sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Avaliar? Para quê?

A Ministra da Educação foi ao Parlamento defender o fim das provas globais, argumentando que as mesmas eram "dispensáveis" e "irrelevantes" do ponto de vista da avaliação dos alunos. Inteiramente de acordo! De facto, tanto professores, como alunos não davam às provas globais a importância que estas deveriam ter. Porquê? Muito simples: porque o peso de apenas 25% que as mesmas tinham na avaliação final a isso obrigava...
Ora, diagnosticado o problema, a equipa ministerial fez bem em tentar encontrar uma solução. Só não compreendo que a solução tenha sido a simples "destruição" do problema. Em vez de reforçar o peso das provas globais para uma percentagem nunca inferior a 50%, por forma a dar-lhes alguma dignidade e conceder-lhes um papel decisivo no sentido de avaliar as competências essenciais a adquirir pelos alunos no final da escolaridade obrigatório, a Ministra optou pelo caminho mais fácil. Acabou com as provas globais e abriu ainda mais o caminho do facilitismo... Já não bastava termos uma situação que quase impede que se "reprovem" alunos que não estejam em final de ciclo? O problema é que os alunos se vão apercebendo desta "onda" de facilitismos, sendo já hoje possível constatar muitas situações de alunos do 3º ciclo do ensino básico que afirmam não se preocuparem em ter muitas negativas, porque pensam que, pelo simples facto de estarem em risco de dupla retenção, julgam ter o "direito" de transitar de ano... É a lógica do facilitismo a funcionar!!!
Apenas mais um apontamento. O antigo Ministro da Educação, David Justino, afirmou, uma vez mais em público, que não faz sentido continuar-se a insistir na centralização dos programas pedagógicos e conteúdos curriculares, devendo-se conferindo às escolas a devida autonomia nesta área. Já defendi muitas vezes esta ideia aqui no blogue: a Escola deve ter uma maior ligação ao território envolvente, pelo que, mais do que ensinar apenas conceitos teóricos e generalistas, deve haver a preocupação de contextualizar cada uma das realidades escolares...

5 comentários:

IsaMar disse...

Bem...realmente...
como dizes é só facilitalismo.
andamos aqui tão preocupados em leccionar bem...formar jovens para a Ministra de Educação facilitar...
E como mencionaste, os jovens vão-se apercebendo...eles não são nada parvos!
Com esta realidade...é mesmo para haver instabilidade e desmotivação.
Ainda ontem, estava um colega meu a dizer...que somos todos uns palhaços, onde o ministério e alunos não nos tem qualquer respeito.
Andamos para aqui a planificar, estudar, avaliar...para esta palhaçada toda.
E depois "nós" professores é que somos os responsáveis pelo insucesso escolar, etc...

Bem...é melhor pensar em coisas melhores...
Bom Carnaval :-)

Movimento em Defesa do Rio Tinto disse...

Para que se abra mais uma porta para a divulgação do muito trabalho válido que os professores desenvolvem junto dos alunos, na área da preservação do ambiente, vimos oferecer o nosso espaço, para a eventual publicação de material (textos, imagens, ...) que nos queiram enviar, através do endereço electrónico que temos visível no nosso blog.
Somos um movimento que luta para salvar um rio que tem sido alvo de inqualificáveis atentados.

Anónimo disse...

50% também é uma percentagem exagerada! A prova global é um momento. Muitas vezes apenas avalia as competências do domínio do saber... E o saber-ser e saber-fazer?!

Cumprimentos.

Pedro disse...

Quando falo num peso superior a 50% para a prova global, faço-o no sentido de que só assim é que a nota obtida nessa prova pode alterar (para melhor ou pior) a avaliação obtida ao longo do ano. Caso contrário, a prova global não serve para nada...
Um exemplo: um aluno leva um nível 3 de avaliação contínua; se a prova global valer 55%, o aluno terá de ter nível 3 na prova global para manter o nível 3...
Outro exemplo: um aluno leva um nível 2 de avaliação contínua; se a prova global valer 55%, o aluno terá de ter nível 3 na prova global para subir para o nível 3...
Note-se que falamos de provas de final da escolaridade obrigatória e, portanto, onde o nível de exigência não deve ser ignorado.

Anónimo disse...

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