segunda-feira, 29 de maio de 2006

A proposta do novo estatuto da carreira docente

Aí está a proposta do Ministério da Educação (ME) para a reformulação do Estatuto da Carreira Docente (ECD). Este e os próximos artigos que aqui deixarei servirão para apresentar a minha opinião sobre as principais alterações que a proposta do ME enuncia. Como não pertenço a nenhum sindicato de professores e, portanto, não me subjugo às considerações que estes possam vir a defender, penso ser meu dever de professor deixar aqui expressa a minha opinião sobre a presente proposta.
O artigo 22º da proposta enuncia os requisitos gerais e específicos para a docência, de entre os quais aparece como grande novidade a obrigação do candidato, depois de frequentar a instituição de ensino superior que lhe concede a qualificação profissional, realizar uma prova nacional de avaliação de conhecimentos e competências, assente numa prova escrita e numa entrevista, a determinar em futura portaria.
Ora, não tendo nada contra a realização pelo candidato a docente da referida prova nacional, uma vez que a mesma irá determinar, porventura, uma elevação do nível de exigência dos futuros professores, não é menos verdade que a mesma determina um acto de desresponsabilização ou, pelo menos, de desconfiança perante o papel das instituições de ensino superior na formação de docentes. De facto, se se quer que os futuros professores façam uma prova extra-licenciatura, então há que assumir que o problema poderá estar, sobretudo, na falta de confiança que o ME demonstra pelo desempenho e capacidade das universidades e das ESE`s em formar docentes. Assim, não seria melhor, para além da referida prova, assumir uma política séria e rigorosa de avaliação do desempenho das universidades e das ESE`s na formação dos seus alunos? É que, com o financiamento destas instituições a ser determinado pelo número de alunos que têm, o normal será que as mesmas queiram "fabricar" licenciados a todo e qualquer custo...

3 comentários:

IsaMar disse...

Sem dúvida alguma.
Concordo contigo quando dizes que não há confiança nas universidades ou melhor nos professores que leccionam....
Ou melhor...já não há confiança na EDUCAÇÂO!
Que fazemos nós....?!
Assumirem uma politica séria...rigorosa....quando?

fica bem

Professorinha disse...

Reparaste bem que a ministra mexe em tudo o que tem a ver com o ensino básico e secundário e não toca no superior? Mexe apenas no que lhe interessa, no que lhe diz directamente respeito não toca para não se prejudicar directamente. Afinal o que faria uma avaliação às ESES e Universidades? Talvez despedir 'professoras' como ela... quem sabe.

Anónimo disse...

Assim, não seria melhor, para além da referida prova, assumir uma política séria e rigorosa de avaliação do desempenho das universidades e das ESE`s na formação dos seus alunos? É que, com o financiamento destas instituições a ser determinado pelo número de alunos que têm, o normal será que as mesmas queiram "fabricar" licenciados a todo e qualquer custo...
proposta apresentada.
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Deixemo-nos de utopias.
A primeira medida séria a tomar seria fechar as ESEs. A partir daí estava dado o sinal para um ensino sério.