quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Citando Maria Filomena Mónica

Para esta pausa lectiva da Páscoa resolvi comprar os dois mais recentes livros de Maria Filomena Mónica. Bem sei que tem havido muita publicidade aos livros (as aparições da escritora nas televisões, jornais e rádios têm sido mais que muitas) e que a técnica de investigação escolhida pela autora (o recurso a diários de meia dúzia de professoras e alunos) é pouco usual. Mas, mesmo assim, optei por, nestes dias, me dedicar à leitura destes dois livros e não me arrependo da minha decisão.
Mais do que discorrer sobre as ideias que Maria Filomena Mónica tem da Escola Pública, prefiro recorrer a algumas das afirmações que constam do seu livro "A Sala de Aula" e com as quais me identifico.
Deixo uma citação respeitante a cada um dos capítulos do livro, citação essa que define muito bem aquilo que penso e que tenho vindo a apresentar neste blogue desde há muitos anos...
- "Ao longo dos anos, (o MEC) não tem cessado de emitir leis e mais leis, o que mina a autonomia e a responsabilidade das escolas". - página 52
- "E aqueles (alunos) que se esforçam, que são capazes de renunciar à folia e à preguiça para terem as matérias em dia, que estão atentos, que participam que atingem notas altas, que valorizam a escola, que respeitam os professores e dão bom nome a uma instituição, ... às vezes são esquecidos". - página 82
- "Os jovens deixaram de acreditar no valor do esforço; os pais deixaram de ser capazes de inculcar regras e as escolas optaram por divertir os alunos" - página 97
- "...é preciso formar técnicos, mas os cursos (profissionais) que os preparam não podem ser o caixote do lixo para onde se atiram os deserdados da sorte. Há dois lados nesta fraude: cursos mal concebidos e alunos mal-educados" - página 122
- "A ideia de que, em Humanidades, é possível aplicar testes de escolha múltipla é um crime... tudo fica reduzido a um jogo de sorte e azar". - página 131 
- "É como se aos estudantes fossem apenas exigidas técnicas de copy & paste. Muitas vezes o que lhes é solicitado é que escrevam por palavras próprias, ou nem isso, o que está nas fontes e documentos dos enunciados dos exames". - página 157
- "Todos sabem, em cada escola, quem são os maus professores, os baldas, aqueles que não preparam aulas... mas falta a coragem para tomar a decisão de se lhes atribuir uma avaliação negativa". - página 169
- "Há o problema da uniformidade dos salários dos docentes, que faz com que os preguiçosos recebam o mesmo que os que se esforçam. Trata-se de uma assunto tabu para os sindicatos". - página 195
- "Entre o compadrio que possa existir quando as escolas são entregues às comunidades (especialmente devido à corrupção endémica das autarquias) e o MEC a escolha é difícil". - página 210
- "Há muitos professores nas escolas... que apenas têm 14 horas de aulas. Até se reformarem há, de facto, uma injustiça no interior da classe: ao lado de professores com imensos alunos, haverá outros com poucos". - página 249
Ficam apenas algumas das frases que constam do livro de Maria Filomena Mónica das muitas com as quais concordo. Um livro que aconselho a todos...

quarta-feira, 26 de Março de 2014

Sobre o número de alunos e professores e a oportunidade que não pode ser desperdiçada...

Há uns dias atrás foi publicado um estudo do DGECC dando a conhecer que o número total de alunos no ensino básico e secundário tenderá a diminuir nos próximos anos (sobretudo nos 1º e 2º ciclos). Entre 2011/12 e 2017/18 haverá uma quebra total de 3% de alunos (cerca de 40 000 alunos), embora no 1º e 2º ciclo o recuo verificado no número de alunos se aproxime dos 10%.
Ora, não temos, nestes números, nenhuma novidade, mas apenas a confirmação de uma realidade inevitável se tivermos em conta a redução verificada na taxa de natalidade (veja-se o gráfico). Aliás, a quebra só não é mais acentuada porque a lei obriga a que qualquer jovem até aos 18 anos tenha de frequentar a escola. E, se projectarmos o que nos espera para lá do ano 2018, a situação não irá melhorar. Bem pelo contrário! No último ano o número de nascimentos foi pouco superior aos 80 mil, pelo que daqui a seis anos o 1º ciclo sentirá uma diminuição drástica no número de alunos: uma redução de quase 1/3.
E o número de professores? O que se perspectiva? Bem, pelo que nos é dado a conhecer nas estatísticas, o número de professores deve ter atingido o número mais baixo dos últimos anos - 130 mil em Dezembro de 2013. Mesmo com a redução verificada no número de docentes em cerca de 22 mil em apenas dois anos, continuam a subsistir horários-zero e muitos horários incompletos em colegas vinculados ao MEC. Sabemos também que a grande maioria da classe docente em Portugal tem menos de 55 anos de idade, pelo que ainda está longe da idade da reforma. E sabemos ainda que o MEC quer vincular cerca de 2 mil professores contratados e que o número de contratados a serem efectivados em lugar de quadro de zona poderá aumentar a partir de 2015 (tendo em conta o número de contratados com cinco anos seguidos de contratos completos e anuais).
Ora, com o número de alunos em quebra e um número de professores que, embora menor em relação ao número de docentes existentes há uns anos atrás, continua a ser superior a 100 mil, com tendência para aumentar em termos de efectivos, parece-me óbvio que poderemos estar a perder uma oportunidade de ouro. E digo isto porquê? Porque se o número de alunos diminui (nos primeiros ciclos de ensino de forma drástica), o mesmo deveria acontecer com o número médio de alunos por turma. Por outro lado, sabendo-se que o número de alunos com maiores dificuldades de aprendizagem tem vindo a aumentar, fruto em grande medida da crise financeira que vivemos, as escolas poderiam investir em novas estratégias que visassem "resgatar" esses alunos para o sucesso escolar em vez de os simplesmente encaminhar para o "facilitismo" dos cursos vocacionais ou profissionais. Sim, porque há muitos alunos com dificuldades de aprendizagem aos quais, muitas vezes, apenas se indica como única saída a via profissionalizante, quando poderiam muito bem continuar no ensino regular se, para este tipo de alunos, se adoptassem estratégias de recuperação como a tutoria, a constituição de grupos homogéneos ou as aulas de apoio. É que nos últimos anos tem-se assistido a uma espécie de transferência de alunos dos cursos de Ciências e Tecnologias para as Humanidades e destas para os Profissionais, apenas porque a tutela quer que metade dos alunos do secundário estejam num curso profissional.
Digo isto porque me parece um absurdo a ideia preconizada pelo MEC de definir um número mínimo de alunos para frequentar o ensino vocacional e profissional. Afirma Nuno Crato que quer que metade dos alunos do ensino secundário frequentem o ensino profissional. Como se fosse possível definir, à priori, um número mínimo de alunos para o profissional. O mesmo se poderá dizer quando as escolas definem, de um ano para o outro, a taxa máxima de retenções que pode haver para cada ano de escolaridade. Como se fosse possível definir um número mínimo de progressões ou um limite nas retenções quando se desconhece o público-alvo e as suas características especificas (pontos fortes e pontos fracos).
E esta oportunidade, que é termos nas nossas escolas e nos próximos anos, menos alunos por via da redução da natalidade, não pode ser desperdiçada, numa lógica de poupanças financeiras. Com o número de alunos a diminuir, sobretudo nas regiões do Interior do país, ao menos que se aproveitem os recursos humanos que as escolas possuem para melhorar os resultados dos alunos... 

sábado, 15 de Março de 2014

Professores QE`s e QZP`s: a "guerrinha" habitual...

A classe docente deve ser, porventura, a classe profissional portuguesa onde se verificam maiores doses de divisões internas, invejas, injustiças e mal-estar. Existem razões objectivas para esta divisão intraclassista e talvez a mais decisiva até resida na forma como a tutela, ou seja, o MEC tem conduzido todo o conjunto de leis que regem a nossa profissão. 
Dois dos factores que mais tem contribuído para a divisão da classe docente são o regime remuneratório da nossa profissão (extremamente estratificado e que conduz a uma clara injustiça que chega a desrespeitar a Constituição - é que para a mesma função chegamos a ter diferenças salariais de mais de 1500 euros!) e a forma injusta como, desde que me lembro, tem funcionado o sistema de colocação de professores.
Se em relação ao primeiro factor não há novidades, pois há quem considere perfeitamente normal (inclusivé a tutela e os sindicatos) que dois professores com funções precisamente idênticas tenham salários bastante diferentes apenas porque um lecciona há 5 anos e outro há 30 anos (e mais tempo de serviço não equivale a melhor desempenho profissional), já em relação ao chamado concurso de professores tem havido, quase todos os anos, constantes alterações (e prevêem-se, por via das actuais negociações entre o MEC e os sindicatos, novas alterações para breve) que apenas têm conduzido ao aprofundar das injustiças e do mal-estar entre professores. Assim, vou apenas explanar um pouco do que penso sobre as asneiras que têm sido efectuadas ao nível da colocação de professores. 
Muito haveria a dizer sobre este tema, mas vou tentar ser o mais sintético.
Ponto um: a existência de duas formas de efectivação (a nível de escola e de zona) tem conduzido, desde sempre, a injustiças, dado que muitos docentes decidiram-se por efectivar em lugar de escola (muitos enganados pelo MEC quando este indicou que pretendia o fim dos QZP`s) e viram-se "ultrapassados" em termos de prioridades por colegas que continuaram em QZP e, não tendo escola, conseguem, sucessivamente, ficar próximos das suas áreas de residência em detrimento de colegas seus mais graduados.
Ponto dois: o recrutamento de professores a nível de escola, impulsionado pela lógica da autonomia e tendo como critérios definidos, não apenas a graduação profissional, mas também a entrevista e outros critérios mais do que duvidosos, tem levado muitos dos professores que concorrem a nível de escola a darem conta de situações de cunhas, amiguismos e caciquismo, deturpadores das vantagens que poderiam advir deste tipo de concurso;
Ponto três: o desfasamento que existe entre o momento em que as escolas têm de dar a conhecer as necessidades de professores e o momento da formulação das turmas nas escolas leva a que, muitas das vezes, faltem ou sobrem professores numa escola, levando a claras injustiças: numas situações não se abrem lugares para professores do quadro, que depois são ocupados por colegas contratados (impedindo que professores do quadro se aproximem das suas áreas de residência), enquanto que noutras situações temos os casos de professores a mais para as reais necessidades das escolas, fazendo com que, num mesmo grupo disciplinar uns fiquem com turmas e outros com tarefas diferentes das de leccionar, à espera de colocação, criando mal-estar no seio do grupo disciplinar.
Sobre a negociação que tem havido entre o MEC e os sindicatos sobre a nova legislação dos concursos apenas direi que aquilo que deveria ser mudado parece não estar em vias de ser alterado (por culpa do MEC): o fim dos concursos a nível de escola e a obrigatoriedade de haver concursos internos anuais. 
Muito se tem discutido acerca da possibilidade dos professores vinculados a uma escola poderem, caso queiram, vincular a um QZP. Mais uma clara prova da lógica do "volta-atrás". Há uns anos atrás o MEC afirmou que os QZP`s iriam acabar, incentivando muitos professores a efectivarem numa escola e agora já coloca a hipótese de ter mais professores afectos a um QZP. Parece-me que é mais um daqueles presentes envenenados para ter mais professores vinculados a um QZP (e, portanto, sem escola), com a porta da mobilidade especial bem aberta. Não me parece que os sindicatos devessem ir atrás desta ideia. Importante seria que houvesse concursos internos anuais, com as vagas correctas a concurso (e isto só poderia acontecer com as escolas a darem conhecimento das verdadeiras necessidades de professores e não "escondendo" vagas) e tendo a graduação profissional como critério principal, independentemente de ser ser QZP ou QE.
Contudo, volto a dizer o que sempre disse: se fossemos um país decente, o ideal seria que cada escola pudesse escolher os seus professores. No entanto, como somos um país dado às cunhas continuo a pensar que o mais justo seria termos concursos anuais e efectuados de forma centralizada. Isto se não quisermos fazer das escolas uma espécie de empresas municipais partidarizadas. Longe disso...

sábado, 1 de Março de 2014

Concursos de professores, ultrapassagens, injustiças e incompetências...

Ficámos ontem a saber que haverá um novo concurso geral de professores em 2015, curiosamente ou não, um ano de eleições legislativas. Depois das injustiças que o último concurso geral teve, sobretudo, ao nível da ultrapassagem de professores do quadro de escola mais graduados por colegas do QZP menos graduados, eis que o MEC parece ter sido (medianamente) sensível aos argumentos apresentados pelos sindicatos e resolve antecipar o concurso geral para 2015.
Para quem já é do quadro de escola e lecciona perto de casa esta até pode ser uma não-notícia. Muitos desses colegas já efectivos próximo das suas áreas de residência e em lugar privilegiado no grupo de recrutamento das suas escolas já pouco ou nada ligam aos concursos e as suas preocupações têm mais que ver com outras questões, sobretudo as de ordem salarial ou de corrida à aposentação. Mas para quem está "desterrado" ou não tem a certeza de manter o seu lugar na escola onde lecciona, há outras preocupações para além das remuneratórias e que têm que ver com a possibilidade de conseguirem aproximar-se das suas áreas de residência. E muitos destes professores "desterrados" sabem na pele a injustiça que foi, no presente ano lectivo, terem ficado colocados longe das suas casas porque colegas menos graduados, sobretudo os QZP`s, concorreram na 1ª prioridade, impedindo a mobilidade interna de colegas seus mais graduados e efectivos longe das suas residências. Foi uma tremenda injustiça que os sindicatos poderiam e deveriam ter antecipado junto da tutela...
Agora há o compromisso de que os cerca de 2000 contratados que, no concurso extraordinário, irão vincular a um QZP não poderão ultrapassar os docentes que já se encontram vinculados a um quadro. Só que o mal já foi feito há um ano atrás e muitos dos colegas QZP`s menos graduados que concorreram na 1ª prioridade e passaram à frente dos mais graduados que tentaram aproximar-se das suas residências vão poder, por mais um ano, continuar a usufruir das vantagens que obtiveram com a injustiça das ultrapassagens.
Claro que o ideal, como em qualquer empresa, seria as escolas poderem seleccionar os "seus" professores, tendo em conta apenas e só o profissionalismo de cada um. Só que, infelizmente, num país tão dado ao amiguismo, aos favores, aos lobbies e à cunhice, torna-se evidente que, muitas vezes, são outros os critérios que estão na origem da escolha, pelas escolas, deste ou daquele professor. E, por isso, é que defendo que, sendo a escola um serviço público e não uma empresa privada, o único critério que apresenta menor dose de injustiça é a graduação. Sendo assim, considero que todas as escolas públicas (inclusivé as TEIPS`s), mas também as escolas com contrato de associação (já que dependem dos dinheiros do Estado) deveriam estar sujeitas às regras dos concursos de professores, tendo como principal critério de selecção a graduação profissional dos candidatos.
A ver vamos como vai decorrer o concurso de vinculação extraordinária que se aproxima e se as injustiças deste ano não se repetem. E ficamos a aguardar pelas negociações que conduzam à antecipação do concurso geral para 2015. É que também para os concursos internos há muito a mudar: enquanto não alterarem os timings da indicação, pelas escolas, dos docentes necessários e da indicação, pelo MEC, das lugares (e vagas) de carácter permanente, continuará a subsistir outra injustiça, que tem que ver com a abertura de horários anuais e completos para colegas contratados que poderiam (e deveriam) estar à disposição dos professores já efectivos em lugar de escola e que pretendem aproximar-se das suas áreas de residência. Mas será que lá nos sindicatos (e no MEC) alguém percebe disto???

sábado, 15 de Fevereiro de 2014

A autonomia escolar: um presente envenenado...

Nuno Crato iniciou, há quase três anos atrás, as suas funções governativas tendo como um dos seus grandes anseios a chamada "implosão da 5 de Outubro" ou, dito doutra forma, a redução do dirigismo e da burocracia provenientes do poder central. Contudo, no dia-a-dia da labuta escolar, a burocracia continua a ser uma realidade...
Desde o início do seu mandato que Nuno Crato referiu que o reforço da autonomia das escolas, tanto pedida por estas, seria concretizada no seu mandato. Pois bem, se bem o disse, assim o fez. Pelo menos a julgar pelo aumento do número de escolas com quem o MEC assinou contratos de autonomia e que, agora, teve o seu "apogeu" com as anunciadas alterações legislativas que visam dotar as escolas de maior autonomia no que concerne à organização dos currículos escolares e à maior liberdade na escolha dos professores.
O que dizer, então, deste tão famigerado "vendaval" de autonomia escolar? Pois bem, se tivéssemos num país onde os interesses pessoais, as cunhices e os amiguismos fossem riscos facilmente arredados da realidade escolar por mecanismos de controlo e de inspecção superiores, diria que nada melhor do que a autonomia para melhor servir os interesses daqueles a quem a escola se dirige: os alunos. Mas, infelizmente, vivemos num país onde o reforço da autonomia tem vindo, sucessivamente, a ser sinónimo de compadrio e de partidarice (vejam-se os casos das autonomias regionais, das autarquias, das empresas municipais e de tantos outros cargos da administração pública que têm como primeiro critério de selecção o cartão partidário) estamos mais do que conversados. Aliás, o que tem vindo a público acerca do recrutamento de professores em muitas das TEIP`s deste país, onde os critérios prioritários têm mais que ver com os amiguismos do que com o profissionalismo dos seleccionados, dá a entender que tanta ânsia autonómica por parte das escolas pode ter riscos que em nada abonam em favor dos reais interesses das comunidades educativas locais.
E, depois, ainda temos o resto, que tem que ver com aquilo a que poderíamos chamar como o risco de haver "concorrência" desleal entre escolas. E digo desleal porquê? Porque, tendo em conta aquilo que se sabe sobre muitos destes contratos de autonomia, completamente obcecados pelo sucesso escolar a todo o custo (onde as taxas de sucesso são discriminadas às décimas para todos os anos de escolaridade, sem que se tenha em conta a subjectividade de que se reveste cada turma - como se fosse possível dizer-se, a priori, quantos alunos podem ficar retidos por ano de escolaridade!), o mais certo é termos muitas das escolas deste país a baixarem os seus níveis de exigência, por forma a cumprirem os critérios "negociados" com a tutela. Sim, porque qual será a escola que ao fim dos dois ou três anos que dura o contrato de autonomia não vai querer ficar bem vista aos olhos do MEC? 
E já nem me alongo acerca do que alguns diretores de escola já vieram dizer sobre a procura da especialização das suas escolas. Um chegou a referir que, retirando peso às disciplinas das Humanidades, poderá desde o 5º ano de escolaridade especializar muitos dos alunos da "sua" escola em áreas das ciências exactas como a Medicina. E a formação de base? Não deve ser igual para todos os alunos deste país? Até pode haver especialização, como há, no início do ensino secundário, mas por livre escolha dos alunos e das suas famílias. E, quanto aos alunos a quem, pelos mais diversos motivos (familiares, de origem social, de âmbito cognitivo, etc), o ensino teórico pouco ou nada diz, temos as opções que há muitos anos existem (PCA`s, PIEF`s, CEF`s, vocacionais) que mudam de nome, mas que vão dar sempre ao mesmo: o reforço da componente prática e a redução dos ensinamentos teóricos.
Por isso é que costumo dizer que entre um Estado central, mas que trata todos por igual, e a proliferação de pequenos "estadozinhos" pelo país fora, assentes nos amiguismos, nos interesses, nas cunhices e nas partidarices, prefiro o tal Estado central. Pelo menos assim sabemos que, dirigidos a partir de Lisboa, todos somos tratados por igual... E depois há ainda a tal questão da exigência/facilitismo: com tanta obsessão pelo sucesso dos resultados escolares, o reforço da autonomia escolar pode originar o recurso a estratégias algo duvidosas (maior facilitismo nas avaliações internas, encaminhamento forçado dos alunos menos dotados para os cursos profissionais, banalização do ensino não regular, discriminação das disciplinas tendo por base o seu nível de exigência, etc.) por forma a que se atinjam os resultados pretendidos...

quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014

As injustiças que se avizinham com o novo concurso extraordinário de vinculação de contratados...

Nuno Crato deu a conhecer, na passada semana, em conferência de imprensa que o MEC vai realizar, ainda este ano, um novo concurso de vinculação de contratados. Fê-lo em resultado das ameaças que recebeu de Bruxelas, dada a insistência, de há muitos anos a esta parte, do MEC proceder à contratação de alguns milhares de professores com horários anuais e completos, desrespeitando a lei em vigor que indica que ao fim de três anos de contratos anuais sucessivos se deve proceder à vinculação do trabalhador.
Pois bem, a primeira conclusão que se pode retirar desta medida tomada de forma quase coerciva é a de que, uma vez mais, e como diz o povo "a bota não bate com a perdigota". Então primeiro promove-se a rescisão amigável de contratos com professores (gastando milhões de euros em indemnizações) e depois vai-se vincular novos professores ao sistema? E ainda há outra contradição: então continuamos a ter centenas de professores em horário-zero, adivinhando-se o seu aumento nos próximos anos, dada a queda abrupta da natalidade e a política de contenção do MEC, e vão-se abrir novas vagas para vinculação? Qual a lógica disto tudo? Quanto a mim muito pouca...
Adivinham-se novas injustiças com o aumento de colegas afectos a um QZP, mas sem horário, que vão passar à frente de colegas com maior graduação vinculados a uma escola e que não vão conseguir aproximar-se das suas áreas de residência porque, uma vez mais, serão "ultrapassados" por todos aqueles colegas que estão afectos a um QZP.
Todos conhecemos casos de colegas que estão longe das suas casas e que, já com família constituída, são obrigados a estarem afastados, durante a semana, das suas famílias (muitos deles com filhos menores) porque há uns anos atrás arriscaram o vínculo a uma escola, na esperança de se aproximarem mais tarde ou de, pelo menos, conseguirem o destacamento por aproximação à residência (e também porque o MEC os incentivou a isso quando ameaçou que iria acabar com os QZP`s). Agora, longe de casa e das suas famílias, desesperam ao verem colegas menos graduados a passarem à sua frente nos concursos de mobilidade interna.
E os sindicatos? O que têm dito sobre estas injustiças? Pouco ou quase nada. Fala-se muito dos colegas contratados (e acho muito bem que se fale) mas dos colegas já vinculados a uma escola e que são ultrapassados na mobilidade interna por colegas menos graduados não se ouve nada. 
Vejamos o que temos tido. Durante anos falou-se da inevitabilidade de redução do número de professores necessários ao sistema, mas continuou a verificar-se a contratação de colegas com horários completos e anuais. Clara contradição! Promoveram-se as rescisões amigáveis, mas continuam a subsistir centenas de colegas com horário-zero e, agora, abre-se um concurso extraordinário de vinculação de contratados sem que se realize um novo concurso interno? Não tem lógica, nem é justo!
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Ora, a continuarmos assim, os horários-zero não irão diminuir e, uma vez mais, lá veremos colegas menos graduados que, por estarem afectos a um QZP e, portanto, sem escola, vão passar à frente de colegas mais graduados na hora de concorrerem à mobilidade interna...
É injusto! E esta injustiça só poderia ser minimizada com a abertura de um novo concurso interno de professores ou então com a alteração das prioridades no concurso de mobilidade interna. Note-se que não sou contra a vinculação de colegas contratados (se, de facto, são necessários ao sistema devem ter o seu vínculo ao MEC). Discordo é da possibilidade destes colegas, por vincularem a um QZP, terem prioridade em relação aos colegas mais graduados na hora de se realizar o concurso de mobilidade interna...

sábado, 11 de Janeiro de 2014

A redução da escolaridade obrigatória volta a ser falada...

A notícia surge hoje na capa do Diário de Notícias: o CDS quer discutir a redução da escolaridade obrigatória. Finalmente!!! Ainda em Outubro escrevi aqui um artigo a dar conta das consequências que o alargamento, definido há quatro anos atrás, da escolaridade obrigatória para os 18 anos de idade estava a ter nas nossas escolas. Referi-me sobretudo ao facto de termos alunos que não querem estar na escola e que são "forçados" a irem para os cursos profissionais, prejudicando, muitas vezes, os alunos que estão lá por sua livre escolha, para além de que fazem da escola um local de muitas coisas à excepção do estudo...
Ora, se os cursos profissionais constituem uma excelente opção para os alunos que apresentam maiores apetências práticas e os que não são tão dados ao estudo de matérias teóricas, a verdade é que não devem constituir uma saída para aquele tipo de alunos que foram sendo "passados aos empurrões" ao longo dos seu percurso escolar e que chegam ao final do 3º ciclo com 16 ou 17 anos e que, por ainda estarem dentro da escolaridade obrigatória, são encaminhados para os cursos profissionais apenas por obrigação e não por qualquer outra razão.
E depois o que é que acontece a estas turmas? Muitas vezes, estes alunos, que apenas estão na escola porque a escolaridade obrigatória a isso os obriga, "estragam" estas turmas porque são um foco de instabilidade, dado que criam problemas de indisciplina, não cumprem os módulos, arrastam os outros alunos para o que não interessa, enfim, chegam aos fim dos três anos do curso profissional (quando o conseguem fazer em três anos) e apenas ficam com um certificado de frequência e não de conclusão do curso. E depois? Depois estão com 20 anos e é raro encontrar um aluno que, a nível profissional, consiga ter emprego na área para a qual se "preparou".
Ora, passados quatro anos desde que Portugal prolongou a escolaridade obrigatória para os 18 anos de idade (contrariando o que está em vigor na grande maioria dos países da União Europeia), parece-me que as vantagens daí decorrentes foram, do ponto de vista pedagógico e de preparação para a vida activa, bastante insuficientes. Claro que o número de alunos no ensino secundário aumentou, sobretudo nos cursos profissionais e, consequentemente, o número de professores afectos a este nível de ensino nem diminuiu, mas seria interessante que se analisasse a taxa de conclusão dos cursos profissionais daquele conjunto de alunos que apenas ficaram na escola por obrigação legislativa. E, desses alunos, quantos conseguiram um emprego na área para a qual, teoricamente, se prepararam?
Claro que não penso que a alteração da escolaridade obrigatória para os 15 anos de idade iria transformar os cursos profissionais do secundário numa maravilha. É claro que continuaríamos a ter alunos que se inscreveriam neste tipo de cursos pelas mais diversas razões que não o interesse escolar, mas para este tipo de alunos que apenas anda na escola para não ir trabalhar seria muito mais fácil excluí-los da frequência escolar sem ter de recorrer a toda a burocracia que a actual lei obriga (comunicações para a CPCJ, definição de planos de recuperação das aprendizagens, etc.). Por outro lado, a taxa de abandono escolar desceria vertiginosamente.
Enfim, parece-me de claro bom senso que os políticos percebam que o alargamento da escolaridade obrigatória para os 18 anos de idade constituiu um erro que deve agora ser corrigido. Obrigar um jovem a continuar a estar na escola depois de 9 anos de escolaridade parece-me uma opção que apenas poderá ter efeitos positivos para as estatísticas. De resto, das duas uma: ou o aluno (ou pelo menos o seu encarregado de educação) é interessado e, apesar de já estar fora da escolaridade obrigatória, continua a estudar e aí percebe que, desprezando a escola, a sua exclusão do ensino se torna mais fácil ou, de outra forma, se o aluno e o seu encarregado de educação perceberem que não é aos 16 anos de idade que se transforma um "mau aluno" num "bom aluno" e que, portanto, a opção laboral é a que melhor se adapta às suas características então não vale a pena que se obrigue esse aluno a continuar a andar na escola. E agora que até já existe a opção vocacional para alunos do 2º ciclo não se justifica que um aluno chegue aos 16 anos de idade já com uma componente mais prática no seu percurso escolar e se o obrigue a "penar" até aos 18 anos ou até mais sem que exista qualquer vontade da sua parte. Para esses alunos sempre há a esperança de que ganhem juízo e regressem mais tarde à escola quando percebem que, afinal, os estudos até podem ser importantes para se ter um bom emprego. Quando dei aulas à noite ao recorrente eram muitos os alunos (já adultos) que diziam ser esse o seu pensamento...
Voltemos ao que tínhamos há quatro anos atrás, onde a escolaridade obrigatória ia até aos 15 anos, e não prejudiquemos os que não querem continuar a estudar porque apenas se "estragam" por estarem na escola de forma coerciva, tal como não devemos prejudicar aqueles que, mesmo não tendo tantas capacidades, querem continuar a estudar para além da idade da escolaridade obrigatória, mas que são, muitas vezes, "desviados" para os maus caminhos precisamente por aqueles alunos a quem a escola, enquanto local de aprendizagem, nada diz, mas que a lei os obriga a frequentar...

domingo, 22 de Dezembro de 2013

Pausa para descanso...

Escola nova com novas rotinas e trabalho a dobrar. É isto, de forma muito sintética, aquilo que posso dizer deste primeiro período de aulas que agora chegou ao fim. 
Alguém escreveu no artigo anterior que eu tinha feito greve à blogosfera, dado que nos últimos tempos não tenho vindo aqui escrever. A verdade é que a razão que me obrigou a deixar de vir aqui com a regularidade que costumava fazer é muito simples: falta de tempo. E se o muito trabalho é um dos factores responsáveis por essa falta de tempo (escola mais distante, turmas mais difíceis, a leccionação de uma nova disciplina técnica de um curso profissional que obriga a uma exausta preparação de aulas, etc.) há um outro factor que justifica a secundarização da blogosfera: a família. Sim, porque se a escola me tira mais do que as 40 horas de trabalho legalmente estabelecidas por lei, a verdade é que tento sempre que o pouco tempo que me sobra seja passado com os dois "alunos" mais importantes que tenho: os meus filhos. Sim, porque quando, ao final do dia, chego a casa deixo a "farda" de professor de lado e coloco a de pai  (e é aqui é que se nota a importância que os pais têm no aproveitamento escolar dos filhos)...
Este foi um primeiro período de aulas longo e duro. Catorze semanas de aulas que, a nível nacional, foram marcadas, sobretudo, pela questão da prova que no início era para ser aplicada a todos os colegas contratados e que, depois de uma jogada política muito baixa (a que a FNE acedeu) ficou destinada aos que têm menos de 5 anos de serviço. Uma prova que alimentou a sedenta comunicação social e que permitiu que não se falasse do mais importante que há na Educação: os alunos. Ainda por cima, a reacção de alguns dos nossos colegas à prova, rasgando enunciados e utilizando impropérios à frente dos jornalistas, em nada ajudou à imagem que pais e alunos têm da classe docente. 
Entretanto, nas escolas continua-se a assistir a um declínio generalizado da exigência e dos resultados escolares dos alunos, bem evidenciados no cada vez mais desigual comportamento das escolas públicas e privadas relativamente aos resultados obtidos nos exames nacionais. Se o contraste litoral-interior era já algo que se conhecia, os contrastes entre escolas privadas e escolas públicas agudiza-se. Por outro lado, pouco se sabe sobre os reais efeitos que o ensino profissional leccionado nas escolas públicas tem nos jovens que pretendem começar a sua vida laboral. Parece cada vez mais claro que a crise financeira que há vários anos assola o país está a ter consequências nefastas nas nossas escolas. Já não bastava o desânimo que tomou conta da classe docente! É que todos os dias somos confrontados, nas nossas escolas, com a falta de vontade de muitos dos alunos em aprender, situação que é agravada pelo facto de muitas famílias estarem separadas (o problema de emigração) ou a viverem com graves dificuldades (o problema do desemprego). E o que esperar dos filhos destas famílias? Coisas boas é que não...
Enfim, pelo menos (ainda) temos direito a uns dias de pausa lectiva para descansar e "recarregar" baterias para os segundo e terceiro períodos de aulas que se seguem. Provavelmente a discussão à volta da prova aos colegas contratados irá ressurgir. No terceiro período, serão as vagas e os horários-zero a tomar conta das preocupações de muitos dos professores do quadro. Os cortes na Educação não parecem ter limites (o OE 2014 é disso prova), pelo que se espera uma nova redução do número de colocações. Como se isso não bastasse, no próximo mês de Janeiro já iremos sentir uma nova redução nos salários! Só más notícias. Parece claro que a austeridade veio para ficar, pelo menos para quem é funcionário público. Pelo meio, e enquanto o crescimento económico não chega de vez, os problemas das famílias portuguesas (as que são confrontadas com o desemprego, a emigração e a crise) continuarão a ter reflexo nas nossas escolas, com muitos alunos sem ambições, sem perspectivas, sem objectivos e aos quais se torna cada vez mais difícil "resgatá-los" para a primeira finalidade da escola: a aquisição de conhecimentos.
Votos de Boas Festas para todos os que aqui (ainda) costumam vir dar uma espreitadela e que 2014 seja um ano de boas concretizações...     

sexta-feira, 22 de Novembro de 2013

Este MEC anda a brincar às provas... Ao que chegámos!

É a primeira vez que aqui escrevo sobre a prova de avaliação que o MEC quer obrigar os colegas contratados a realizar. Desde o início que discordei da ideia da prova. Mas, pior que isso, a ideia de colocar à prova professores apenas porque não estão efectivos pareceu-me, desde o início, um autêntico disparate. A lógica de ter professores habilitados por instituições do ensino superior a terem de fazer uma prova de aptidão de conhecimentos para a profissão docente já me parece absurda, mas ignorar a sua experiência docente ainda me parece mais grave. Então um colega com 10 anos de serviço, mas efectivo, não precisa de fazer a prova, ao passo que um seu colega com 15 anos de serviço, mas ainda a contrato, já tem de a fazer? Qual a lógica disto? Nenhuma...
Mas, depois de conhecer o modelo da prova é que fiquei abismado com o estado a que esta situação toda chegou. É mesmo para perguntar: o MEC quer avaliar os professores contratados ou quer, simplesmente, fazer pouco deles? É que se os meus alunos do secundário vissem a prova certamente que diriam que os exames que eles terão de fazer no fim do secundário são bem mais complicados do que a prova que alguns dos seus professores terão de fazer. A pergunta que aqui deixo e que consta do modelo da prova é apenas um pequeno exemplo de como o MEC anda a brincar às provas de avaliação dos professores. 
Afinal, isto da prova era para levar a sério ou não? Claro que se o modelo de prova que foi dado a conhecer fosse difícil, veríamos os sindicatos dizer que o que se pretendia era reduzir o número de candidatos à profissão docente. Mas, com uma prova destas até parece que o objectivo é outro. Esperará Crato que muitos colegas contratados tenham negativa na prova para o vermos afirmar que tinha razão quando dizia que há bons e maus professores e que, graças à prova, esses maus professores sairão do sistema? Será esse o álibi para estender a prova aos professores efectivos?
Uma coisa é certa. Tudo aquilo que rodeia a forma como este assunto tem vindo a ser conduzido pelo MEC (os seus objectivos, a forma como foi definida em termos de estrutura, a população-alvo, a definição das data e local de realização e até o seu pagamento) denota uma profunda falta de respeito pela profissão docente. E a dúvida que se coloca (desviar as atenções dos reais problemas ou dificultar o acesso à profissão?) faz todo o sentido. É que não vejo aqui nenhuma intenção de melhorar a forma como se ensina (e aprende) nas escolas públicas deste país...
E o gozo já começou! O Público pediu a alunos com 13 anos que fizessem a prova e nas questões de escolha múltipla ninguém falhou. Claro que a reacção dos miúdos foi a que se esperava: "Então é isto que pedem que os professores saibam?"; "Que prova tão fácil!". É a paródia total...
Para quem quiser conhecer o guião e o modelo da prova aqui ficam as ligações:
- Guião da prova: clicar aqui
- Modelo da prova: clicar aqui

domingo, 10 de Novembro de 2013

A importância de analisar os rankings...

Todos os anos, por esta altura, costumo aqui escrever um post sobre os rankings das escolas que são dados a conhecer pelos vários órgãos de comunicação social. Sempre preferi destacar os revelados pelo jornal Público. Apesar de muita gente criticar os rankings continuo a pensar que a divulgação pública dos resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais devem ser vistos como uma importante oportunidade para que cada escola se auto-avalie, para além dos benefícios que cada comunidade educativa pode ter por saber de que forma é que a "sua" escola está a evoluir ao nível dos resultados escolares.
Há já vários anos que costumo aqui fazer uma análise muito sucinta do registo dos resultados obtidos pelos alunos no exame de Geografia A da escola onde lecciono. Como este ano lectivo estou numa nova escola (com novos procedimentos, novas formas de trabalhar, novas formas de encarar os exames, etc.) resolvi analisar os resultados obtidos, nos últimos quatro anos, no exame de Geografia A pelos alunos da escola onde estive a leccionar no último quadriénio, até porque nos dois primeiros anos leccionei ao 11º ano e "levei" alunos a exame. Por outro lado, apesar de nos últimos dois anos não ter tido turmas do 11º ano, muitos dos alunos que foram a exame haviam sido meus alunos uns anos antes no 3º ciclo do ensino básico. E foram quatro anos numa escola onde o grupo de Geografia teve a "exigência nas aprendizagens" como uma das suas principais prioridades. Um grupo de docentes relativamente jovem, com uma média de idades a rondar os 40 anos de idade, e que funcionou sempre bem no sentido de fomentar nos alunos o gosto pela Geografia.
Sou dos que consideram que a estabilidade docente numa escola, mas sobretudo a escolha dos professores que leccionam anos de exame constituem factores decisivos com vista à obtenção de resultados satisfatórios nos exames. Por outro lado, a forma como em anos de escolaridade anteriores aos anos de exame (a partir do 7º ano de escolaridade) se começa a cultivar a exigência e o rigor são, quanto a mim, factores determinantes para que os alunos se preparem convenientemente para os exames. Dou um exemplo concreto: para que qualquer aluno chegue, no 11º ano, ao exame de Geografia A em condições óptimas de conhecimento e literacia geográfica é importante que ao longo do 3º ciclo do ensino básico o aluno tenha sido "habituado" a conviver com a exigência e o rigor adequados ao desenvolvimento do conhecimento geográfico. Pelo contrário, se durante os 7º, 8º e 9º anos predominou o facilitismo e a reduzida exigência o mais certo é que o aluno esteja mal preparado quando chega ao ensino secundário e aí já será muito mais difícil incutir no aluno os pré-requisitos que lhe faltam. Ou seja, a influência docente nos exames não é só a do professor titular da disciplina, mas também dos seus colegas de grupo disciplinar que tiveram esses alunos em anos anteriores. É todo um trabalho colectivo que deve ser incentivado e orientado num único sentido por parte dos professores de cada disciplina, independentemente do ano de escolaridade em que leccionam.
Os resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais deveriam ser sempre alvo de um estudo aprofundado em cada escola, tanto em termos de comparação com escolas de meio sócio-cultural semelhante, como ao nível da evolução registada ao longo dos anos. Deveria haver um procedimento obrigatório por parte de cada uma das escolas por forma a diagnosticar os problemas existentes (um dos que considero mais graves é o da discrepância que em muitas escolas existe entre a nota interna e a nota de exame), assim como ponderar possíveis soluções para ultrapassar os problemas diagnosticados.
Os exames não devem ser uma obsessão, mas não devem ser negligenciados. E a análise cuidada dos resultados obtidos pelos alunos deve ser seriamente realizada tanto a nível de grupo disciplinar, como da própria escola como um todo...   
E para quem quiser saber tudo acerca dos resultados nos exames nacionais nos últimos cinco anos, em todas as disciplinas, deixo a indicação do melhor site que conheço: o projecto BESP (para o conhecerem cliquem aqui) . Vale a pena visitarem-no para ficarem a saber os resultados da "vossa" escola nos exames nacionais à "vossa" disciplina...