displicência não são novidade. A Escola Pública está em crise! O desajustamento curricular e a redução do rigor e exigência tornam raros os casos de sucesso efectivo, baseado no real esforço demonstrado pelos alunos, no seu dia-a-dia escolar...
Tenho mais de 200 alunos a meu cargo na disciplina de Geografia, 60 deles também a Área de Projecto e quase 30 a Estudo Acompanhado. Alunos efectivamente interessados e dedicados ao trabalho são cada vez mais uma raridade. É por isso que rejubilo de felicidade quando os meus alunos demonstram um grande empenho naquilo que realmente interessa à Escola: o trabalho, o estudo, o respeito, a disciplina.
Assim, dou a conhecer um dos excelentes trabalhos realizados em Área de Projecto sobre temáticas relacionadas com a disciplina de Geografia. Este trabalho foi elaborado por três alunos do 7º ano de escolaridade. Só uma nota: tenho alunos do secundário incapazes de elaborar um trabalho deste género...

quinta-feira, 6 de março de 2008

A pergunta da Sr.ª Ministra: qual é a alternativa? Eis a minha resposta...

Em entrevista à RTP1, a Ministra da Educação, questionou por várias vezes a jornalista Judite de Sousa com a seguinte expressão "Qual é a alternativa?"
Pois bem, a alternativa, neste momento, poderá residir no aperfeiçoamento do actual modelo de avaliação de desempenho dos professores. E esse aperfeiçoamento terá, porventura, que se basear, desde já, no adiamento do processo de avaliação dos professores contratados para o início do próximo ano lectivo, com as regras e pressupostos estabelecidos logo desde Setembro e não a meio deste ano lectivo. Depois, há que alterar os parâmetros definidos no actual modelo de avaliação que possam suscitar situações de injustiça e desigualdade entre professores, pois, não tenhamos dúvida que, com este sistema, não é indiferente leccionar numa escola de uma vila do Interior ou numa escola de elite de uma cidade do Litoral, assim como não é indiferente leccionar numa escola com três dezenas professores ou numa escola com mais de cem docentes. Vejamos um exemplo da insensatez deste sistema: permite que um docente exigente e rigoroso com os seus alunos e que, por isso, não consiga obter melhorias significativas nos resultados dos seus discentes não seja bonificado na sua avaliação, viabilizando, no entanto, que um professor menos cuidadoso e mais irresponsável (e não serão poucos!) que não se importe de inflacionar as notas dos alunos possa ser beneficiado na sua avaliação. É injusto... Mas, poderia dar outros muitos outros exemplos das injustiças deste modelo...

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Uma história de arrepiar...

Hoje, enquanto preparava na sala de professores uma ficha de avaliação para as minhas turmas do 9º ano, a Directora de Turma de uma dessas turmas chegou-se perto de mim e disse-me que queria contar-me uma situação que tinha ocorrido com ela durante uma das sessões de tutoria com três alunas da sua turma.
Contou-me então que na última sessão de tutoria tinha estado a preparar as três alunas para o teste de História. Questionou as alunas sobre a localização geográfica da Rússia. No globo terrestre que havia levado para a tutoria nenhuma das alunas conseguiu localizar esse enorme país. Assustada com a situação pediu então às alunas que localizassem Portugal no mundo. Nenhuma foi capaz de o fazer!!! Relembro: alunas do 9º ano de escolaridade!!!
Ficou então quase em estado de choque e resolveu vir contar-me a história, sabendo que já sou professor de Geografia de uma das alunas desde o 7º ano. Não me admirei com a situação já que tenho da aluna a clara convicção das extremas dificuldades da mesma. Ao chegar a casa fui analisar as avaliações que lhe dei nos 7º e 8º anos e verifiquei que sempre dei nota 2 à aluna e que a mesma transitou no passado ano lectivo com cinco níveis negativos à custa do preenchimento de umas grelhas que permitem a passagem de ano de forma algo burocrática e administrativa. Quem é professor sabe do que falo.
Depois temos resultados deste género: melhoria do sucesso educativo para as estatísticas e do agrado do Ministério da Educação, mas o desbravar de um rumo perigoso e enganador, assente no crescente facilitismo e no abaixamento do rigor e seriedade científicas...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

É preciso ter descaramento!!!

José Sócrates decidiu agora começar com a estratégia de elogiar a classe docente, com vista à minimização dos estragos que a manifestação do próximo dia 8 de Março lhe poderá causar em termos de imagem pública.
Sejamos claros e directos:
1. O aumento do número de alunos nos ensinos básico e secundário deve-se a uma política que visa "depositar" nos CEF`s e nos cursos profissionais os miúdos com duplas e triplas retenções, abrindo caminho a uma quase passagem administrativa, visto que a não conclusão destes cursos pelos alunos é praticamente impossível, dado o tão baixo nível de exigência requerido.
2. A melhoria do sucesso escolar dos últimos dois anos deve-se, em grande medida, aos resultados obtidos pelos alunos dos cursos profissionais e tecnológicos, onde o nível de exigência é o que se sabe... Quem é professor sabe do que falo!
Resumindo, o tão propalado sucesso dos últimos dois anos nada tem que ver com os professores, mas tão só com uma estratégia de claro facilitismo emanada de Lisboa. A ideia dos CEF`s e dos cursos profissionais é, como a das Novas Oportunidades, boa e positiva, mas, como disse Manuel Maria Carrilho, tornou-se numa farsa, visto que se embarcou pelo caminho do facilitismo e não pela lógica do ensino prático aliado a níveis elevados de exigência e rigor... Como dizia uma professora no "Prós e Contras" da RTP: "como se podem reprovar os meninos dos CEF`s se o programa de muitas das suas disciplinas é completamente inverso ao das suas necessidades? No final, somos obrigados a passá-los!"...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Notas sobre o debate com a Ministra da Educação no "Prós e Contras" da RTP

Depois de três longas horas de debate sobre as propostas do Governo para a avaliação de desempenho dos professores e para a gestão das escolas, sobressaem três ideias principais:
1. A Ministra da Educação entrou no debate com a intenção de se explicar, mas acabou a desconversar, ignorando as questões que directamente lhe eram colocadas e refugiando-se na velha e gasta estratégia de Sócrates: a fuga para a frente, ao repetir que o inglês no 1º ciclo está alargado a todo o país, que a escola a tempo inteiro é uma realidade e que a acção social escolar está reforçada. Quando se viu confrontada com argumentos sérios e directos que colocam muitas dúvidas sobre a aplicação das duas propostas governamentais em discussão, Maria de Lurdes Rodrigues desconversou e provou desconhecer muito sobre a realidade da Escola Pública portuguesa;
2. A classe docente está desmotivada, arrasada e descrente no caminho que a Educação no nosso país está a tomar. Os professores mais velhos anseiam pela reforma, enquanto que os mais novos desesperam com os principais problemas da escola: a burocracia crescente e o facilitismo extremo na avaliação dos alunos.
3. Nada melhor que professores no terreno e que efectivamente leccionam para darem a conhecer a realidade da nossa Educação: CEF´s e cursos profissionais que tentam camuflar (e não inverter) o insucesso escolar; divisão de uma classe profissional em duas categorias, que origina um mal-estar crescente na nossa profissão; aulas de substituição que na prática são uma mera ocupação do tempo livre dos alunos; pressão exercida sobre os docentes para não reterem alunos no 1º, 2º e 3º ciclos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O ensino do portfólio...

No regresso a casa depois de ter estado na escola desde as 10H. até às 19H. (com três aulas e mais uma reunião intercalar) aproveitei para ouvir a excelente reportagem da TSF a propósito do programa Novas Oportunidades. Já tinha ouvido falar de alguns casos vergonhosos acerca deste programa, no mínimo, facilitista e "amigo" do sucesso estatístico, mas esta reportagem da TSF revela situações de bradar aos céus.