sábado, 20 de maio de 2006

Geração "copy paste"...

Só faltava esta para evidenciar a falta de capacidade auto-crítica e de esforço que a actual geração de adolescentes apresenta. Pelos vistos, já não chegava a demonstração de exagero consumista de telemóveis e outros adereços ou a táctica de "copy paste" na execução de trabalhos que caracteriza os jovens estudantes do básico e secundário para provar até que ponto é que, em termos gerais, os adolescentes portugueses rumam no sentido da falta de ambições... Digo isto porque esta geração, que muitos apelidam de "geração morangos", é tão fortemente influenciável que chegámos ao ponto de se ter inventado, a nível quase nacional, uma epidemia de comichões...
Ontem, sexta-feira, na escola onde lecciono não se falou noutra coisa: desde manhã que muitos alunos se queixavam de pseudo-comichões, tendo alguns sido encaminhados para fora das aulas, com a clara evidência de que tudo não passava de invenção, proveniente da série de culto destes jovens...
Ora, é por estas e por outras que, cada vez mais me convenço que, sem rigor e exigência na Escola, já que dos pais não se pode esperar muito mais do que aquilo que já temos (proteccionismo exacerbado e satisfação das vontades dos meninas e meninos), continuaremos a produzir jovens que são seguidores na "arte" de plagiar, uma miséria na capacidade escrita, um desastre nas contas de cabeça e uns autênticos esbanjadores dos (muitas vezes reduzidos) recursos financeiros dos pais...
E depois ainda temos que aturar as teorias de pensadores utópicos como Daniel Sampaio!!!

9 comentários:

Prof. Teresa disse...

Olá Miguel, como está essa pequenita?

Vejo-me forçada a contrariar um pouco a tua rebelião, embora perceba de que falas. A geração copy-paste é, de facto, a do facilitismo e eu também sei do que falas só que... temos de pensar numa coisa... quem ensina aos nossos alunos a fazer de outro modo? Mas quem ensina mesmo, verdadeiramente? Poucos infelizmente. Não são assim tantos os colegas que dão aos alunos guiões detalhados de relatórios de pesquisa, de relatório, ou que sem serem de tic, sabem as regras elementares de uma apresentação powerpoint.
Há uns anos atrás, nos alvores do uso das tecnologias no âmbito do processo de ensino-aprendizagem, deu-se um boom... aquilo era uma maravilha, computadores a chegar à escola e toda a gente curiosa... queria-se saber mais mas por vezes, não existia uma formação adequada. Os carolas lá iam tentando e... rapidamente se passou a "mandar fazer trabalhos de pesquisa" em que os alunos (sempre um passo mais à frente) usavam a Internet.
Nas suas idades o espírito crítico ainda está em desenvolvimento e, muitas vezes acontece que sabem mais das TIC que alguns profs. Cair no copy-paste era fácil, principalmente se na aula de EA, AP, TIC, LP, qualquer aula no fundo, não se ensinava a seleccionar a informação. Os progs de LP andavam muito ocupados com a literatura (o que eu não condeno) mas outros tipos de texto, onde ficavam?
Quantos professores sabem indicar aos alunos como seleccionar a informação que encontram na Internet e a fazer uma indicação bibliográfica correcta de de um sítio web?
Pensemos também nestas coisas sob esta perspectiva, lembremos aos alunos que existem as bibliotecas, os livros mas não esqueçamos que existe a web e que aí também há regras que nós professores precisamos descobrir.

Um abraço!

P.S. para quem estiver interessado tenho material sobre o assunto neste url:

http://profteresa.no.sapo.pt/regras_ref_bibliog.pdf

IsaMar disse...

Pedro...infelizmente é como dizes...e cada vez pior.
Lamento imenso...

fica bem

Anónimo disse...

...quem ensina aos nossos alunos a fazer de outro modo? Mas quem ensina mesmo, verdadeiramente?
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Então mas a escola moderna, progressista e "democrática" é para ensinar? É que eu pensava que era para socializar e educar... ou o ministério não é da educação?

Miguel disse...

Cara Teresa, agradeço o teu contributo para o debate. De facto, tens razão quando dizes que não podemos exigir aos alunos actividades quando os mesmos não adquiriram competênciais para as desenvolver. Mas, no caso vertente a que te referes (trabalhos práticos) tenho a ideia que não é por falta de recursos ou competências que muitos dos nossos alunos optam pela estratégia do "copy-paste", mas antes pela falta de interesse, rigor e esforço. Aliás, quando temos professores universitários a fazerem o mesmo (dou o exemplo de Clara Pinto Correia) está tudo explicado...
Mas, há que ser exigente, para que se consiga dar a volta ao problema... A propósito, a formação e educação de indivíduos responsáveis (a que se refere o último comentário anónimo) também passa pelas atitudes e a estratégia do "copy-paste" é uma atitude condenável. Ao menos, façam-se resumos...

Prof. Teresa disse...

Olá.
Anónimos é coisa a que não costumo dar atenção, por isso adiante :-)
Repara que a minha intenção não era de modo nenhum desculpar os alunos (os meus levam imenso nas orelhas e, por vezes, parece que tudo continua na mesma) mas apenas fazer pensar sobre o outro lado da questão.

Boa semana!

Professorinha disse...

O que é pena é que os alunos nunca olham para os professores como exemplo a seguir (sim, sei que alguns professores não o são)... é mais fácil seguir uma novelita com ambições de cópia fiel da realidade...

Luisa disse...

Preocupa-me imenso a educação dada aos adolescentes neste país. Há faltas graves não tanto dos professores como dos pais. Porém quem são os Pais? Gente duma geração que também já não foi educada...E o problema vai-se agravando geração após geração.

Assobio disse...

É verdade que a situação tende a agravar-se, porque as jovens gerações de professores (e as próximas) serão já fruto desta escola que não ensina e que também não aprende.
Estamos a formar cidadãos acríticos, trapalhões, e especialistas no desenrascanço. Vale tudo!
Culpados somos todos nós, neste sistema educativo laxista e facilitista.

Maracujá disse...
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