Quinta-feira, Novembro 26, 2009
Sem tempo para escrever...
Há cerca de um mês que não venho aqui escrever. Porquê? Muito simples: trabalho, trabalho, trabalho... Em quê? Muito simples: preparação de aulas, elaboração de testes, correcção de testes, correcção de trabalhos, manutenção do blogue da disciplina, encontros com encarregados de educação, registos de faltas dos alunos, substituição de aulas de uma colega que está de baixa e papelada, papelada e mais papelada relacionada não só com a Direcção de Turma, mas com tudo o que diga respeito ao departamento e grupo disciplinar.Há cerca de um mês que as minhas 35 horas de trabalho semanais que a lei prevê são acrescentadas de, pelo menos, 15 ou 20 horas. E tenho a certeza que muitas dessas horas não são de trabalho com as oito turmas que tenho a meu cargo. Há muito trabalho ligado à Direcção de Turma e a muitas outras tarefas que não apenas ligadas à docência, mas a projectos (a Educação Sexual, o Parlamento dos Jovens, o moodle, a blogosfera, as visitas de estudo, as acções formação e muito mais).
Que venha depressa a pausa lectiva do Natal para compensar aqueles que mais têm sido prejudicados por esta situação de excesso de trabalho: a minha família, sobretudo os filhotes. Só quem é professor pode compreender...
Até ao Natal.
Segunda-feira, Outubro 26, 2009
O que esperar da nova Ministra da Educação?
Com a saída de Maria de Lurdes Rodrigues do cargo de Ministra da Educação há quem pense que se abra uma nova porta na forma como a Educação tem sido encarada pela tutela. Certamente que o estilo de governação irá mudar, mas não me acredito que haja mudanças no rumo até aqui traçado: facilitismo, burocracia e irrealismo continuarão a ser, na minha opinião, as traves mestras deste Governo.Há quem pense que o facto da nova Ministra Isabel Alçada já ter passado pelo ensino básico (embora há mais de 15 anos) lhe dará uma nova aura no sentido de estar familiarizada com os problemas com que a Educação se enfrenta em Portugal. Não me acredito...
Nos últimos tempos (lembremo-nos dos tempos de antena do PS) Isabel Alçada teve elogios para com a anterior Ministra que a colocam no mesmo estado de desenvolvimento político: completamente desfasada da realidade escolar.
O mal já está todo feito: indisciplina, burocratização, facilitismo e falta de democratização tomaram conta das escolas públicas portuguesas. Os professores continuam a ser "pau para toda a colher" e a escola deixou de ser um local de estudo para passar um local de "depósito de alunos". Isabel Alçada apenas irá "fazer render o peixe"... Poderá mexer nalguma pequena coisa, mas no essencial tudo ficará na mesma: o facilitismo irá continuar, a falta de disciplina e de interesse dos pais não terá consequências, a profissão docente não será valorizada...
Não acredito em milagres. Poderá haver reformas na organização curricular e no sistema de avaliação docente, mas de resto tudo ficará na mesma: facilitismo e burocratização continuarão a fazer parte do dia-a-dia das escolas públicas portuguesas. Infelizmente...
Quinta-feira, Outubro 22, 2009
Pais afastam-se da escola
Na última sexta-feira realizou-se na escola que a minha filha frequenta uma reunião de pais e encarregados de educação. A escola tem cerca de trezentos alunos, mas apenas compareceram catorze pais. Ou seja, a taxa de adesão dos pais não chegou aos 5%. Outra curiosidade: muitos dos pais que apareceram eram professores!!! Claro que muito se comentou sobre o desinteresse manifestado pela maioria dos encarregados de educação que, de facto, de encarregados têm muito pouco...
Assim vamos de interesse dos pais pela educação dos filhos. Outro facto: este ano sou director de turma e, com mais de um mês de aulas, em dezanove alunos que tenho na minha turma ainda só conheci oito pais (menos de metade). Ainda por cima, já tentei convocar alguns encarregados de educação e de alguns deles não há sequer rasto.
Cada vez mais me convenço que só à força lá poderemos chegar: enquanto os pais não forem, efectivamente, responsabilizados pelos actos dos filhos e não for penalizado o desinteresse manifestado pelos ditos encarregados de educação, muitos destes jovens andarão à "roda livre". Com consequências nefastas no seu sucesso educativo...
Sábado, Outubro 10, 2009
A presidente do CNE sabe do que fala???
Há uns dias atrás li no Público que a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) defende uma nova forma de organização da escola pública, que em vez de chumbar os alunos com dificuldades se preocupe mais com uma aprendizagem de qualidade. Referiu-se muito à escola e aos professores, mas em relação aos pais e famílias nem uma palavra.
Melhor ainda. Afirmou que o actual sistema de percursos educativos não serve nem o desenvolvimento do país nem os alunos. Depois de o Governo PS ter apostado nos CEF`s, nos cursos profissionais e nas Novas Oportunidades, pior crítica não poderia existir.
Por fim, deu a entender que devemos "copiar" o Canadá e a Austrália, como se por lá existisse a miséria que por cá abunda em termos de pobreza. Convém não esquecermos que a maioria dos alunos problemáticos, indisciplinados e sem sucesso escolar são os que provêm de famílias onde os rendimentos económicos estão muito abaixo do razoável.
Ora, só com a erradicação da pobreza se poderá acabar com o insucesso escolar. Veja-se os alunos que estão nos CEF`s. A maioria deles são oriundos de famílias onde impera a pobreza e a ignorância.
Neste particular, aproximo-me bastante do discurso do CDS-PP: acabe-se com a subsidiodependência, que apenas tenta esconder os problemas e nada resolve, aumente-se a produtividade e o rendimento das famílias e aposte-se na disciplina, rigor e exigência na escola. Pode ser que assim aumente o sucesso escolar à custa de uma verdadeira aprendizagem dos alunos.
Terça-feira, Setembro 29, 2009
Para que vai servir o Ministério da Educação?
O PS ganhou com maioria relativa. Ou seja, o poder absoluto do PS, com a lógica prepotente do "quero, posso e mando" terminou, pelo que o mais provável é que durante esta legislatura tudo fique na mesma. O novo Ministro da Educação não vai mudar uma "palha" naquilo que a sua antecedente fez, seja nas alterações efectivadas no Estatuto da Carreira Docente, no Estatuto do Aluno, na Gestão das escolas ou tão simplesmente no aumento do facilitismo protagonizado pelas Novas Oportunidades, EFA`s, CEF`s e cursos profissionais. Sem concursos de professores nos próximos anos e com a continuação da mesma lógica de exames nacionais pouco rigorosos, fica a questão: para que serve o cargo de Ministro da Educação??? Para muito pouco ou quase nada.
Assim, sou da opinião que esta pasta ministerial deveria ficar de sabática? Se é para ficar tudo na mesma, não faz cá falta nenhum Ministro da Educação...
Quarta-feira, Setembro 23, 2009
A herança de MLR
Maria de Lurdes Rodrigues está prestes a abandonar o cargo que a tornou na maior "inimiga" de uma classe profissional com mais de 100 mil trabalhadores. O que deixou ela, para além de uma enorme desilusão e angústia nos professores. Sejamos rigorosos:
De positivo, acabou com as escolas do 1º ciclo das aldeias, introduziu o Inglês no 1º ciclo e massificou o uso do computador pelos professores e alunos.
De negativo, destruiu a democraticidade da escola pública, impondo um novo regime de gestão e dividindo uma classe profissional entre titulares e não titulares. Fez de conta que melhorou as aulas de substituição dos alunos. Massificou, ainda mais, o facilitismo com um Estatuto do Aluno vergonhoso e alinhando por exames nacionais pouco sérios e rigorosos. Fez vista grossa ao problema da indisciplina e ignorou os programas curriculares das disciplinas, preferindo por manter tudo na mesma. Ou seja, onde deveria ter mexido, nada fez e onde deveria estar quieta, destruiu e estragou.
Sexta-feira, Setembro 11, 2009
Um ano que se espera difícil...
Escola nova, vida nova!!! Esta parece ser a melhor forma de encarar a entrada numa nova escola, depois de quatro anos a leccionar no mesmo estabelecimento escolar. Novos colegas, novos alunos, novas rotinas, novos procedimentos... Claro que, nestes primeiros dias de trabalho burocrático (reuniões de departamento e de grupo, conselhos de turma, planificações, etc.) a única grande diferença que encontro para com os anos anteriores é o facto de ser Director de Turma, visto que já há cinco anos que não tinha este cargo.
Agora, o que me tem deixado mais "assustado" é o facto de ir ter muitos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE): em seis das oito turmas às quais lecciono Geografia, vou ter, pelo menos um aluno com NEE, quase todos casos bastante graves. A isto há que acrescentar o facto desta ser uma escola com um considerável número de alunos da Europa de Leste: só na minha Direcção de Turma vou ter dois alunos da Moldávia e uma do Uzbequistão. Enfim, os desafios que me esperam não serão pequenos, pelo que espero um ano de muito trabalho.
A todos os que agora iniciam um novo ano lectivo, votos de bom trabalho.
Terça-feira, Setembro 01, 2009
Início de mais um ano lectivo
1 de Setembro: dia de apresentação na nova escola e início de muito trabalho burocrático até ao arranque das actividades lectivas. Depois de um Agosto completamente dedicado à família é tempo de retomar a vida de professor e, inevitavelmente, abdicar de parte do tempo destinado à esposa e filhos. Infelizmente, a vida é mesmo assim: cada vez se "perde" mais tempo com o trabalho, em detrimento daquele que é passado com a família. E, com este Governo a vida de professor complicou-se, com menos tempo dedicado aos alunos e mais à papelada burocrática.
Felizmente que me aproximei de casa. Se nos últimos quatro anos estive a leccionar a 70 Kms de casa, sei que nos próximos quatro estarei bem mais perto: de Viseu a Oliveira de Frades (vila onde fiquei colocado por destacamento) é quase um "tirinho". Pelo contrário, a minha mulher ficou bem pior: de 5 minutos passa a estar a 40 minutos de casa. É esta a vida de muitos professores: alunos, encarregados de educação, colegas e viagens de carro!!! Tudo com prejuízos claros para os filhos.
Desejo a todos os que tiveram colocação um bom ano lectivo, na esperança de que daqui a um mês tenhamos alguém à frente do Ministério da Educação dotado de duas qualidades que faltaram nos últimos quatro ano e meio à tutela: diálogo e bom-senso!!!
Terça-feira, Julho 14, 2009
Colocados e à espera dos destacamentos...
Final de mais um ano lectivo. Depois das reuniões de avaliação, das reuniões de departamento, das vigilâncias e correcção de exames e da avaliação do desempenho docente, começa-se a pensar no novo ano lectivo.
As colocações foram conhecidas há alguns dias atrás. Toda a gente ligada à educação diz que este concurso foi uma vergonha, com poucas vagas a concurso, muitos lugares guardados e pouco mais de 400 contratados a passarem a efectivos. Muita gente pergunta-se quais as razões que levaram a que poucas vagas tivessem sido postas a concurso. Agora, milhares de professores vão ficar a desesperar pela 2ª fase das colocações, quer seja para esperar pelas colocações dos QZP`s sem escola ou para simples contratação. Enfim, para muitos docentes as férias vão ser stressantes...
As colocações foram conhecidas há alguns dias atrás. Toda a gente ligada à educação diz que este concurso foi uma vergonha, com poucas vagas a concurso, muitos lugares guardados e pouco mais de 400 contratados a passarem a efectivos. Muita gente pergunta-se quais as razões que levaram a que poucas vagas tivessem sido postas a concurso. Agora, milhares de professores vão ficar a desesperar pela 2ª fase das colocações, quer seja para esperar pelas colocações dos QZP`s sem escola ou para simples contratação. Enfim, para muitos docentes as férias vão ser stressantes...
Cá por casa, as coisas nem foram muito más. Eu e a minha mulher que estávamos afectos a um QZP passámos à condição de "professores do quadro de escola", ou seja, deixámos de estar presos a uma zona e agora podemos dizer que já sabemos a escola onde temos lugar efectivo. No entanto, ainda não foi desta que ficámos perto de casa. Moramos em Viseu, mas ambos ficámos a cerca de uma hora de casa: eu em Cinfães e a minha mulher em Águeda. Cada um para seu lado.
Agora, há que esperar pelos destacamentos de aproximação à residência familiar. Lá vamos ter que esperar pelos finais de Agosto para sabermos se, pelo menos um de nós, consegue ficar mais perto de Viseu, até porque convém que um de nós fique perto dos nossos filhos. Caso contrário, lá teremos que andar quatro anos a percorrer centenas de quilómetros por semana e a engordar os lucros das gasolineiras.
Agora, é tempo de descansar e recarregar baterias para um novo ano lectivo que se espera complicado (ainda por cima a gripe A não vai ser nada amiga das escolas; esperemos que o ME assuma que os professores constituem um grupo de risco). Umas boas férias para todas (caso seja esse o caso) e boa sorte para as novas colocações para aqueles que continuam sem escola. Até breve...
Terça-feira, Junho 23, 2009
Exames vergonhosos!!!
Passou-se um ano e o mesmo voltou a repetir-se! Há uma ano atrás escrevi aqui um artigo sobre o facilitismo que tinha tomado conta dos exames nacionais. Agora surge a confirmação das intenções desta equipa ministerial: enveredar pela caminho do facilitismo, permitindo que os alunos concluam o mais depressa possível o ensino secundário, sem grande esforço. Aliás, a haver esforço, este será maior nas avaliações internas e não tanto nas externas.
Em relação à disciplina que lecciono, Geografia, posso confirmar que os testes que dou aos meus alunos no 8º e 9º anos têm questões com um grau de complexidade superior em relação às que aparecem no exame de Geografia do secundário. Eu peço aos meus alunos que expliquem e caracterizem fenómenos geográficos. O Ministério prefere dar quatro opções de resposta, esperando que os alunos acertem na opção mais óbvia. Num exame em que metade da cotação total é avaliada em questões de resposta múltipla, como defende o ME, não se fica a saber a verdade sobre os conhecimentos adquiridos pelos alunos ao longo do ano lectivo.
Deixo-vos com o excelente artigo do Director do Público. A ler aqui...
