quarta-feira, 19 de março de 2008

Senhora Ministra, com argumentos destes...

No debate parlamentar sobre Educação realizado ontem, Maria de Lurdes Rodrigues respondeu da seguinte forma a um deputado da oposição a propósito das notas dadas pelos professores poderem contar para a avaliação destes:
Com argumentos destes estamos conversados sobre a qualidade das intervenções da Ministra da Educação naquela que, supostamente, deveria ser a casa da democracia.
Há uns dias atrás, o Ministério da Educação veio informar os professores que estes poderiam estar descansados pois a progressão das avaliações dos alunos só contariam 6,5% para a avaliação de desempenho docente.
Pois eu considero um completo disparate que as notas dadas pelos professores aos alunos tenham qualquer tipo de peso (nem que seja 1%) para as avaliações dos professores. Não argumento com as analogias feitas com os casos dos médicos ou juízes, mas tão só na injustiça em que se poderá incorrer ao assumir-se tal estratégia. Injustiça para alunos, pois as avaliações destes apenas devem ter consequências para a progressão ou não destes, mas sobretudo para os docentes que ficariam em total perda de igualdade de oportunidades entre si, apenas pelo facto de se fazer depender o seu desempenho profissional pelo maior ou menor empenho demonstrado pelos discentes!
O desempenho profissional de um professor mede-se pela capacidade de trabalho que o mesmo prova ter, seja na forma como aplica as suas estratégias de ensino, seja na cientificidade evidenciada na elaboração e correcção das fichas de avaliação, seja ainda na flexibilidade e adaptabilidade do seu método de ensino ao seu público-alvo. A única forma possível de fazer depender o seu desempenho das notas dos alunos será, porventura, através da realização de exames nacionais aos alunos, diagnosticando possíveis discrepâncias entre as notas internas e as notas externas destes! Aí sim, poderá avaliar-se quem, de facto, se deixa levar pela onda do facilitismo e quem verdadeiramente assume uma postura de exigência e rigor no ensino.
Só uma última nota: já todos devem ter reparado que na retórica utilizada por José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues é extremamente raro ouvirem-se palavras como "rigor" e "exigência". Porque será???

4 comentários:

Frederico Lucas disse...

Caríssimo,
Acompanho este blogue desde o inicio e estamos claramente em dissonância neste tema.
Sou da opinião que as avaliações dos alunos em exames nacionais deveriam ditar as avaliações dos docentes. Não vejo outra forma de purgar do sistema os professores que apenas deseducam, isto é, são incompetentes para o sistema de ensino.

Um abraço


Frederico

Peixoto disse...

Caro Frederico, penso que não leu com atenção a parte em que afirmo no meu artigo que "a única forma possível de fazer depender o desempenho docente das notas dos alunos será através da realização de exames nacionais aos alunos, diagnosticando possíveis discrepâncias entre as notas internas e as notas externas destes".
Ou seja, defendo plenamente que se insista numa pedagogia de exigência, com os alunos a terem de fazer exames no final de cada ciclo, comparando-se os resultados destes exames com as notas internas obtidas. Essa comparação e o grau de discrepância daí decorrente poderia servir como parte integrante na avaliação do desempenho docente.
Afinal de contas, até estamos de acordo.
Abraço

José Luiz Sarmento disse...

A ministra da educação nem sequer tem a noção dos seus deveres

Um ministro que responde a perguntas no Parlamento não está na posição de um superior que dá a um subordinado os esclarecimentos que entende. Está na posição de um subordinado que presta contas a quem tem legitimidade para lhas exigir.

Quando Maria de Lurdes Rodrigues respondeu a Ana Drago que "não tinha obrigação" de responder às perguntas feitas por esta nos termos em que tinham sido feitas, cometeu um delito de insubordinação que subverte a Constituição da República. Isto é pura e simplesmente inaceitável. Se passar sem punição é caso para termos vergonha do nosso Governo, do nosso Parlamento e do nosso País.

Professorinha disse...

Eu acho que a Ministra deveria ser avaliada pelo número de protestos que já houve contra ela!!! Afinal a razão é a mesma! Porque é que ela não é avaliada???

Fica bem