Finalizado o prazo concedido aos professores contratados para apresentarem a sua candidatura à BCE, uma nova modalidade de concurso de professores que deixa qualquer um completamente de rastos (tal é a sua complexidade e subjectividade), eis que milhares de professores dos quadros anseiam pelo dia e hora em que as listas da mobilidade interna possam ser dadas a conhecer. Falamos de largos milhares de professores que durante esta semana estiveram numa escola (muitos deles participando em reuniões de departamento e de grupo e até em conselhos de turma), sem saberem se para a semana aí continuarão ou se, de um dia para o outro, terão que se apresentar noutra escola para, sem terem tido a oportunidade de prepararem convenientemente o seu início de ano escolar, lhes ser entregue um horário e começarem a dar aulas "às escuras", ou seja, sem qualquer informação sobre as turmas que terão a seu cargo.
Tudo isto devido à incompetência dos serviços do MEC que, uma vez mais, não conseguiram concretizar de forma correcta e planeada o processo de colocação de professores. E este ano, a incompetência ultrapassou todos os limites do admissível. Esta semana tivemos escolas a funcionar a meio gás (ou mesmo a menos de meio gás), sendo que para a semana será o corrupio total, com a chegada de milhares de professores às escolas que, em poucas horas, terão de fazer todo o trabalho de preparação do ano escolar que lhes devia ter ocupado o tempo da semana anterior. E então aqueles a quem for atribuída a função de Diretor de Turma é que andarão mesmo às apalpadelas, dado lhes ter sido coartada a possibilidade de, atempadamente, executarem as tarefas de início do ano escolar.
E o que dizer da forma como os sindicatos de professores actuaram nesta primeira semana de Setembro? Uma desilusão. No início da semana teve que ser a Associação de Professores Contratados a conseguir algum tempo de antena por parte das televisões, rádios e jornais, aquando da ida de milhares de colegas nossos aos centros de emprego. Depois, foi o deserto total. A Fenprof e a FNE evaporaram-se. Alguém viu o Mário Nogueira ou o Dias da Silva nos telejornais? Nada. A opinião pública passou a semana inteira apenas a ouvir falar da bagunça tida com a abertura do ano judicial, mas quanto à vergonha que se passa com o atraso nas listas de colocação dos professores (e falamos de milhares de professores dos quadros, a acrescentar a muitos outros milhares de contratados) nada de nada... Nem fóruns, nem debates, nem opiniões nas nossas televisões...
E informação do MEC sobre a saída das listas? Nada. Será que vamos ter milhares de professores pregados, durante o fim-de-semana, aos portáteis e telemóveis, para saberem se as listas já saíram? Falta de consideração, falta de respeito e falta de vergonha. Eis o que se pode dizer deste Ministério da Educação em relação aos professores. Pura incompetência... De Crato nem uma palavra de assunção do erro. Já os sindicatos parecem estar de férias. E os professores, dirão MEC e sindicatos, que se amanhem...









