quinta-feira, 3 de junho de 2010

A odisseia está quase a terminar...

Este é o meu 12º ano de serviço como professor de Geografia.
Até agora o ano mais trabalhoso: nove turmas de quatro níveis diferentes, mais de duzentos alunos na disciplina de Geografia, uma direcção de turma a meu cargo e ainda outros cargos como o de subcoordenador e o de responsável pelo projecto Parlamento dos Jovens. A isto tudo há que acrescentar as horas na biblioteca, no gabinete do aluno e nas substituições.
Resta-me dizer que passo mais tempo na escola e com actividades ligadas à escola do que com a minha família. No entanto, mais trabalho não significa melhores resultados. Bem pelo contrário!!! De ano para ano, a vida na escola torna-se mais penosa e escasseiam os alunos que têm um espírito de verdadeiros estudantes...
Desde os tempos de Guterres que se insituiu a ideia nos jovens portugueses que para transitar de ano não é necessário grande esforço. E a lógica dos PCS`s, dos CEF`s, dos cursos profissionais e das novas oportunidades veio piorar isto tudo!!!
Os grandes prejudicados de uma profissão que tem vindo a ser completamente mal tratada e ignorada pelo Ministério da Educação são os mais novos. Não esqueçamos que todas as desgraças que os sucessivos governos PS têm vindo a fazer na escola pública portuguesa terão consequências nefastas na próxima geração de adultos que (não) andamos a formar.
Daqui a dez anos é que nos vamos queixar (ainda mais) da ignorância e falta de formação manifestada pelo povo português...

sábado, 6 de março de 2010

Até quando durará a impunidade???

Já todos conhecem a história do pequeno Leandro que, à custa do bullying constante de que era alvo, colocou termo à sua vida. O seu desaparecimento não pode ser inconsequente. Muito há por esclarecer e os responsáveis (por acção ou omissão) por esta situação não podem ficar impunes.
A investigação que está a ser desencadeada pelo Ministério Público e pela Inspecção da Educação tem que ser eficaz. E a Direcção da Escola EB 2,3 Luciano Cordeiro, em Mirandela, já se deveria ter demitido e pronunciado publicamente sobre o caso. E a Ministra da Educação tem o dever de vir a público dizer que esta morte não será ignorada e que a autoridade e a disciplina das escolas serão uma prioridade deste Ministério da Educação. Basta de falar em obras nas escolas e de avaliação docente. Há que legislar "forte e feio" para punir aqueles que estão na escola não para aprender, mas para se distraírem. E os pais dos alunos indisciplinados devem ser punidos...
A partir do dia em que Leandro pôs termo à sua vida nada pode ficar na mesma. A Escola não pode ser invadida por delinquentes que estão na escola para passar o tempo. A Escola não pode ser um local de facilitismos. A Escola não pode ser o "armazém" onde os pais irresponsáveis colocam os filhos para não tomarem conta deles.
A Ministra da Educação tem que falar do assunto. O Primeiro-Ministro tem que dar a cara pela Escola Pública. O Procurador Geral da República tem que apresentar resultados da sua acção nesta matéria. E esta escola onde tudo aconteceu tem que ser investigada com o máximo de rigor para se apurarem responsabilidades e agir-se em conformidade.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Missão (quase) impossível...

Já lá vão mais de dois meses desde a última vez que aqui vim escrever. Não pensem que desisti da blogosfera. Apenas não tenho tido tempo para aqui vir. Com nove turmas (sim, nove!!!), de quatro níveis diferentes, o que perfaz quase 250 alunos e uma direcção de turma que tem dado muito que fazer, não tenho tido vagar para aqui vir "desabafar".
Resolvi vir aqui hoje porque li na revista Visão que a Ministra pretende desburocratizar a vida de professor. Espero bem que sim, porque estou farto de planos de recuperação, planos de acompanhamento, provas de recuperação, planificações, autorizações, informações, quadros, grelhas e mais burocracias que me impedem de ter tempo para preparar actividades ainda mais motivadoras para os meus alunos. E então as reuniões intermináveis é que me tiram do sério!!!
Continuação de bom trabalho para todos...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sem tempo para escrever...

Há cerca de um mês que não venho aqui escrever. Porquê? Muito simples: trabalho, trabalho, trabalho... Em quê? Muito simples: preparação de aulas, elaboração de testes, correcção de testes, correcção de trabalhos, manutenção do blogue da disciplina, encontros com encarregados de educação, registos de faltas dos alunos, substituição de aulas de uma colega que está de baixa e papelada, papelada e mais papelada relacionada não só com a Direcção de Turma, mas com tudo o que diga respeito ao departamento e grupo disciplinar.
Há cerca de um mês que as minhas 35 horas de trabalho semanais que a lei prevê são acrescentadas de, pelo menos, 15 ou 20 horas. E tenho a certeza que muitas dessas horas não são de trabalho com as oito turmas que tenho a meu cargo. Há muito trabalho ligado à Direcção de Turma e a muitas outras tarefas que não apenas ligadas à docência, mas a projectos (a Educação Sexual, o Parlamento dos Jovens, o moodle, a blogosfera, as visitas de estudo, as acções formação e muito mais).
Até ao Natal.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O que esperar da nova Ministra da Educação?

Com a saída de Maria de Lurdes Rodrigues do cargo de Ministra da Educação há quem pense que se abra uma nova porta na forma como a Educação tem sido encarada pela tutela. Certamente que o estilo de governação irá mudar, mas não me acredito que haja mudanças no rumo até aqui traçado: facilitismo, burocracia e irrealismo continuarão a ser, na minha opinião, as traves mestras deste Governo.
Há quem pense que o facto da nova Ministra Isabel Alçada já ter passado pelo ensino básico (embora há mais de 15 anos) lhe dará uma nova aura no sentido de estar familiarizada com os problemas com que a Educação se enfrenta em Portugal. Não me acredito...
Nos últimos tempos (lembremo-nos dos tempos de antena do PS) Isabel Alçada teve elogios para com a anterior Ministra que a colocam no mesmo estado de desenvolvimento político: completamente desfasada da realidade escolar.
O mal já está todo feito: indisciplina, burocratização, facilitismo e falta de democratização tomaram conta das escolas públicas portuguesas. Os professores continuam a ser "pau para toda a colher" e a escola deixou de ser um local de estudo para passar um local de "depósito de alunos". Isabel Alçada apenas irá "fazer render o peixe"... Poderá mexer nalguma pequena coisa, mas no essencial tudo ficará na mesma: o facilitismo irá continuar, a falta de disciplina e de interesse dos pais não terá consequências, a profissão docente não será valorizada...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pais afastam-se da escola

Na última sexta-feira realizou-se na escola que a minha filha frequenta uma reunião de pais e encarregados de educação. A escola tem cerca de trezentos alunos, mas apenas compareceram catorze pais. Ou seja, a taxa de adesão dos pais não chegou aos 5%. Outra curiosidade: muitos dos pais que apareceram eram professores!!! Claro que muito se comentou sobre o desinteresse manifestado pela maioria dos encarregados de educação que, de facto, de encarregados têm muito pouco...
Assim vamos de interesse dos pais pela educação dos filhos. Outro facto: este ano sou director de turma e, com mais de um mês de aulas, em dezanove alunos que tenho na minha turma ainda só conheci oito pais (menos de metade). Ainda por cima, já tentei convocar alguns encarregados de educação e de alguns deles não há sequer rasto.
Cada vez mais me convenço que só à força lá poderemos chegar: enquanto os pais não forem, efectivamente, responsabilizados pelos actos dos filhos e não for penalizado o desinteresse manifestado pelos ditos encarregados de educação, muitos destes jovens andarão à "roda livre". Com consequências nefastas no seu sucesso educativo...

sábado, 10 de outubro de 2009

A presidente do CNE sabe do que fala???

Há uns dias atrás li no Público que a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) defende uma nova forma de organização da escola pública, que em vez de chumbar os alunos com dificuldades se preocupe mais com uma aprendizagem de qualidade. Referiu-se muito à escola e aos professores, mas em relação aos pais e famílias nem uma palavra.
Melhor ainda. Afirmou que o actual sistema de percursos educativos não serve nem o desenvolvimento do país nem os alunos. Depois de o Governo PS ter apostado nos CEF`s, nos cursos profissionais e nas Novas Oportunidades, pior crítica não poderia existir.
Por fim, deu a entender que devemos "copiar" o Canadá e a Austrália, como se por lá existisse a miséria que por cá abunda em termos de pobreza. Convém não esquecermos que a maioria dos alunos problemáticos, indisciplinados e sem sucesso escolar são os que provêm de famílias onde os rendimentos económicos estão muito abaixo do razoável.
Ora, só com a erradicação da pobreza se poderá acabar com o insucesso escolar. Veja-se os alunos que estão nos CEF`s. A maioria deles são oriundos de famílias onde impera a pobreza e a ignorância.
Neste particular, aproximo-me bastante do discurso do CDS-PP: acabe-se com a subsidiodependência, que apenas tenta esconder os problemas e nada resolve, aumente-se a produtividade e o rendimento das famílias e aposte-se na disciplina, rigor e exigência na escola. Pode ser que assim aumente o sucesso escolar à custa de uma verdadeira aprendizagem dos alunos.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Para que vai servir o Ministério da Educação?

O PS ganhou com maioria relativa. Ou seja, o poder absoluto do PS, com a lógica prepotente do "quero, posso e mando" terminou, pelo que o mais provável é que durante esta legislatura tudo fique na mesma. O novo Ministro da Educação não vai mudar uma "palha" naquilo que a sua antecedente fez, seja nas alterações efectivadas no Estatuto da Carreira Docente, no Estatuto do Aluno, na Gestão das escolas ou tão simplesmente no aumento do facilitismo protagonizado pelas Novas Oportunidades, EFA`s, CEF`s e cursos profissionais. Sem concursos de professores nos próximos anos e com a continuação da mesma lógica de exames nacionais pouco rigorosos, fica a questão: para que serve o cargo de Ministro da Educação??? Para muito pouco ou quase nada.
Assim, sou da opinião que esta pasta ministerial deveria ficar de sabática? Se é para ficar tudo na mesma, não faz cá falta nenhum Ministro da Educação...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A herança de MLR

Maria de Lurdes Rodrigues está prestes a abandonar o cargo que a tornou na maior "inimiga" de uma classe profissional com mais de 100 mil trabalhadores. O que deixou ela, para além de uma enorme desilusão e angústia nos professores. Sejamos rigorosos:
De positivo, acabou com as escolas do 1º ciclo das aldeias, introduziu o Inglês no 1º ciclo e massificou o uso do computador pelos professores e alunos.
De negativo, destruiu a democraticidade da escola pública, impondo um novo regime de gestão e dividindo uma classe profissional entre titulares e não titulares. Fez de conta que melhorou as aulas de substituição dos alunos. Massificou, ainda mais, o facilitismo com um Estatuto do Aluno vergonhoso e alinhando por exames nacionais pouco sérios e rigorosos. Fez vista grossa ao problema da indisciplina e ignorou os programas curriculares das disciplinas, preferindo por manter tudo na mesma. Ou seja, onde deveria ter mexido, nada fez e onde deveria estar quieta, destruiu e estragou.