Não se percebe. Eu não percebo. Ou melhor, percebo que o Ministério da Educação esteja numa onda de crescente facilitismo em relação aos nossos alunos com vista à melhoria significativa das estatísticas, em termos do sucesso educativo, mas não percebo que haja quem não queira ver que as consequências a longo prazo serão catastróficas... Seja em termos da cada vez mais difícil possibilidade de se reterem alunos em anos não terminais, seja no âmbito do conteúdo dos exames nacionais, parece claro que, com esta equipa ministerial e a anuência do Presidente da República, o facilitismo veio para ficar...
O caso mais gritante foi o que ocorreu com o exame de Matemática do 9º ano. Segundo os especialistas na matéria, nomeadamente os docentes da Associação de Professores de Matemática (APM), "a prova é mais fácil do que as dos anos anteriores, existindo diversos itens que podem ser resolvidos por alunos de outros ciclos de escolaridade, como por exemplo o item 3". Assim, "os resultados poderão vir a ser melhores, não significando que existiu uma melhoria nas aprendizagens dos alunos". Não sou eu que o digo, é a APM!!!
Na disciplina que lecciono, discordo que o exame de Geografia A do secundário continue a ser elaborado de forma excessivamente displicente, com muitas questões de escolha múltipla (e muito fáceis!!!) e poucas questões de desenvolvimento. Se o objectivo é facilitar, que se acabem com os exames!!!
Seria bom que as associações profissionais representativas dos docentes das várias disciplinas e as Universidades pudessem ter uma maior intervenção ao nível da elaboração dos exames. Talvez assim o rigor e a exigência subissem de nível!!!


Ontem foi dia de manifestação de professores em Viseu. Ou melhor, de mini-manifestação!!!