Quinta-feira, Maio 31, 2012

Assim se vê a importância da Geografia

Muito se fala do mau estado da Educação em Portugal. Muito se fala sobre a desgraça do nosso ensino, elogiando-se os sistemas de educação da Finlândia, da Alemanha, da Noruega, entre outros.
Pois bem, se a Sr.ª Merkel não sabe localizar a Alemanha num mapa, das duas, uma: ou o sistema de educação na Alemanha é exigente e a Sr.ª Merkel é que é uma desgraça com os mapas ou então na Alemanha não são tão exigentes com os alunos como se julga...
Por cá, continuo a achar que, regra geral, até somos bastante exigentes com os nossos alunos. Pelo menos, todos os alunos saem do 3º ciclo a saberem localizar Portugal num mapa-mundo. Pelo menos os meus alunos...


Quinta-feira, Maio 24, 2012

Vale a pena ouvir...

Maria do Carmo Vieira e Paulo Guinote são duas das pessoas que têm vindo, amiúde, dar a conhecer a real situação da Educação em Portugal.
Muito mais do que os sindicatos de professores (Mário Nogueira não sabe o que é, hoje em dia, leccionar e, portanto, está desfasado da realidade), têm sido os professores Maria do Carmo Vieira e Paulo Guinote a revelarem a realidade do que se vive nas escolas públicas portuguesas quando são convidados a programas de televisão como o "Olhos nos olhos" da TVI ou o "Opinião Pública" da SIC.
Deixo aqui um excerto da prestação da professora Maria do Carmo Vieira com Medina Carreira na passada 2ª feira, bem como a intervenção do Paulo Guinote no "Opinião Pública" sobre a revisão curricular.

Quarta-feira, Abril 25, 2012

Deixem falar quem sabe do assunto

Vale a pena ouvir com atenção até ao fim...

Sábado, Abril 14, 2012

Relatório da OCDE critica o ensino em Portugal

Segundo notícia do Público para a OCDE não é claro que os alunos estejam no centro do ensino. Este continua a ser feito com o professor à frente da sala de aula e o aluno pouco envolvido no planeamento e organização das aulas; e a sua avaliação continua a ser sumativa. Para a OCDE é "óbvio" que o aluno não está no centro da aprendizagem porque existem elevados níveis de repetência, acima da média da OCDE. No relatório lê-se que é preciso que os professores abandonem abordagens mais "tradicionais" e motivem os alunos para a aprendizagem. Ao mesmo tempo que é importante que os pais e a comunidade sejam mais envolvidos. Os professores devem compreender que ensinar é uma responsabilidade partilhada. Uma das prioridades é a necessidade de colocar maior ênfase na função de melhoria das práticas avaliativas, por exemplo reduzindo a excessiva atenção dada à avaliação sumativa dos alunos (as "notas"). O coordenador do relatório defende que é necessário assegurar uma maior participação dos alunos na sua própria aprendizagem, com um forte investimento na avaliação contínua formativa, apoio individualizado, oportunidades para auto-avaliação e envolvimento no conteúdo da sua aprendizagem. "Uma prioridade deverá ser a redução do 'chumbo' como prática pedagógica porque não se centra no objectivo de melhorar a aprendizagem do aluno e pode ter efeitos muito negativos para o aluno (auto-estima, estigmatização, maior probabilidade de abandono do sistema de ensino, etc.)", sugere.

Como professor deixo apenas algumas dicas que ajudam a compreender o estado do ensino em Portugal, com destaque para a situações vivida no 3º ciclo do ensino básico (7º,8º e 9º anos):

- o elevado número de disciplinas (cerca de uma dezena);

- a situação de em algumas turmas, os alunos terem no total cerca de 15 professores, entre os que leccionam as disciplinas e os que dão apoio;

- a situação os alunos terem algumas disciplinas apenas uma vez por semana;

- a existência de turmas muito heterogéneas com quase 30 alunos;

- a falta de interesse de muitos pais pela situação escolar dos seus filhos.

Quarta-feira, Março 28, 2012

Por um ensino da Geografia autónomo

Quase 5000 professores de Geografia e de História defendem que a formação inicial dos dois grupos disciplinares torne a ser individualizada, contrariando o que foi institucionalizado durante o Governo de José Sócrates.

Segue-se o debate ocorrido na Assembleia da República sobre a Petição 70/12 "Por uma formação inicial autónoma dos professores de Geografia e História".


video

Quarta-feira, Março 14, 2012

Um "monstro" chamado Parque Escolar

Transcrevo parte da notícia vinda no semanário Sol de 11 de Março sobre as obras de requalificação que a Parque Escolar tem vindo a realizar um pouco por todo o país. Um projeto que teria sido uma boa ideia e de grande utilidade no futuro se não se tivesse caído nos erros do desperdício e da megalomania.
A notícia diz o seguinte:

"As escolas construídas pela Parque Escolar (PE) são significativamente maiores do que equipamentos idênticos no Reino Unido, Irlanda, Bélgica ou Suíça. A Inspecção-Geral de Finanças comparou a área total modernizada pela empresa com obras idênticas realizadas naqueles países e concluiu que cada aluno ocupa, em média, cerca de 9 m2, enquanto os jovens portugueses têm um espaço de 12 m2 para cada um.
A própria OCDE – que estudou 108 obras levadas a cabo pela empresa pública e elogiou o seu contributo para o aumento da qualidade de ensino – refere que a metodologia seguida em Portugal levou à edificação de «espaços generosos, mas, dada a limitação de recursos, é possível que isso prejudique outros objectivos: as escolas desnecessariamente grandes irão impor custos adicionais de energia, limpeza e manutenção» .
A eficiência energética das obras realizadas pela Parque Escolar é também alvo de críticas da IGF. Não só o esforço energético representa o triplo do que existia nas antigas escolas – com os consequentes aumentos nas contas da luz –, como as novas legislações energética e de climatização obrigaram a mudanças que encareceram as obras em 850 milhões de euros.
A derrapagem financeira das obras levou a empresa a aumentar consideravelmente as dívidas à banca. Até 2012, a IGF prevê que a dívida a longo prazo da Parque Escolar suba para os 1,6 mil milhões de euros, ficando o restante financiamento garantido por fundos comunitários e pelo Orçamento do Estado. Em 2011, a empresa teve de se financiar na banca para obedecer a uma ordem dos então ministros Teixeira dos Santos e Isabel Alçada, para comprar por 73,7 milhões de euros sete prédios à Estamo.

Aqui fica o registo de algumas das conclusões dadas a conhecer pela Inspecção das Finanças relativas às contas da Parque Escolar.
Na escola onde sou professor as obras darão origem a um conjunto de edifícios que mais parecem uma Universidade.

Com menos de metade do dinheiro gasto poderia ter-se requalificado grande parte das escolas (que verdadeiramente precisavam de obras) e que, no final, não dariam tantas despesas de manutenção como irão dar os edifícios megalómanos que estão a ser construídos pela Parque Escolar.

Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

Os riscos de ter uma escolaridade obrigatória até aos 18 anos

O jornal Público trouxe há poucos dias uma interessante reportagem com a opinião de José Matias Alves, especialista em assuntos da educação, sobre os problemas que o alargamento da escolaridade obrigatória trará às escolas.

Quem é professor sabe os problemas que surgem quanto numa turma temos à frente alunos contrariados e que estão na escola sem vontade e interesse. Felizmente que em muitas turmas estes alunos ainda são uma minoria...

Se há uns anos atrás muitos alunos contrariados deixavam a escola aos 15 anos e começavam a trabalhar, com o alargamento da escolaridade obrigatório até aos 18 anos teremos um aumento dos alunos que apenas criam problemas às turmas. A partir do 3º ciclo do ensino básico irão aumentar os problemas de insucesso escolar e de indisciplina.

Aqui fica o registo da reportagem...


"O alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos vai ter, já a partir do próximo ano lectivo, um "impacto brutal" nas escolas, e, em conjunto com o prosseguimento da fusão de agrupamentos, de que resultarão também espaços com muito mais alunos, poderá criar ambientes "explosivos e até mesmo descontrolados. O alerta parte de José Matias Alves, coordenador do Serviço de Apoio à Melhoria das Escolas da Universidade Católica, e que foi professor do ensino secundário durante 35 anos. Contas feitas, Matias Alves, que também foi director-geral do Departamento do Ensino Secundário entre 1994 e 1996, adianta que cerca de 20% dos alunos que optam por não prosseguir estudos no secundário serão agora obrigados a fazê-lo. "Vão ser obrigados por lei a estar onde não querem estar", frisa. O alargamento da escolaridade obrigatória foi aprovado por unanimidade no Parlamento em 2009. Matias Alves lembra que, na maior parte dos países da União Europeia, a escolaridade obrigatória não é tão longa como será em Portugal.Faltam oito meses para a primeira vaga de alunos abrangida por esta medida entrar no 10.º ano. Seja no que respeita à oferta educativa ou ao plano curricular, nada foi ainda alterado para os receber. O actual ministro da Educação, Nuno Crato, indicou em Outubro que tudo "está em aberto" no que respeita à configuração do novo ensino secundário."É importante que exista uma maior flexibilidade. Por exemplo, existir uma obrigação formativa, sem que tal passe por obrigar todos os alunos a estar na escola a tempo inteiro por mais estes anos", defende Matias Alves. Este docente não esconde estar "preocupado com o que vai acontecer", embora considere que ainda "há tempo" para a nova equipa ministerial adoptar medidas que permitam às escolas fazer face aos problemas criados pelas novas vagas de alunos. E, para lhes fazer face, as escolas necessitam de ter uma autonomia de facto, defende."Quem sabe resolver os problemas são as escolas e não as direcções-gerais ou gabinetes ministeriais", acrescenta. Para Matias Alves, a autonomia das escolas, e a consequente prestação de contas, é também a condição de base para melhores aprendizagens. Defende que, em função das suas características e do contexto em que inserem, devem ter poder para fixar currículos próprios a par de um corpo obrigatório. "É um desafio que poria fim à ordem feudal de obediência face à tutela que permanece e infantiliza" os seus actores, acrescenta.Católica vai dar apoio jurídico às escolasA Universidade Católica (UC) vai prestar assistência jurídica, organizacional e pedagógica às escolas do ensino básico e secundário que recorrerem ao seu novo Consultório de Apoio, que será apresentado amanhã, no Porto, durante um seminário sobre administração e organização escolar, para o qual se inscreveram cerca de 400 professores.Este novo serviço será assegurado pelas faculdades de Direito e de Educação e Psicologia da UC. Através do seu Serviço de Apoio à Melhoria das Escolas, a UC tem acompanhado e dado apoio a cerca de 80. Na semana passada, lançou um programa de apoio ao 1.º ciclo com vista a reforçar a formação dos docentes deste nível ensino. Também estabeleceu protocolos com 10 escolas profissionais (espera subscrever mais 50) no âmbito de outro projecto, lançado em Novembro passado, que aposta na "valorização do ensino profissional". O ensino profissional tem crescido muito, mas continua a "ser encarado como uma opção de segunda categoria destinada aos deserdados do sistema educativo", constata o coordenador deste serviço, Matias Alves."

Sábado, Dezembro 31, 2011

Um 2012 cheio de mudanças na Educação...

Chega 2012 e a esperança de que as mudanças iniciadas em 2011 na Educação sejam para continuar numa perspetiva de defesa do rigor e da exigência no meio escolar, tanto para professores, como para alunos e encarregados de educação.

A pasta da Educação está, quanto a mim, bem entregue a Nuno Crato que, a pouco e pouco, tem vindo a imprimir neste setor um dinamismo reformista que visa colocar na gaveta o eduquês que imperou nas escolas nos últimos anos.

Votos de um 2012 cheio de concretizações positivas...

Sábado, Dezembro 17, 2011

A proposta de revisão curricular

Nuno Crato cumpriu mais uma das suas promessas. A proposta de revisão curricular apresentada pressupõe a defesa da promoção de disciplinas essenciais para a formação de indivíduos plenos de forma a que estes saibam ler e interpretar o mundo em que se inserem.

A Geografia foi uma das disciplinas que nesta revisão curricular aumentou a sua carga lectiva, o que contraria, por completo, os boatos que nos últimos meses tomaram conta da comunidade educativa.

Nuno Crato apenas foi de encontro ao que defendam e escreveu nos seus livros: a defesa de menos disciplinas, mas com mais horas para cada uma delas, evitando a dispersão curricular.

Fica aqui o registo das principais medidas anunciadas na proposta:

- continuidade do apoio ao estudo no 1.º ciclo, a par de outras actividades de enriquecimento curricular;

- garantia de uma aprendizagem mais consolidada da língua inglesa, mantendo-a como disciplina obrigatória ao longo de um mínimo de 5 anos;

- substituição da disciplina de Educação Visual e Tecnológica pelas disciplinas de Educação Visual e de Educação Tecnológica, no 2.º ciclo, cada uma com programa próprio e cada uma com um só professor;

- prestação de maior apoio ao aluno, através da oferta de apoio diário ao estudo no 2.º ciclo;

- antecipação da aprendizagem das tecnologias de informação e comunicação, garantindo aos alunos mais jovens uma utilização segura e adequada dos recursos digitais e proporcionando condições para um acesso universal à informação e comunicação;

- aposta no conhecimento estruturante, mantendo o reforço da Língua Portuguesa e da Matemática;

- eliminação do desdobramento em Ciências da Natureza, no 2.º ciclo, tendo em conta que a actividade experimental a este nível pode ser efectuada com toda a turma;

- aposta no conhecimento científico através do reforço de horas de ensino nas ciências experimentais no 3.º ciclo do Ensino Básico colmatando, neste nível de ensino, uma clara insuficiência de carga horária;

- alteração do modelo de desdobramento de aulas nas ciências experimentais do 3.º ciclo, através de uma alternância entre as disciplinas de Ciências Naturais e de Físico-Química;

- valorização do conhecimento social e humano, área essencial do currículo no 3.º ciclo, reforçando as horas de ensino nas disciplinas de história e de geografia;

- eliminação da disciplina de Formação Cívica nos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e no 10.º ano, mantendo a relevância dos seus conteúdos de modo transversal;

- manutenção do reforço da carga horária nas disciplinas bienais da formação específica, no Ensino Secundário, de Física e Química e Biologia e Geologia;

- actualização do leque de opções da formação específica, no Ensino Secundário, tendo em conta o prosseguimento de estudos e as necessidades do mercado de trabalho, criando disciplinas como, por exemplo, Programação informática;

- focalização da atenção do aluno no conhecimento fundamental, proporcionando uma melhor gestão do tempo de estudo, com a coordenação das disciplinas no 3.ciclo e a redução do número de disciplinas de opção anual no final do Ensino Secundário;

- liberdade para a escola na decisão da distribuição da carga horária ao longo dos ciclos e anos de escolaridade;

- maior rigor na avaliação, através, nomeadamente, da introdução de provas finais no 6.º ano e do estabelecimento de um regime de precedências entre o Ensino Básico e o Ensino Secundário.

Os contributos referentes a esta consulta pública poderão ser enviados, até dia 31 de Janeiro, para revisao.estrutura.curricular@mec.gov.pt

Domingo, Novembro 20, 2011

Revisão das tabelas salariais

O Governo prepara-se para estudar a revisão das tabelas salariais da Função Pública. Já por várias vezes aqui escrevi que, no sector específico da Educação, considero de uma injustiça atroz a actual tabela salarial dos professores do ensino público.

Por um lado, trata como iguais os educadores de infância e os professores do ensino não universitário (os que leccionam deste o 1º ano ao 12º ano). Por outro lado, a carreira docente passa a ser outra a partir do momento em que se deixa de leccionar a alunos do 12º ano e se passa a leccionar a alunos do 1º ano do ensino superior.

Mas, pior ainda, a actual tabela salarial apresenta uma discrepância enorme nos escalões entre aqueles que estão já dentro da carreira docente há mais de 25 anos e os que estão há poucos anos como efectivos (apesar de estarem a leccionar como contratados há 10 ou mais anos).

Apenas um exemplo concreto: este é o meu 14º ano a dar aulas (tenho sete turmas a meu cargo, o que perfaz mais de 100 alunos e sou ainda DT) e encontro-me no 2º escalão, ou seja, no índice 188, mas um colega meu que leccione há pouco mais de 30 anos e, portanto, com menos turmas do que eu (dado a redução de componente lectiva por antiguidade) pode estar no 9º escalão, ou seja, no índice 340.

Isto quer dizer que a actual tabela salarial permite que um colega meu a leccionar a mesma disciplina que eu aos mesmos anos de escolaridade, mas com menos turmas e, portanto, menos alunos (menos aulas para praparar, menos testes para elaborar e para corrigir, etc.) possa ter um salário ilíquido de mais de 1300 Euros do que eu por uma mera razão que se chama antiguidade profissional. Ainda por cima, todos sabemos que é no início de carreira que as despesas aumentam (estar longe de casa a leccionar, pagar o empréstimo da casa e do carro, ter as despesas com os filhos, etc.), enquanto que com mais de 30 anos de carreira, a casa e o carro estão pagos, os filhos já estão, muitas vezes, fora de casa dos pais e as despesas em transportes são muito menores, visto que se está perto de casa a trabalhar.

E já nem falo da situação actual de professores que se reformam com menos de 60 anos a receber mais de 2000 Euros por mês...

Conclusão: não se justificam diferenças tão grandes nos vencimentos para tarefas iguais à custa da antiguidade.

Por isso, espero bem que a revisão das tabelas salariais acabe com esta injustiça, diminuindo os salários daqueles que já recebem muito e elevando os vencimentos dos que começaram há pouco tempo a leccionar.

Diminuam-se os escalões, aproximem-se os vencimentos entre professores em início e fim de carreira e divida-se a carreira docente entre os professores do ensino pré-primário e primário e os professores do ensino básico e secundário.

Para que não haja dúvidas em relação a este assunto, deixo a tabela salarial dos professores do ensino público em Portugal para verem as desigualdades enormes de vencimento existentes apenas em função da antiguidade ou falta dela...