terça-feira, 13 de maio de 2008

O problema é o professor ser exigente!!!

Aqui vai mais uma para a colecção dos inúmeros disparates que tenho de ler quando corrijo testes. Muitos destes alunos que demonstram uma profunda ignorância ao nível do cálculo matemático defendem-se afirmando que a culpa é minha, por não deixar utilizar a calculadora nas aulas de Geografia. Reparem bem: o cálculo exigido é uma simples divisão de 36 por 60. Ensinei nas minhas aulas de Geografia a forma correcta de realizar divisões. Muitos alunos agradeceram e disseram-me que o uso da calculadora na disciplina de Matemática faz com que não pensem. Aqui têm a prova disso. Este aluno percebeu a forma de calcular a taxa de crescimento efectivo e fez as operações correctas até chegar à conta final. Aí foi o descalabro. Porquê? Simplesmente porque o professor é exigente e o obrigou a raciocinar.
A lógica do facilitismo parece que veio definitivamente para ficar. Esta Ministra tem incentivado à assumpção desta postura por parte de muitos professores. Muitos alunos já não raciocinam. O caos da Matemática é bem elucidativo. Com a banalização do uso da calculadora, muitos miúdos já nem sequer sabem fazer uma simples operação de multiplicação ou divisão de cabeça. O telemóvel trata do assunto. A culpa? É do sistema que temos...

5 comentários:

Fernando Vasconcelos disse...

Já me aconteceu pior (porque em alunos universitários e porque ainda mais simples 5:2 = 1 resto = 3 ... É certo que a conta tinha de dar um ...
De qualquer forma o exemplo que coloca não só demonstra que o aluno não sabe fazer a conta como também não faz a minima ideia do que é uma percentagem ... sendo o numerador mais pequeno que o denominador como é que o aluno não se apercebeu que a conta estava errada ? É mais grave porque enquanto que a mecânica da operação se ensina (é uma questão de esforço) o sentido crítico face ao resultado é um problema de atitude ... mais difícil de resolver, acho eu.

IC disse...

Confesso que, quando ensinava, deixei de me afligir por os alunos não saberem fazer uma divisão, e todos usavam calculadora excepto uma vez ou outra, incluindo testes, em que não deixava. Mas a questão grave, quanto a mim, não é não saberem o algoritmo da divisão; é não observarem os resultados a que chegam não reparando que não são plausíveis.
Se souberem fazer as contas sem calculadora, também as farão mecanicamente, sem pensarem. Por isso, volto a insistir que o problema tem mais a ver com o hábito de pensar, com a compreensão das noções ensinadas (neste caso, a de percentagem), com, inclusivamente, o fomento do hábito de analisar e testar resultados.
Num exame, provavelmente o erro desse aluno no final do cálculo teria um pontinho de desconto e o aluno até poderia ter uma grande nota apesar de nem ter a noção de percentagem, nem a de divisão. Como é dito no comentário anterior, é um problema de sentido crítico e de atitude, de facto difícil de resolver.

Professorinha disse...

Olha que também já me surgiram situações dessas... eu nem conto.. até tenho vergonha... Sim, porque eles não têm vergonha nenhuma!

Nan disse...

Desde que uma boa aluna de 7º ano propôs fazer uma regra de três para multiplica 16 por 10, eu já estou por tudo...!

visiense disse...

Sou professor de Matemática, e nos meus alunos do 5º ano não deixo usar a calculadora, e nos do 6º, conto pelos dedos de uma mão as vezes que deixei, em situações muito específicas. Também eu perco horas a ensinar algoritmos que já deveriam vir assimilados do 1º ciclo. Este problema é uma bola de neve, pois um aluno ao chegar-me ao 5º ano sem os pré-requisitos necessários, eu tenho duas opções: ou "perco" tempo a ensinar os alunos esses mesmos pré-requisitos, e acabo por não conseguir dar todo o programa, ou simplesmente avanço. Até há uns tempos nem pensava duas vezes. Perdia o tempo necessário para consolidar as bases, essenciais para a sua evolução. No entanto, a pressão sobre os professores começa a ser tanta, que muito dificilmente poderei continuar a fazer o mesmo. E obviamente que o aluno, nestas condições, não consegue chegar ao final do 2º ciclo com todas as competências básicas necessárias para o 7º (ou para a vida...). Isto sem falar do facto da falta de hábitos de estudo e método de trabalho...