domingo, 16 de outubro de 2011

Benditos rankings

Aí estão novamente os rankings das escolas efectuados com base nos resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais. Claro que uma análise séria deve ser feita de forma muito ponderada e contextualizada à realidade sócio-económica de cada comunidade escolar. Recomendo a análise feita pelo jornal Público. Pena é que muitas escolas não tomem maior atenção aos rankings...
Quanto aos resultados, disciplina a disciplina, podem ser consultados no jornal I.
De resto, apenas me posso congratular, uma vez mais, pelos excelentes resultados que os meus alunos do 11º ano obtiveram no exame nacional de Geografia. Em 609 escolas secundárias, conseguimos um orgulhoso 62º lugar, com uma média de 12,6 valores, quase 2 valores acima da média nacional. Se contarmos apenas com as escolas públicas, alcançámos um relevante 33º lugar. A nível distrital ficámos em 2º lugar. Para uma escola do Interior é excelente...
Só tenho pena que o ME não divulgue os resultados de forma mais facilitada e tenhamos que esperar pelos trabalhos realizados pela comunicação social. Benditos rankings...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Início de mais um ano lectivo

Depois de umas reconfortantes férias de Verão é chegada a hora de iniciar mais um ano lectivo. Este ano vou ter a meu cargo sete turmas: seis do 8º ano (uma delas como DT) e uma de um curso profissional. Com tanto trabalho pela frente, desde as reuniões, planificações e planos de actividades até à preparação de aulas e muito mais, o tempo para escrever escasseia a olhos vistos.
Pela primeira vez nos últimos anos o ano lectivo em Portugal começa em clima de harmonia. O Ministro Nuno Crato conseguiu "arrumar para canto" o assunto da avaliação docente, com a assinatura do acordo com a FNE e o quase silenciamento da FENPROF. O encerramento de escolas do 1º ciclo foi bem aceite e a redução do número de colocações de professores foi compreendida pelo país, tendo em conta os tempos de crise que vivemos. A ver vamos como correm as coisas ao nível dos aumentos do preço da luz e do gás: espera-se muita poupança nas escolas...
Votos de um excelente ano lectivo para todos...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sensação de dever cumprido

Pelo segundo ano consecutivo "levei" ao exame de Geografia A uma turma do 11º ano do curso de Línguas e Humanidades e, mais uma vez, a sensação, depois de revelados os resultados da 1ª fase, é a de dever cumprido.
A média nacional manteve-se nos 11 valores e os "meus" vinte e um alunos alcançaram uma média de 12,8 valores, quase dois valores acima da média nacional. Claro que há quem considere este tipo de análise demasiado simplista e seja totalmente contra a realização de rankings de escolas apenas com base nos resultados dos exames. Eu tenho uma opinião de "nem 8, nem 80", ou seja, os rankings são insuficientes, mas não são de descartar...
Neste tipo de análise há um conjunto de variáveis que interessariam analisar, mas há que não ignorar o esforço de alunos e professores quando a média de uma escola de um meio rural distante do litoral no exame de uma determinada disciplina está bem acima da média nacional e pelo segundo ano consecutivo.
Sou da opinião de que se deveria dar mais atenção aos rankings e aos resultados dos exames nas escolas. Muitas vezes, analisa-se o secundário, ignorando o que verdadeiramente interesse: os resultados.
Quanto a mim, mais uma vez tenho o sentimento de dever cumprido: a disciplina de Geografia na minha escola volta a não defraudar em termos nacionais.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O novo Ministro da Educação

Nuno Crato foi o homem escolhido para tomar conta dos destinos do Ministério da Educação durante os próximos quatro anos.
A expectativa na classe docente está bastante elevada. Todos sabemos porquê. Nuno Crato é conhecido por ter escrito (e dito) muito sobre a necessidade de elevar os níveis de exigência e rigor na escola pública portuguesa. Nuno Crato é contra o eduquês e o facilitismo. Defende que os pais devem também ser responsabilizados pela educação dos seus filhos. Apoia o reforço da autoridade dos professores. É conhecido por apelar ao reforço dos exames nacionais. Enfim, as ideias-chave para Nuno Crato são o reforço da responsabilidade dos vários agentes educativos (professores, pais, alunos e directores) e premiar o esforço.
Quem quiser saber mais sobre o pensamento do novo Ministro da Educação deve ler o livro que escreveu "O eduquês em discurso directo".
Curiosamente, Nuno Crato escolheu para Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário uma pessoa que vem da área do Eduquês: uma professora de Psicologia da Universidade de Évora, de seu nome Isabel Maria Santos Silva. Não percebi a escolha, visto que sempre julguei que iria escolher alguém que, efectivamente, conhecesse o terreno, alguém que soubesse o que é dar aulas no ensino não superior...
A ver vamos no que isto vai dar. Nuno Crato não vai ter estado de graça. Há que começar a colocar em prática aquilo que sempre defendeu. A este propósito, deixo aqui um vídeo com o próprio Ministro a dar a conhecer as suas ideias sobre o que é preciso fazer em Portugal na área da educação. Durante 15 minutos, Nuno Crato, apresenta seis ideias-chave:
- maior seriedade, rigor e exigência nos exames nacionais (mais exames e maior valorização na avaliação dos alunos);
- mais atenção a dar aos conteúdos programáticos e não aos processos, ou seja, valorizar mais o conhecimento científico;
- avaliar os professores com base nos resultados dos seus alunos e não em evidências facilmente deturpadas da realidade;
- valorizar o papel dos professores;
- alterar a formação inicial dos professores, exigindo rigor no conhecimento científico e não valorizando tanto as ciências da educação;
- conceder maior autonomia às escolas.
Daqui a uns tempos há que ver até que ponto da teoria se passou à prática. Acredito que o novo Ministro vai cumprir com a sua palavra...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Para reflectir antes das eleições...

Deixo aqui, via um blogue amigo, a informação necessária sobre o que os vários partidos defendem nos seus programas eleitorais para o sector da Educação.
Cliquem aqui para melhor decidirem.
Eu já decidi. Votar na mudança é uma questão de dever cívico. Passos Coelho conta com o meu voto!!!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A demografia também está relacionada com esta crise

Assim está Portugal em termos demográficos:

- a taxa de natalidade a descer;

- o índice sintético de fecundidade a diminuir;

- a esperança média de vida a aumentar;

- o índice de envelhecimento a aumentar;

- a emigração dos jovens a aumentar.

Conclusão: somos um país com cada vez menos jovens e mais idosos. Ou seja, caminhamos para a insustentabilidade demográfica, com consequências gravíssimas aos níveis económico e social.


O ÍNDICE SINTÉTICO DE FECUNDIDADE (Número médio de filhos por mulher)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A grande conquista de Sócrates. Sempre a subir...

Agora, imagine-se como estaria a taxa de desemprego se contássemos com os milhares de portugueses que todos os meses saem de Portugal. E não nos esqueçamos que muitos destes emigrantes (talvez a maioria) constituem mão-de-obra qualificada...

sábado, 18 de dezembro de 2010

Tempo de retemperar forças!!!

Depois de 14 semanas de aulas é tempo de fazer uma pausa na árdua tarefa de preparar aulas, leccionar conteúdos, preparar reuniões, "dar e baralhar" papelada, entre muitos outros trabalhos inerentes à profissão docente. Ainda por cima, quando se tem cinco turmas e quatro disciplinas diferentes, a que há que acrescentar uma Direcção de Turma, o tempo escasseia e torna-se difícil ter tudo pronto a horas.
Mas, o primeiro período de aulas já passou e o balanço, em termos gerais, foi positivo. Claro que há duas realidades completamente antagónicas: nas três turmas do ensino regular que tenho (duas do 9ºano e uma do 11º ano) a palavra de ordem é uma: sucesso! Alunos interessados, empenhados e com objectivos claros. Nas duas turmas do ensino profissional que tenho a meu cargo, apenas me vem à cabeça uma ideia: mais do que ensinar, a minha função principal nas aulas é a de educar aqueles alunos nas atitudes e valores.
A isto há que acrescentar o facto de continuarmos a ter uma tutela que ignora, por completo, a vida real nas escolas. A actual Ministra da Educação pode ser mais sorridente (de forma exagerada) que a anterior, mas a política continua a ser a mesma: proletarizar a classe docente. A este propósito deixo-vos com este excelente texto de Luís Cabral de Moncada, publicado no jornal I.
Sendo certo que nos esperam tempos difíceis, desejo-vos a todos um feliz Natal...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Não há pachorra...

Este ano lectivo está a ser terrível. E tudo porque me calharam na rifa duas turmas do ensino não regular. Bem sabemos que para a Ministra da Educação estas turmas constituem o "a cerja em cima do bolo" em matéria de educação.
Ora, o que temos nestes cursos é uma estratégia de puro engano. Digo isto porque quem inventou os programas das disciplinas destes cursos não faz a mínima ideia de que tipo de alunos se inscrevem nestas turmas. Os programas de muitas disciplinas são mais exigentes do que os do ensino regular (exemplo da disciplina de Geografia).
Com esta contradição o trabalho sobre para os professores. É verdade: demora-se mais tempo a preparar as aulas do que a leccioná-las. E melhor ainda: se o aluno reprova no módulo tem ainda direito a mais três tentativas para recuperar. Ora, o trabalho sobre para quem: para o professor. Depois há que acrescentar que para a maioria das disciplinas não existem manuais, pelo que todos os materiais têm de ser construídos de raíz.
Conclusão: o facilitismo puro e duro para o aluno e o cargo dos trabalhos para o professor.