terça-feira, 27 de maio de 2008

Um último esforço...

A pouco mais de duas semanas para o términus de mais um ano lectivo, no que às aulas diz respeito, encontro-me em regime de quase exclusividade à árdua tarefa de correcção de fichas de avaliação. Recuso-me a levar trabalho para casa, pelo que quando estou na escola (e de ano para ano são cada vez mais as horas por semana que passo na escola) todos os furos que tenho no meu horário são dedicados a preparar aulas e corrigir testes.
A vida em casa é destinada à família, com prioridade para os meus dois filhotes!!! Já basta o tempo que os dois têm de passar no infantário!!! Assim, tenho tido pouquíssimo tempo para me dedicar à blogosfera. Que as próximas três semanas passem depressa... Até breve!!!
PS - Aconselho a que passem uma vista de olhos ao excelente trabalho realizado por umas alunas minhas sobre o Douro Internacional. Vejam aqui. Vale a pena...

terça-feira, 13 de maio de 2008

O problema é o professor ser exigente!!!

Aqui vai mais uma para a colecção dos inúmeros disparates que tenho de ler quando corrijo testes. Muitos destes alunos que demonstram uma profunda ignorância ao nível do cálculo matemático defendem-se afirmando que a culpa é minha, por não deixar utilizar a calculadora nas aulas de Geografia. Reparem bem: o cálculo exigido é uma simples divisão de 36 por 60. Ensinei nas minhas aulas de Geografia a forma correcta de realizar divisões. Muitos alunos agradeceram e disseram-me que o uso da calculadora na disciplina de Matemática faz com que não pensem. Aqui têm a prova disso. Este aluno percebeu a forma de calcular a taxa de crescimento efectivo e fez as operações correctas até chegar à conta final. Aí foi o descalabro. Porquê? Simplesmente porque o professor é exigente e o obrigou a raciocinar.
A lógica do facilitismo parece que veio definitivamente para ficar. Esta Ministra tem incentivado à assumpção desta postura por parte de muitos professores. Muitos alunos já não raciocinam. O caos da Matemática é bem elucidativo. Com a banalização do uso da calculadora, muitos miúdos já nem sequer sabem fazer uma simples operação de multiplicação ou divisão de cabeça. O telemóvel trata do assunto. A culpa? É do sistema que temos...

terça-feira, 6 de maio de 2008

Descubram as desgraças...

A Ministra da Educação veio recentemente afirmar que "«chumbar os alunos é a maneira mais fácil de resolver o problema da exigência do sistema educativo". A Ministra chegou a dizer que a "repetência não serve para aumentar o rigor e a exigência de trabalho com esses alunos", parecendo insinuar que a melhor solução para estes alunos é mesmo passarem de ano.
Pois bem, o que fazer com alunos que, pura e simplesmente não estudam, nem se esforçam? Dou um exemplo concreto! Nas mais recentes fichas de avaliação que estive a corrigir, surgiram-me uma série de respostas semelhantes à que aqui mostro. Fotografei a resposta ainda antes de a corrigir para verem até que ponto pode ir a ignorância de alunos que não sabem quanto é "2000-2400" ou "300-260". E o que dizer da operação "84:60". A culpa será do professor, como parece insinuar a Ministra da Educação? O professor ensina, volta a ensinar, exercita com os alunos, mantém um blogue para os apoiar, presta um ensino indvidualizado aos que mais necessitam e depois há alunos que, pura e simplesmente, demonstram que não estudam.
Está mais que visto que, com esta equipa ministerial, o facilitismo veio para ficar. Quem quiser que comungue dessa prática. Não contém comigo para isso!!!

terça-feira, 22 de abril de 2008

O resultado obtido pelos sindicatos: de milhares passámos a algumas dezenas...

Ontem foi dia de manifestação de professores em Viseu. Ou melhor, de mini-manifestação!!! Segundo a Plataforma Sindical, a manifestação visou protestar contra a "divisão dos docentes em categorias hierarquizadas, a prova de ingresso dos jovens professores e o modelo de gestão". Ora, com o memorando de entendimento recentemente assinado entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical a força de contestação dos professores esmoreceu por completo. Se em Fevereiro tinhamos sido mais de 2 000 docentes nas ruas de Viseu, ontem não passámos de algumas dezenas. Simplesmente miserável!!!
Os sindicatos bem tentam passar a ideia de que a luta continua, mas o sentimento da maioria dos professores é outro: desistência, desilusão e desacordo. Os sindicatos criticam o que muitos professores vão desabafando pela blogosfera. Ainda agora, enquanto escrevo estas palavras, oiço na sala de professores um sindicalista dizer a seguinte piada: "os meninos dos blogues só sabem escrever, mas não sabem lutar". Sabe lá ele o que diz! Será que costuma ler os blogues do Ramiro Marques ou o do Paulo Guinote, entre muitos outros? Será que sabe da importância de grupos de professores que surgiram na blogosfera e se transformaram em movimentos credíveis de defesa da profissão docente? Este ódio dos sindicatos por todos quantos não pensam como eles é demonstrativo da reduzida capacidade de democraticidade destas estruturas...
Continuo a pensar que o rumo seguido pela Plataforma Sindical poderia ter sido outro. Concordar com o Mnistério da Educação e depois ouvir os professores em pseudo-plenários não foi a melhor estratégia. Esticar a corda e depois fazer figura de fraqueza deu no que deu: os professores perderam a força e a luta esfumou-se!!!
Enfim, como se costuma dizer no futebol, para o ano há mais...

sábado, 12 de abril de 2008

Uma força de contestação que se esfumou...

Depois de uma série de rondas negociais que deveriam ter ocorrido antes da publicação do decreto n.º 2/2008, eis que, em simultâneo, Ministério da Educação e Plataforma de Sindicatos sorriem para as televisões e "cantam" vitória. Uma vitória de Pirro, muito provavelmente... Só faltou mesmo a foto em conjunto com ambos os intervenientes a darem palmadinhas nas costas entre si!
O Ministério consegue que as manifestações e greves deixem de ter sentido de se realizarem, fazendo com que se esfume, por completo, a força emanada pelo descontentamento dos professores. Os tão badalados plenários a realizar na próxima 3º feira terão, muito provavelmente, uma adesão diminuta.
De facto, o que continua a ter força de lei é a "monstruosidade" em vigor pelo decreto nº 2/2008. Muito água irá ainda correr debaixo da ponte. As minhas espectativas não são as mais optimistas. Mas, não tenhamos dúvida que toda uma força de contestação se esfumou...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A indisciplina, os pais e a (falta de) lógica dos números...

Há quem pense que a análise dos números oficiais do Ministério da Educação sobre as situações de violência e indisciplina nas escolas constitui condição suficiente para avaliar até que ponto é que as escolas são locais mais ou menos seguros. Aliás, o presidente do Conselho das Escolas, Álvaro Santos, defende que os estabelecimentos de ensino são dos lugares mais seguros da sociedade. Só alguém que ande muito distraído é que pode afirmar algo deste género.
Desde logo, porque todos (ou quase todos, pelos vistos) sabemos que os números oficiais sobre tudo o que diga respeito a violência (seja verbal ou física, seja na escola ou fora dela) ficam sempre abaixo da realidade e estão sujeitos a factores diversos que impelem ou não à sua denúncia.
Só alguém muito distraído é que não percebe que o bulling nas escolas é uma realidade que nada tem que ver com as partidas e brincadeiras que os alunos realizavam há 20 anos atrás na escola. Hoje, temos uma situação em que basta percorrer os corredores das escolas ou frequentar os seus espaços de recreio, já para não falar das próprias salas de aula, para perceber que a violência entre alunos constitui uma realidade banal e rotineira das nossas escolas.
Uma forma de alterar a situação actual passa por termos um Estatuto do Aluno exigente para com os alunos e os seus pais. O mais recente é o que sabe: facilitista e nada exemplar. Desde logo, temos o erro gravíssimo de se minimizar o facto do aluno incorrer em faltas injustificadas. Por outro, há que ser consequente. Quando o Estatuto do Aluno refere que "aos pais e encarregados de educação incumbe, para além das suas obrigações legais, uma especial responsabilidade, inerente ao seu poder-dever de dirigirem a educação dos seus filhos e educandos, no interesse destes, e de promoverem activamente o desenvolvimento físico, intelectual e moral dos mesmos", o referido Estatuto deveria prever consequências não apenas para os alunos, mas também para os pais quando o aluno demonstrasse um comportamento incorrecto. Porque não retirarem-se privilégios em sede de abono de família ou em termos fiscais? Talvez assim os pais negligentes abrissem os olhos...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Estar no terreno...

Paulo Guinote e Isabel Fevereiro falaram bem e demonstraram até que ponto é que o discurso dos teóricos da Educação é confrangedor! Há que estar no terreno para saber a realidade do ensino em Portugal.

segunda-feira, 31 de março de 2008

A última caminhada...

Iniciou-se hoje o terceiro período de aulas. Depois de uma interrupção das actividades lectivas dominadas pelo lastimável vídeo do Carolina Michaelis, eis que é tempo de voltar ao que verdadeiramente interessa: ensinar...
À excepção de uma das minhas turmas do 9º ano, todas as outras sete turmas a quem lecciono a disciplina de Geografia apresentaram no final do 2º período de aulas uma melhoria significativa nas suas avaliações. Fiquei satisfeito com a prestação geral dos meus alunos e espero que este último período possa ser ainda melhor. Isso mesmo lhes disse hoje e irei continuar a dizer ao longo dos próximos dias.
Infelizmente, a situação actual na Educação está difícil e instável. Adivinham-se novas formas de luta docente, devido às políticas desencadeadas por este Governo, para além de que a burocracia não pára de crescer. O tempo dedicado aos alunos escasseia cada vez mais, em contraponto com aquele que é gasto em reuniões e papéis supérfulos.
A todos os que aqui me costumam visitar, faço votos de um trabalho profícuo em prol dos alunos...

sexta-feira, 21 de março de 2008

Big Brother nas escolas: um mal necessário?

Com os problemas decorrentes de uma sociedade cada vez mais alheada de valores tão básicos como o respeito, a disciplina, a seriedade ou tão simplesmente a verdade, eis que a única forma de nos defendermos dos perigos da insegurança é o recurso ao "Big Brother". Seja nos centros históricos das principais cidades, seja nas centrais de transportes rodoviários e ferroviários, seja nos shopping-centers, hipermercados ou instituições bancárias, seja nas estações de serviço, entre muitos outros locais, a forma encontrada para evitar problemas desnecessários centrou-se na instalação da videovigilância, com óbvias vantagens ao nível da segurança das pessoas e dos seus haveres. George Orwell bem nos avisou...

Será necessário que também as escolas tenham de recorrer a esta medida tão drástica com o intuito de devolver a normalidade aos corredores, às cantinas, ao recreio e às salas de aula das nossas escolas? A continuar assim, não estaremos longe de termos câmaras de filmar em tudo quanto é canto das nossas escolas. Enfim, há males necessários...

quarta-feira, 19 de março de 2008

Senhora Ministra, com argumentos destes...

No debate parlamentar sobre Educação realizado ontem, Maria de Lurdes Rodrigues respondeu da seguinte forma a um deputado da oposição a propósito das notas dadas pelos professores poderem contar para a avaliação destes:
Com argumentos destes estamos conversados sobre a qualidade das intervenções da Ministra da Educação naquela que, supostamente, deveria ser a casa da democracia.
Há uns dias atrás, o Ministério da Educação veio informar os professores que estes poderiam estar descansados pois a progressão das avaliações dos alunos só contariam 6,5% para a avaliação de desempenho docente.
Pois eu considero um completo disparate que as notas dadas pelos professores aos alunos tenham qualquer tipo de peso (nem que seja 1%) para as avaliações dos professores. Não argumento com as analogias feitas com os casos dos médicos ou juízes, mas tão só na injustiça em que se poderá incorrer ao assumir-se tal estratégia. Injustiça para alunos, pois as avaliações destes apenas devem ter consequências para a progressão ou não destes, mas sobretudo para os docentes que ficariam em total perda de igualdade de oportunidades entre si, apenas pelo facto de se fazer depender o seu desempenho profissional pelo maior ou menor empenho demonstrado pelos discentes!
O desempenho profissional de um professor mede-se pela capacidade de trabalho que o mesmo prova ter, seja na forma como aplica as suas estratégias de ensino, seja na cientificidade evidenciada na elaboração e correcção das fichas de avaliação, seja ainda na flexibilidade e adaptabilidade do seu método de ensino ao seu público-alvo. A única forma possível de fazer depender o seu desempenho das notas dos alunos será, porventura, através da realização de exames nacionais aos alunos, diagnosticando possíveis discrepâncias entre as notas internas e as notas externas destes! Aí sim, poderá avaliar-se quem, de facto, se deixa levar pela onda do facilitismo e quem verdadeiramente assume uma postura de exigência e rigor no ensino.
Só uma última nota: já todos devem ter reparado que na retórica utilizada por José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues é extremamente raro ouvirem-se palavras como "rigor" e "exigência". Porque será???