quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Mais uma turma de um curso profissional

Este ano vou ter a meu cargo seis turmas de três níveis diferentes: quatro turmas do 9º ano, uma turma de 7º ano de currículo alternativo (PCA) e uma turma de 10º ano do curso profissional de Técnico de Turismo Ambiental e Rural. Tenho no total cerca de 120 alunos, o que dá uma média de 20 alunos por turma.
Na turma do profissional vou leccionar uma disciplina a que nunca me estreei: Ambiente e Desenvolvimento Rural (ADR). Como não há manual para esta disciplina de cariz técnico, espera-me muito trabalho na preparação de materiais para os alunos.
Em quinze anos de serviço, é já a terceira turma diferente que tenho a meu cargo no curso de Turismo Ambiental e Rural e a quarta disciplina diferente que vou leccionar. Em 2008/09  leccionei Turismo e Técnicas de Gestão, em 2010/11 dei Geografia e Área de Integração, em 2011/12 voltei a leccionar Geografia e agora vou dar a disciplina de Ambiente e Desenvolvimento Rural. Apesar de ser professor de Geografia, parece que me estou a especializar a dar aulas no curso de Turismo! Ora, se na disciplina de Geografia me sinto à vontade, tendo muitos materiais já preparados dos 10º e 11º anos do curso regular de humanidades, já em relação às outras disciplinas o trabalho foi muito, sobretudo na disciplina de Turismo e Técnicas de Gestão (uma disciplina de economia). Mas, são ossos do ofício e quando se é professor do 3º ciclo e secundário há que estar preparado para este tipo de situações bastante exigentes e desgastantes...
Agora, neste ano lectivo 2012/2013, vou ter que leccionar a disciplina técnica de Ambiente e Desenvolvimento Rural, que abarca matéria não só de geografia, como também de ecologia, biologia, agronomia e até de direito, pelo que serão muitas as horas que irei passar a preparar materiais para os alunos. A este propósito, penso que só quem lecciona este tipo de disciplinas técnicas percebe o trabalho acrescido que tem, pelo que seria justo uma espécie de bonificação horária em relação aos professores que dão as disciplinas dos cursos regulares. Mas, enfim, esta é outra conversa que tem que ver com as diferenças existentes entre os professores dos 1º e 2º ciclos (que geralmente só leccionam as suas disciplinas) e os que são do 3º ciclo e secundário (e que, por isso, têm muito mais trabalho por se arriscarem a darem disciplinas específicas dos CEF`s e dos profissionais).
Como referi, esta será já a terceira experiência de um curso profissional do secundário que terei a meu cargo. A primeira que tive foi em 2008/09, tendo tido boas experiências com os alunos dessa turma, sendo que alguns até já trabalham em áreas relacionadas com o turismo. Seguiu-se outra turma em 2010/11, com alunos bastante heterogéneos e, portanto, com resultados bastante díspares. Agora estou com outra turma e a primeira impressão (ainda só tive cinco tempos com os alunos) tem sido, globalmente, positiva. A turma tem apenas 12 alunos e, apesar de me parecerem pouco interventivos na aula, têm demonstrado esforço na concretização das tarefas propostas para a aula. Aliás, foi interessante verificar que quando lhes mostrei o mais recente vídeo de propaganda do turismo português, uma das alunas realçou que já tinha visto uma notícia sobre o vídeo a propósito de alguns erros que o mesmo apresenta. Sinal de que vê os noticiários... Por outro lado, a maioria dos alunos da turma provem de turmas do 9º ano regular, tendo integrado este curso profissional por razões ligadas ao interesse pelo turismo e não tanto por motivos de maior facilitismo.  
Claro que a imagem que muitas vezes se tem dos cursos profissionais é o de maior facilitismo e de menor exigência, com alunos problemáticos e indisciplinados. Ora, uma coisa é certa: os programas das disciplinas são tudo menos exigentes e, quanto aos alunos, parece-me que tem havido uma mudança positiva no tipo de alunos que se têm vindo a matricular nestes cursos. Uma das soluções para que tudo decorra pelo melhor é o professor ter a capacidade de se adaptar ao tipo de turma que tem pela frente. Ora, se a turma é fraca, não adianta estar a ser demasiado exigente e interessa que os alunos atinjam os chamados "objectivos mínimos" através da aplicação de diferentes estratégias que vão desde a insistência no trabalho prático até à análise de documentários que motivem o interesse dos alunos.  Mas, se a turma é composta por alunos com boas capacidades e que demonstram interesse e empenho, os resultados a atingir podem ser muito interessantes, com a realização de pequenos trabalhos de investigação e a aplicação de testes de avaliação exigentes, sem baixar o rigor e sem incorrer em facilitismos... Aliás, neste âmbito basta referir o facto de já ter tido alunos do ensino profissional que conseguiram entrar no ensino superior.
Uma das riquezas de Portugal é, sem dúvida, o turismo e tudo o que envolve esta actividade: a paisagem, o clima, o património natural e construído, a hospitalidade e a simpatia do nosso povo. Interessa também capacitar os nossos recursos humanos, pelo que a aposta nos cursos profissionais de Turismo poderá constituir uma estratégia fundamental no sentido de melhorar a nossa capacidade de atracção turística, bem como combater o desemprego jovem.

6 comentários:

Gorgi disse...

A minha experiência com os profissionais não tem sido tão positiva como a tua. Pelos vistos os de turismo são razoáveis. Ou então o problema está nos alunos aqui da região do Douro.
Contudo, acredito que possa haver turmas melhores do que outras mas a verdade é que a maioria dos alunos que optam por estes cursos fazem-no por uma questão de facilitismo.
Agora, concordo contigo quando dizes que os docentes que têm estas turmas deveriam ter uma espécie de redução horária, dado que estas turmas dão o dobro ou o triplo do trabalho em relação a uma turma do regular.

Agnelo Figueiredo disse...

Gosto de ver - de ler - um professor com sentido de otimismo e sem as costumeiras lamúrias que invadem tudo quanto é blog da área da educação.
Por outro lado, uma turma de um 10º ano profissional, autorizada pela DRE, com apenas 12 alunos... é um luxo!
Parabéns.

Lurdes disse...

Esta mania dos profes do secundário mandarem umas bocas aos do 1' ciclo é constante. Você teve algum trauma quando fez a primária ou quê? Fique lá com o seu profissional e guarde-o no bolso.

Pedro disse...

Caro Agnelo,
concordo consigo quando diz que a blogosfera da educação está cheia de lamúrias, críticas, maldicências e até mentiras. E muitos dos blogues, ditos de referência, parecem autênticos espaços sindicalistas que apenas servem para dizer mal da tutela. Mas, é o que temos...
Quanto à autorização da DRE para o profissional em questão direi-lhe que a mesma foi obtida porque existem duas turmas (a de turismo e a de secretariado) que apenas são separadas nas disciplinas técnicas. Nas restantes disciplinas, as duas turmas funcionam como uma só e englobam, no seu conjunto, quase trinta alunos. Penso que foi uma boa estratégia encontrada pelo ME para permitir que as escolas tivessem maiores opções de escolha para os alunos do profissional.

Anónimo disse...

Também tenho um profissional e só quem tem estes alunos é que sabe o que é dar aulas a ignorantes. Ao que chegámos! Ter alunos que estão na escola porque são obrigados a estar até aos 18 anos e colocá-los em profissionais porque é mais fácil. O meu profissional é formado por uma cambada de gandulos que vão sair como técnicos de fotografia sem perceber nada de cores, ângulos ou química.
Luís

Anónimo disse...

Pois... temos aqui, nada mais, nada menos, que a conversa do costume!