quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Os riscos de ter uma escolaridade obrigatória até aos 18 anos

O jornal Público trouxe há poucos dias uma interessante reportagem com a opinião de José Matias Alves, especialista em assuntos da educação, sobre os problemas que o alargamento da escolaridade obrigatória trará às escolas.

Quem é professor sabe os problemas que surgem quanto numa turma temos à frente alunos contrariados e que estão na escola sem vontade e interesse. Felizmente que em muitas turmas estes alunos ainda são uma minoria...

Se há uns anos atrás muitos alunos contrariados deixavam a escola aos 15 anos e começavam a trabalhar, com o alargamento da escolaridade obrigatório até aos 18 anos teremos um aumento dos alunos que apenas criam problemas às turmas. A partir do 3º ciclo do ensino básico irão aumentar os problemas de insucesso escolar e de indisciplina.

Aqui fica o registo da reportagem...


"O alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos vai ter, já a partir do próximo ano lectivo, um "impacto brutal" nas escolas, e, em conjunto com o prosseguimento da fusão de agrupamentos, de que resultarão também espaços com muito mais alunos, poderá criar ambientes "explosivos e até mesmo descontrolados. O alerta parte de José Matias Alves, coordenador do Serviço de Apoio à Melhoria das Escolas da Universidade Católica, e que foi professor do ensino secundário durante 35 anos. Contas feitas, Matias Alves, que também foi director-geral do Departamento do Ensino Secundário entre 1994 e 1996, adianta que cerca de 20% dos alunos que optam por não prosseguir estudos no secundário serão agora obrigados a fazê-lo. "Vão ser obrigados por lei a estar onde não querem estar", frisa. O alargamento da escolaridade obrigatória foi aprovado por unanimidade no Parlamento em 2009. Matias Alves lembra que, na maior parte dos países da União Europeia, a escolaridade obrigatória não é tão longa como será em Portugal.Faltam oito meses para a primeira vaga de alunos abrangida por esta medida entrar no 10.º ano. Seja no que respeita à oferta educativa ou ao plano curricular, nada foi ainda alterado para os receber. O actual ministro da Educação, Nuno Crato, indicou em Outubro que tudo "está em aberto" no que respeita à configuração do novo ensino secundário."É importante que exista uma maior flexibilidade. Por exemplo, existir uma obrigação formativa, sem que tal passe por obrigar todos os alunos a estar na escola a tempo inteiro por mais estes anos", defende Matias Alves. Este docente não esconde estar "preocupado com o que vai acontecer", embora considere que ainda "há tempo" para a nova equipa ministerial adoptar medidas que permitam às escolas fazer face aos problemas criados pelas novas vagas de alunos. E, para lhes fazer face, as escolas necessitam de ter uma autonomia de facto, defende."Quem sabe resolver os problemas são as escolas e não as direcções-gerais ou gabinetes ministeriais", acrescenta. Para Matias Alves, a autonomia das escolas, e a consequente prestação de contas, é também a condição de base para melhores aprendizagens. Defende que, em função das suas características e do contexto em que inserem, devem ter poder para fixar currículos próprios a par de um corpo obrigatório. "É um desafio que poria fim à ordem feudal de obediência face à tutela que permanece e infantiliza" os seus actores, acrescenta.Católica vai dar apoio jurídico às escolasA Universidade Católica (UC) vai prestar assistência jurídica, organizacional e pedagógica às escolas do ensino básico e secundário que recorrerem ao seu novo Consultório de Apoio, que será apresentado amanhã, no Porto, durante um seminário sobre administração e organização escolar, para o qual se inscreveram cerca de 400 professores.Este novo serviço será assegurado pelas faculdades de Direito e de Educação e Psicologia da UC. Através do seu Serviço de Apoio à Melhoria das Escolas, a UC tem acompanhado e dado apoio a cerca de 80. Na semana passada, lançou um programa de apoio ao 1.º ciclo com vista a reforçar a formação dos docentes deste nível ensino. Também estabeleceu protocolos com 10 escolas profissionais (espera subscrever mais 50) no âmbito de outro projecto, lançado em Novembro passado, que aposta na "valorização do ensino profissional". O ensino profissional tem crescido muito, mas continua a "ser encarado como uma opção de segunda categoria destinada aos deserdados do sistema educativo", constata o coordenador deste serviço, Matias Alves."

sábado, 31 de dezembro de 2011

Um 2012 cheio de mudanças na Educação...

Chega 2012 e a esperança de que as mudanças iniciadas em 2011 na Educação sejam para continuar numa perspetiva de defesa do rigor e da exigência no meio escolar, tanto para professores, como para alunos e encarregados de educação.

A pasta da Educação está, quanto a mim, bem entregue a Nuno Crato que, a pouco e pouco, tem vindo a imprimir neste setor um dinamismo reformista que visa colocar na gaveta o eduquês que imperou nas escolas nos últimos anos.

Votos de um 2012 cheio de concretizações positivas...

sábado, 17 de dezembro de 2011

A proposta de revisão curricular

Nuno Crato cumpriu mais uma das suas promessas. A proposta de revisão curricular apresentada pressupõe a defesa da promoção de disciplinas essenciais para a formação de indivíduos plenos de forma a que estes saibam ler e interpretar o mundo em que se inserem.

A Geografia foi uma das disciplinas que nesta revisão curricular aumentou a sua carga lectiva, o que contraria, por completo, os boatos que nos últimos meses tomaram conta da comunidade educativa.

Nuno Crato apenas foi de encontro ao que defendam e escreveu nos seus livros: a defesa de menos disciplinas, mas com mais horas para cada uma delas, evitando a dispersão curricular.

Fica aqui o registo das principais medidas anunciadas na proposta:

- continuidade do apoio ao estudo no 1.º ciclo, a par de outras actividades de enriquecimento curricular;

- garantia de uma aprendizagem mais consolidada da língua inglesa, mantendo-a como disciplina obrigatória ao longo de um mínimo de 5 anos;

- substituição da disciplina de Educação Visual e Tecnológica pelas disciplinas de Educação Visual e de Educação Tecnológica, no 2.º ciclo, cada uma com programa próprio e cada uma com um só professor;

- prestação de maior apoio ao aluno, através da oferta de apoio diário ao estudo no 2.º ciclo;

- antecipação da aprendizagem das tecnologias de informação e comunicação, garantindo aos alunos mais jovens uma utilização segura e adequada dos recursos digitais e proporcionando condições para um acesso universal à informação e comunicação;

- aposta no conhecimento estruturante, mantendo o reforço da Língua Portuguesa e da Matemática;

- eliminação do desdobramento em Ciências da Natureza, no 2.º ciclo, tendo em conta que a actividade experimental a este nível pode ser efectuada com toda a turma;

- aposta no conhecimento científico através do reforço de horas de ensino nas ciências experimentais no 3.º ciclo do Ensino Básico colmatando, neste nível de ensino, uma clara insuficiência de carga horária;

- alteração do modelo de desdobramento de aulas nas ciências experimentais do 3.º ciclo, através de uma alternância entre as disciplinas de Ciências Naturais e de Físico-Química;

- valorização do conhecimento social e humano, área essencial do currículo no 3.º ciclo, reforçando as horas de ensino nas disciplinas de história e de geografia;

- eliminação da disciplina de Formação Cívica nos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e no 10.º ano, mantendo a relevância dos seus conteúdos de modo transversal;

- manutenção do reforço da carga horária nas disciplinas bienais da formação específica, no Ensino Secundário, de Física e Química e Biologia e Geologia;

- actualização do leque de opções da formação específica, no Ensino Secundário, tendo em conta o prosseguimento de estudos e as necessidades do mercado de trabalho, criando disciplinas como, por exemplo, Programação informática;

- focalização da atenção do aluno no conhecimento fundamental, proporcionando uma melhor gestão do tempo de estudo, com a coordenação das disciplinas no 3.ciclo e a redução do número de disciplinas de opção anual no final do Ensino Secundário;

- liberdade para a escola na decisão da distribuição da carga horária ao longo dos ciclos e anos de escolaridade;

- maior rigor na avaliação, através, nomeadamente, da introdução de provas finais no 6.º ano e do estabelecimento de um regime de precedências entre o Ensino Básico e o Ensino Secundário.

Os contributos referentes a esta consulta pública poderão ser enviados, até dia 31 de Janeiro, para revisao.estrutura.curricular@mec.gov.pt

domingo, 20 de novembro de 2011

Revisão das tabelas salariais

O Governo prepara-se para estudar a revisão das tabelas salariais da Função Pública. Já por várias vezes aqui escrevi que, no sector específico da Educação, considero de uma injustiça atroz a actual tabela salarial dos professores do ensino público.

Por um lado, trata como iguais os educadores de infância e os professores do ensino não universitário (os que leccionam deste o 1º ano ao 12º ano). Por outro lado, a carreira docente passa a ser outra a partir do momento em que se deixa de leccionar a alunos do 12º ano e se passa a leccionar a alunos do 1º ano do ensino superior.

Mas, pior ainda, a actual tabela salarial apresenta uma discrepância enorme nos escalões entre aqueles que estão já dentro da carreira docente há mais de 25 anos e os que estão há poucos anos como efectivos (apesar de estarem a leccionar como contratados há 10 ou mais anos).

Apenas um exemplo concreto: este é o meu 14º ano a dar aulas (tenho sete turmas a meu cargo, o que perfaz mais de 100 alunos e sou ainda DT) e encontro-me no 2º escalão, ou seja, no índice 188, mas um colega meu que leccione há pouco mais de 30 anos e, portanto, com menos turmas do que eu (dado a redução de componente lectiva por antiguidade) pode estar no 9º escalão, ou seja, no índice 340.

Isto quer dizer que a actual tabela salarial permite que um colega meu a leccionar a mesma disciplina que eu aos mesmos anos de escolaridade, mas com menos turmas e, portanto, menos alunos (menos aulas para praparar, menos testes para elaborar e para corrigir, etc.) possa ter um salário ilíquido de mais de 1300 Euros do que eu por uma mera razão que se chama antiguidade profissional. Ainda por cima, todos sabemos que é no início de carreira que as despesas aumentam (estar longe de casa a leccionar, pagar o empréstimo da casa e do carro, ter as despesas com os filhos, etc.), enquanto que com mais de 30 anos de carreira, a casa e o carro estão pagos, os filhos já estão, muitas vezes, fora de casa dos pais e as despesas em transportes são muito menores, visto que se está perto de casa a trabalhar.

E já nem falo da situação actual de professores que se reformam com menos de 60 anos a receber mais de 2000 Euros por mês...

Conclusão: não se justificam diferenças tão grandes nos vencimentos para tarefas iguais à custa da antiguidade.

Por isso, espero bem que a revisão das tabelas salariais acabe com esta injustiça, diminuindo os salários daqueles que já recebem muito e elevando os vencimentos dos que começaram há pouco tempo a leccionar.

Diminuam-se os escalões, aproximem-se os vencimentos entre professores em início e fim de carreira e divida-se a carreira docente entre os professores do ensino pré-primário e primário e os professores do ensino básico e secundário.

Para que não haja dúvidas em relação a este assunto, deixo a tabela salarial dos professores do ensino público em Portugal para verem as desigualdades enormes de vencimento existentes apenas em função da antiguidade ou falta dela...

domingo, 16 de outubro de 2011

Benditos rankings

Aí estão novamente os rankings das escolas efectuados com base nos resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais. Claro que uma análise séria deve ser feita de forma muito ponderada e contextualizada à realidade sócio-económica de cada comunidade escolar. Recomendo a análise feita pelo jornal Público. Pena é que muitas escolas não tomem maior atenção aos rankings...
Quanto aos resultados, disciplina a disciplina, podem ser consultados no jornal I.
De resto, apenas me posso congratular, uma vez mais, pelos excelentes resultados que os meus alunos do 11º ano obtiveram no exame nacional de Geografia. Em 609 escolas secundárias, conseguimos um orgulhoso 62º lugar, com uma média de 12,6 valores, quase 2 valores acima da média nacional. Se contarmos apenas com as escolas públicas, alcançámos um relevante 33º lugar. A nível distrital ficámos em 2º lugar. Para uma escola do Interior é excelente...
Só tenho pena que o ME não divulgue os resultados de forma mais facilitada e tenhamos que esperar pelos trabalhos realizados pela comunicação social. Benditos rankings...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Início de mais um ano lectivo

Depois de umas reconfortantes férias de Verão é chegada a hora de iniciar mais um ano lectivo. Este ano vou ter a meu cargo sete turmas: seis do 8º ano (uma delas como DT) e uma de um curso profissional. Com tanto trabalho pela frente, desde as reuniões, planificações e planos de actividades até à preparação de aulas e muito mais, o tempo para escrever escasseia a olhos vistos.
Pela primeira vez nos últimos anos o ano lectivo em Portugal começa em clima de harmonia. O Ministro Nuno Crato conseguiu "arrumar para canto" o assunto da avaliação docente, com a assinatura do acordo com a FNE e o quase silenciamento da FENPROF. O encerramento de escolas do 1º ciclo foi bem aceite e a redução do número de colocações de professores foi compreendida pelo país, tendo em conta os tempos de crise que vivemos. A ver vamos como correm as coisas ao nível dos aumentos do preço da luz e do gás: espera-se muita poupança nas escolas...
Votos de um excelente ano lectivo para todos...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sensação de dever cumprido

Pelo segundo ano consecutivo "levei" ao exame de Geografia A uma turma do 11º ano do curso de Línguas e Humanidades e, mais uma vez, a sensação, depois de revelados os resultados da 1ª fase, é a de dever cumprido.
A média nacional manteve-se nos 11 valores e os "meus" vinte e um alunos alcançaram uma média de 12,8 valores, quase dois valores acima da média nacional. Claro que há quem considere este tipo de análise demasiado simplista e seja totalmente contra a realização de rankings de escolas apenas com base nos resultados dos exames. Eu tenho uma opinião de "nem 8, nem 80", ou seja, os rankings são insuficientes, mas não são de descartar...
Neste tipo de análise há um conjunto de variáveis que interessariam analisar, mas há que não ignorar o esforço de alunos e professores quando a média de uma escola de um meio rural distante do litoral no exame de uma determinada disciplina está bem acima da média nacional e pelo segundo ano consecutivo.
Sou da opinião de que se deveria dar mais atenção aos rankings e aos resultados dos exames nas escolas. Muitas vezes, analisa-se o secundário, ignorando o que verdadeiramente interesse: os resultados.
Quanto a mim, mais uma vez tenho o sentimento de dever cumprido: a disciplina de Geografia na minha escola volta a não defraudar em termos nacionais.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O novo Ministro da Educação

Nuno Crato foi o homem escolhido para tomar conta dos destinos do Ministério da Educação durante os próximos quatro anos.
A expectativa na classe docente está bastante elevada. Todos sabemos porquê. Nuno Crato é conhecido por ter escrito (e dito) muito sobre a necessidade de elevar os níveis de exigência e rigor na escola pública portuguesa. Nuno Crato é contra o eduquês e o facilitismo. Defende que os pais devem também ser responsabilizados pela educação dos seus filhos. Apoia o reforço da autoridade dos professores. É conhecido por apelar ao reforço dos exames nacionais. Enfim, as ideias-chave para Nuno Crato são o reforço da responsabilidade dos vários agentes educativos (professores, pais, alunos e directores) e premiar o esforço.
Quem quiser saber mais sobre o pensamento do novo Ministro da Educação deve ler o livro que escreveu "O eduquês em discurso directo".
Curiosamente, Nuno Crato escolheu para Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário uma pessoa que vem da área do Eduquês: uma professora de Psicologia da Universidade de Évora, de seu nome Isabel Maria Santos Silva. Não percebi a escolha, visto que sempre julguei que iria escolher alguém que, efectivamente, conhecesse o terreno, alguém que soubesse o que é dar aulas no ensino não superior...
A ver vamos no que isto vai dar. Nuno Crato não vai ter estado de graça. Há que começar a colocar em prática aquilo que sempre defendeu. A este propósito, deixo aqui um vídeo com o próprio Ministro a dar a conhecer as suas ideias sobre o que é preciso fazer em Portugal na área da educação. Durante 15 minutos, Nuno Crato, apresenta seis ideias-chave:
- maior seriedade, rigor e exigência nos exames nacionais (mais exames e maior valorização na avaliação dos alunos);
- mais atenção a dar aos conteúdos programáticos e não aos processos, ou seja, valorizar mais o conhecimento científico;
- avaliar os professores com base nos resultados dos seus alunos e não em evidências facilmente deturpadas da realidade;
- valorizar o papel dos professores;
- alterar a formação inicial dos professores, exigindo rigor no conhecimento científico e não valorizando tanto as ciências da educação;
- conceder maior autonomia às escolas.
Daqui a uns tempos há que ver até que ponto da teoria se passou à prática. Acredito que o novo Ministro vai cumprir com a sua palavra...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Para reflectir antes das eleições...

Deixo aqui, via um blogue amigo, a informação necessária sobre o que os vários partidos defendem nos seus programas eleitorais para o sector da Educação.
Cliquem aqui para melhor decidirem.
Eu já decidi. Votar na mudança é uma questão de dever cívico. Passos Coelho conta com o meu voto!!!