sábado, 8 de junho de 2013

As razões que me levam a não fazer (esta) greve...

A greve às avaliações que ontem começou corre o risco de trazer graves consequências para todos os implicados (alunos, pais e professores) menos para a tutela que, no final de contas, deveria ser a entidade a sair mais afectada por esta forma de luta escolhida pelos sindicatos.
Todos sabemos que a mobilidade especial constitui o principal factor justificativo desta greve às avaliações. Há quem diga que luta pelo bem dos seus alunos, mas, a maioria dos que protestam fazem-nos com receio de serem afectados pela mobilidade especial. Respeito essa decisão e em nada obstarei a quem opte por fazer greve às avaliações com base nessa justificação. Eu próprio sou contra a mobilidade especial e sempre critiquei a decisão do governo de levar para a frente esta medida.
Mas, convém ter memória e tentar ser racional nas decisões que se tomam. Por isso, vou tentar aqui expor as razões que me levam a não aderir a esta forma de protesto. É que a ideia que alguns têm de que quem discorda desta greve é o mesmo que estar a favor da mobilidade especial revela-se um completo disparate...
Em segundo lugar, há que recordar que a mobilidade especial (da qual, relembro, discordo em absoluto) que foi agora aprovada em Conselho de Ministros pode ser dada como inconstitucional, por via de permitir a desvinculação do funcionário público, situação que, segundo alguns entendidos na matéria, não é permitida pela nossa Constituição (CRP). Claro que quem trabalha no sector privado não compreende esta situação de excepção, mas quer se concorde ou se discorde com a actual CRP, a verdade é que os funcionários públicos exercem uma actividade que visa o bem comum e não o lucro como acontece com a iniciativa privada, pelo que a desvinculação dos funcionários públicos deve, na minha opinião, ser tratada como situação excepcional (devidamente justificada) e não como medida que visa apenas reduzir despesas orçamentais. Aliás, já que o PS se diz contra esta mobilidade especial porque razão é que os sindicatos não procuram um entendimento com os socialistas por forma a que quando estes forem para o Governo, possivelmente em 2015, alterem esta legislação? Muito simples! Porque o PS, na verdade, também concorda com a mobilidade especial...
Em terceiro lugar, e talvez o mais importante de tudo, convém não esquecer dois aspectos importantes: por um lado, o MEC estabeleceu um conjunto de medidas que visam a não aplicação da mobilidade especial, da qual a mais eficaz, mas também mais controversa (por poder implicar graves prejuízos para muitos colegas), é a mobilidade geográfica; por outro lado, Nuno Crato afirmou, por variadas vezes, que nenhum professor do quadro será, em última instância, afectado pela mobilidade especial, sendo que, segundo a tutela, a razão que obriga a que esta medida esteja na lei relaciona-se com o facto de nenhuma classe profissional do funcionalismo público poder ser tratada de forma excepcional nesta questão. Por outras palavras, a mobilidade especial tem de estar na lei para todos os funcionários públicos, mas na prática (por via da mobilidade geográfica) não será, segundo Crato, aplicada a qualquer professor do quadro. Em relação a isto, a minha posição é muito simples: sou contra a mobilidade especial e caso algum docente seja afectado pela mesma, defendo a demissão de Crato e passarei a vê-lo como "persona non grata". 
Agora, a questão da greve às avaliações e ao primeiro dia de exames. Porque razão não farei greve? Muito simples! Porque considero que qualquer greve apenas deve ser equacionada e aplicada quando se vislumbram hipóteses concretas de, com esta forma de luta, se conseguirem alcançar resultados práticos. Ora, depois das negociações entre os sindicatos e o MEC não ter saído fumo branco e da própria tutela já ter referido que não vai voltar atrás na questão da mobilidade especial, parece-me óbvio que esta greve apenas terá dois resultados: prejuízos para os próprios professores que terão de andar de reunião cancelada em reunião cancelada até que deixe de haver greve e para os próprios alunos que só ficarão a saber as suas avaliações mais tarde do que o habitual (porventura depois dos exames). E já nem falo da greve ao primeiro dia de exames, pois prejudicar directamente os alunos desta forma não faz o meu feitio...
Dito isto, e visto que já houve um primeiro dia de greve às avaliações, penso ser importante reflectir um pouco sobre a forma como este protesto está a decorrer. Na escola onde lecciono prevê-se que todas as reuniões de avaliação (as da primeira ronda) sejam canceladas. Nenhuma irá realizar-se porque pelo menos um professor em cada conselho de turma irá fazer greve. Aliás, esta é uma greve de contornos muito específicos, porque num conselho de turma com dez ou mais colegas, basta que um deles faça greve para que a reunião não se possa realizar. Claro que os sindicatos aproveitam para falar numa adesão de 100% quando não se fica a saber se a maioria dos colegas da reunião faria ou não greve! 
Mas, há outra questão que merece da minha parte um comentário. É que a ideia que tenho é que alguns dos colegas que concordam com esta forma de luta estão a entrar numa lógica de radicalismo e falta de bom-senso, que muitas vezes roçam a falta de respeito por aqueles que têm uma posição diferente, como se pode comprovar aqui ou aqui... Para muitos deles, os que não fazem greve devem calar-se porque é o mesmo que estarem a favor da mobilidade especial. Falso! Pode-se ser contra a mobilidade especial, mas discordar da forma de luta escolhida pelos sindicatos.
Por último, caso me engane e veja que, no final, a greve teve resultados práticos positivos para os professores (o fim da mobilidade especial) farei o meu "mea culpa" e elogiarei a posição tomada pelos sindicatos e por aqueles que com ela concordaram. 

27 comentários:

Anónimo disse...

Pois, sendo professora e, não tendo muita esperança que o ministério altere substancialmente a sua posição, vou fazer geve. Tenho consciência de todas as consequências, tal como os professores que entendem não nos restar outro caminho. Gostaria de lembrar ao colega que os professores também são pais e, os seus filhos também sofrerão as consequências desta greve.Os professores também amam os seus filhos e não os querem prejudicar! Não será o ministério da educação o primeiro e único culpado desta situação? A greve não é só contra a mobilidade. É contra a inscrição de 40h de trabalho nos horários dos professores, sim, digo inscrição, porque já fazemos mais do que isso na prática; é também a pensar nos efeitos da requalificação e não mobilidade como se falou até agora, nas escolas, com os professores a verem as suas turmas aumentadas em número de alunos e o seu trabalho a aumentar indefinidamente. Até quando os professores aguentarão isso? Então essas condições de trabalho não prejudicam ainda mais os alunos? Poderia enumerar ainda mais razões, mas acho que estas são mais do que suficientes. Respeito a sua opinião, mas lamento que os ganhos de todos possam ser à custa de alguns, pois os prejuízos quando acontecem, são para todos! (ou quase todos). Pior do que fazer alguma coisa, é não fazer nada.

José Miranda disse...

Se desta greve resultar o recuo do governo na mobilidade especial espero bem que você e todos aqueles que não fazem greve peçam desculpa e agradeçam aos que lutaram para que todos, professores e alunos, ficassem a ganhar.
Mas, se o governo não recuar também não há problema, pois nós que fazemos greve ficamos de consciência tranquila porque fizemos valer o nosso protesto perante as medidas tomadas por este governo totalitário e vergonhoso.

Anónimo disse...

Muito bem! Tem todo o direito de não fazer greve e nem precisava de se explicar. Eu faço e tenho plena consciência que poderei estar a trabalhar em Agosto. Mas prefiro isso do que ver alguns colegas serem colocados, injustamente, em mobilidade (para já não corro esse risco). É a isto que se chama democracia. Cada um tem cabeça para pensar e decide o que deve fazer, prestando contas apenas à sua consciência.
Leonor Bravo

gentilgeo disse...

Amigo Ramiro:

Sigo com atenção os teus vários blogs e páginas web e agradeço o teu enorme contributo para as questões da educação e lembro-me com saudade das nossas conversas na ESES sobre vários assuntos profissionais e pessoais.
Respeito as tuas opiniões, mas discordo de algumas das posições que tens no artigo acima.
Efetivamente, a mobilidade especial é um dos motivos da greve, mas não será o mais importante. Contudo, eu vi excelentes professores contratados com mais de dez ou quinze anos de serviço letivo, perderem o seu trabalho no ensino, só porque alguém se lembrou de aumentar o nº de alunos por turma ou de eliminar determinadas disciplinas do currículo,porque vê a educação uma despesa em vez de um investimento. Queres que pense, que os docentes que vão para a mobilidade especial, não o vão ser?? Por nós dois ( damos aulas desde a década de 70, não é?), já passaram suficientes governos e ministros da educação, para agora sermos ingénuos!!! O que prometem hoje, algum sucessor seu, esquecerá!
Segunda questão: apesar de socialista, concordo contigo, que frequentemente os socialistas, não têm sabido gerir adequadamente as questões da educação. Principal razão,muito minha: nenhum dos ministros da educação dos últimos quinze anos, sabe o que é hoje o trabalho e o dia-a-dia num estabelecimento de ensino básico ou secundário. Nenhum deles sabe o que é gerir uma escola ou agrupamento desses níveis de ensino. A sua gestão da coisa educativa só procura consensos com o ministério das finanças e as políticas educativas mudam sempre que se muda de ministro. O atual ministro da educação também parecia ter excelentes ideias enquanto comentador de jornais e TVs, e hoje esqueceu grande parte das ideias que defendeu. Pegou nas ideias más de Maria de Lurdes Rodrigues (vê o caso dos megaagrupamentos)e fez ainda pior. Para quê? Para pouparmos em Educação, o que se gastou a mais em Construção Civil e Bancos falidos!!!
Relativamente à luta sindical, concordo contigo. Ela tem por vezes outros fins, mas isso não implica que o tenha sempre. Nesta classe, que não é propriamente manipulável, que recebe de salário,hoje, menos 20% do que recebia há dez anos, com progressões congeladas desde 2005, que trabalha mais, e mais horas, com mais alunos por turma,não parecem faltar razões para protestar.
Uma greve só é eficaz se produzir efeitos (positivos ou negativos, tanto faz)na opinião pública. Com práticas governativas cada vez mais radicais, ideológicas e impositivas, as respostas dos professores, são necessariamente cada vez mais duras. É lógica da vida e mais nada.

Um abraço amigo, apesar da divergência de opinião,
do G. Duarte

Anónimo disse...

Pedro,
como a comentadora Leonor Bravo referiu, ninguém tem de se explicar por que razão faz ou não greve.Admiro a sua atitude quando escreve o que acima escreveu.

Eu também não farei greve e duvido que a adesão seja grande...

Bom fim de semana.

MJ

Anónimo disse...

Também não vou fazer greve e é pena que muitos dos colegas que fazem greve não respeitem a decisão dos que não concordam com esta greve.
Na minha escola fizeram circular uma folha para saber quem se disponibilizava para faltar às reuniões de avaliação e quem não assinou a folha passou a ser visto de lado. O ambiente na sala de professores está desde aí bastante pesado. Há muito intolerância para com quem discorda desta greve.
Dou-lhe os parabéns por assumir publicamente a sua decisão. Tem o meu apoio.

Rute Guimarães

Anónimo disse...

Eu ficava era admirado se aqui o laranjinha de serviço fizesse greve

Francisco Santos disse...

O último parágrafo do seu post revela-o em todo o seu esplendor - você é uma criatura desprezível. Não por não fazer greve, é um direito que lhe assiste. É-o por ser transparente o seu motivo. O seu último parágrafo traduz-se assim: Não faço greve porque tenho medo de vir a ser prejudicado. Se esta greve conseguir alguma coisa, os resultados virão para todos e eu não terei perdido uma horinha de salário que seja. Se nada se conseguir, ficarei bem visto e não terei perdido uma horinha de salário que seja.

Pedro disse...

Cara anónima (a 1ª),
respeito a sua opinião e tenho de a elogiar por conseguir fazer passar a sua opinião sem ter a necessidade de criticar desrespeitosamente (como muitos outros fazem) quem pensa de forma diferente.
Apenas quero reforçar a ideia de que não me acredito que "os ganhos de todos possam ser à custa de alguns", como refere a cara anónima, pois penso que não vão surgir quaisquer ganhos desta greve.

Caro José Miranda,
concordo consigo, mas não me acredito que a classe docente retire qualquer ganho com esta greve.

Cara Leonor Bravo,
concordo em absoluto consigo. Vivemos em democracia e há que respeitar a decisão de cada um de fazer ou não greve.

Caro Gentilgeo,
não percebo porque me trata por Ramiro. De resto, louvo a sua capacidade de argumentação e não de (como alguns fazem) de desconversar...

Cara MJ,
mais uma vez estamos de acordo...

Cara Rute Guimarães,
tem razão quando diz que há muito intolerância para com quem discorda desta greve. Basta ler o que escreve o Francisco Santos (último comentador) para perceber até que ponto vai essa intolerância...

Caro anónimo (o 2º),
fazer ou não greve não se trata de uma questão partidária...

Caro Francisco Santos,
das duas, uma: ou não leu tudo aquilo que escrevi (onde exponho as razões para não fazer greve e avanço com alternativas) ou leu tudo e resolveu sobrevalorizar o último parágrafo sem o ter, na minha opinião, intencionalmente percebido.
Vou explicar-lhe. Ao contrário do que o Francisco afirma, não faço greve para não ser prejudicado monetariamente, até porque se isso fosse verdade não colocava como alternativa a greve às aulas (em vez de às reunião de avaliação e aos exames) e de âmbito regional. Por outro lado, é bom que o Francisco saiba que muitos daqueles que não irão fazer greve estão disponíveis para contribuir monetariamente com um fundo que os professores estão a recolher em cada escola como forma de contribuição para com os colegas que resolvem fazer greve. Portanto, escusa de estar com ataques pessoais e, como afirmam a Leonor e a Rute (anteriores comentadoras) faça um esforço por ser mais tolerante por quem decide não aderir a esta greve... Fala um esforço por não inventar, nem desconversar.

Anónimo disse...

Ramiro,

Já vale tudo...

Anónimo disse...

Só queria dizer duas coisas muito rápidas:
1- Todo o trabalhador tem o direito de fazer ou de não fazer greve, mas acho triste não o fazer apenas para não perder dinheiro, esperando que outros se sacrifiquem por si, numa de "assim não perco nada, mas até posso ganhar muito sem mexer uma palha".
2- Se o Pedro acha que as nossas reivindicações fazem sentido, apenas a forma (ou o momento) é que não são os adequados, então o que acha que devemos fazer? Ser uns cordeirinhos e deixar que nos espezinhem constantemente? Ou usar outra forma de luta? Se sim, qual? Será que também quer fazer greve no dia da greve geral, como suplicou o seu líder, "esquecendo-se" que, depois do fim das actividades lectivas, pouco mais serviço temos do que reuniões de conselho de turma e exames? Fazer greve num dia em que não se tem serviço deve ter cá um impacto...

Pedro disse...

Caro anónimo (o último),
a sua primeira observação não tem, na minha opinião, qualquer sentido. Não sei onde leu (porque aqui não pode ter lido isso!) que quem não faz greve toma essa decisão por uma questão de dinheiro. Até pode haver quem pensa assim, mas eu não penso dessa forma e aqui você nunca leu essa justificação da minha parte. Se ler bem o post (será que o leu?) vai ver porque razão não faço esta greve... E olhe que muitos dos que não fazem greve vão contribuir monetariamente, através de um fundo que está a ser desencadeado em muitas escolas, para compensar aqueles que decidem fazer greve. Portanto, é bom que perceba que a razão não é a perca de dinheiro!
Já em relação à sua segunda observação, volto a chamar-lhe a atenção para o facto das respostas às suas questões já estarem no post que escrevi (não o deve ter lido!), onde exponho alternativas a esta greve.
Só lhe quero dizer mais uma coisa. A greve deve ser entendida mais como uma forma de luta, de protesto e de manifestação do descontentamento. Raramente é uma forma de negociação do género "se o Governo nos der aquilo que queremos paramos com a greve". Essa ideia nunca se comprovou, pelo que, certamente, desta greve não saíram ganhos para os professores. Aliás, resta pensar que o último ganho que obtivemos por uma forma de luta (em 2008 com o fim da divisão entre professores titulares e não titulares) nem foi através de uma greve, mas sim através de uma manifestação (curiosamente não organizada pelos sindicatos).
Volto a referir que, nesta altura, me parece que muitos dos que defendem a greve estão a ser bastante intolerantes para com quem não concorda com esta greve...

Anónimo disse...

Pensará que é Jesus? Treme de medo, Crato!!!

"Em relação a isto, a minha posição é muito simples: sou contra a mobilidade especial e caso algum docente seja afectado pela mesma, defendo a demissão de Crato e passarei a vê-lo como "persona non grata". " (Pedro)

Mas que cromo ... Grande EGO, não?

"Por último, caso me engane e veja que, no final, a greve teve resultados práticos positivos para os professores (o fim da mobilidade especial) farei o meu "mea culpa" e elogiarei a posição tomada pelos sindicatos e por aqueles que com ela concordaram. " (Pedro)


Ass: Margarida Az

Anónimo disse...

Outras formas de luta? Mas o Pedro por acaso ainda acredita no Pai Natal? É que parece...

Anónimo disse...

Acrescento só que gostava de o ouvir falar assim caso o governo fosse PS...

Anónimo disse...

Gostaria de saber a tua opinião caso te calhe a «requalificação» que estes gajos que tu adoras andam a preparar!

Pedro disse...

Tantos anónimos!
Assim, torna-se difícil responder a todos e debater...
Mas, vou dirigir-me aos últimos dois anónimos.
Ao penúltimo direi que, embora corra o risco de que você não acredite, caso o governo fosse PS também não faria esta greve. Acredite ou não, se quiser.
Ao último anónimo, só tenho que chamá-lo(a) a atenção que, ao contrário do que você parece insinuar, sou contra a mobilidade especial, pelo que não "adoro" este governo. Apenas, discordo desta forma de luta. E, claro que manifesto o meu descontentamento: através do meu blogue (onde critico a mobilidade especial e outras medidas), através de artigos para jornais e através daquela que espero que seja uma enorme manifestação em Lisboa no próximo sábado.
Será que custa assim tanto perceber que não se deve dividir a classe docente entre aqueles que fazem greve (como se só eles fossem contra a mobilidade especial) e os que não fazem (como se estes fossem a favor da mobilidade especial). Tanta dificuldade para perceber isto???

Anónimo disse...

Caro pedro ramiro,

Parece que a situação está a ficar descontrolada. Acredito que está em marcha o início do derrube deste (des)governo. mais uma vez os professores estão na linha da frente... não podemos parar agora.

Anónimo disse...

E agora? Também vai defender a posição tomada pelo Crato de não respeitar a decisão do colégio arbitral?
A prepotência deste ministro está à vista de todos.

Anónimo disse...

Manifestar o seu descontentamento através do seu blogue, através de artigos para jornais e através de manifestações???
Volto a perguntar-lhe se ainda acredita no Pai Natal...
Em 1º lugar, se essa fosse a solução, então já haveria resultados, pois nestes últimos anos (tanto com este governo do seu querido PSD como com o governo do seu odiado PS, que são farinha do mesmo saco, com diferenças de pormenor) o que não faltou foram manifestações (de professores ou de trabalhadores em geral) e blogues e notícias de jornal também não faltam. Por isso, quando se usa a mesma táctica e se perde sistematicamente, das duas uma: ou se é burro ou se gosta mesmo de perder...

Pedro disse...

Mais anónimos!
Ao antepenúltimo direi que não acredito que este governo seja derrubado. Quanto a não pararmos, vamos ver até onde vai este braço de ferro que, a meu ver, não vai beneficiar ninguém...
Ao penúltimo direi que Crato esteve, quanto a mim, muito mal ao não seguir o conselho do Colégio Arbitral. Demonstrou mau-perder e prepotência...
Ao último anónimo direi que cada demonstrar o seu protesto da forma que bem entender: em greve, em manifestações, em opiniões públicas e, em última análise, esperemos que o combate à mobilidade especial seja feita através da procura da legalidade, ou seja, através do Constitucional... Se a sua opinião é a de que a solução está na greve, a minha não é essa. E olhe que o último grande retrocesso do MEC em relação a algo que tinha legislado foi feita graças a uma manifestação (em 2008) e não a uma greve.

Anónimo disse...

Olá Pedro.
Ontem fiquei a saber na escola, através de conversas cruzadas, que tens este blog. Fiquei curiosa e estive a ler alguns dos teus textos. Penso que escreves bem e que dás a conhecer a tua opinião de forma muito consistente. E vejo que tens muita paciência para responder a quem te faz comentários. Parabéns!
Não te vou dizer quem sou porque o teu blog é lido lá na escola e não quero que saibam quem sou. É que quem é do PSD é agora visto de lado e apontado, mesmo na sala de professores. E não quero que isso me aconteça.
Podes ter a certeza que vais ter aqui uma leitora assídua e atenta. Continua assim.

Uma colega tua

Anónimo disse...

"Se a sua opinião é a de que a solução está na greve, a minha não é essa. E olhe que o último grande retrocesso do MEC em relação a algo que tinha legislado foi feita graças a uma manifestação (em 2008) e não a uma greve."
Só pode estar a referir-se ao adiamento da famigerada avaliação de desempenho por um ano. Isso é que é um grande retrocesso por parte do MEC, após uma manifestação que foi avassaladora??? Eu chamo-lhe uma traição por parte dos sindicatos, que nos usaram (eu também ajudei a encher a praça) e em vez de derrubarem a ministra, que estava mais do que fragilizada, deram-nos isto. Uma farsa!!!
Só falta o Pedro dizer que, agora, a oferta de adiar a mobilidade especial para 2015 seria uma grande conquista para a nossa classe! Será que o Pedro irá dormir descansado se o ministro Crato lhe garantir que só vai ser despedido um ano depois do que previa? (isto caso seja abrangido pela mobilidade especial) Ou será que vai na cantiga das intenções de que nenhum professor vai para a mobilidade especial? Não sei se sabe, mas de boas intenções está o inferno cheio. E se não puserem essas boas intenções por escrito, é muito fácil dar o dito por não dito, alegando as tretas do costume. Ou será que tem dúvidas disso?

Anónimo disse...

Só queria deixar aqui um pequeno comentário constante de dois pontos: em 1º lugar, você deveria ir em regime de mobilidade especial para o Cazaquistão. Em 2º lugar, dou-lhe razão: o saber não ocupa lugar, muito menos na sua cabeça.

Você é uma vergonha para a sua classe!!!!!

Pedro disse...

O último comentário é a prova de como a intolerância reina em muitas mentes. Gente que não sabe respeitar opiniões diferentes das suas, mas que, provavelmente, até são daqueles que passam a vida a falar das conquistas que o 25 de Abril trouxe. Democracia para eles é haver só uma opinião. A deles, num estilo completamente egocêntrico (ou devo dizer umbiguista?)... Miséria! Ainda por cima, nunca se assumem e escondem-se atrás do anonimato!

Ao penúltimo anónimo, direi que claro que concordo com a posição que os sindicatos tiveram de não irem atrás do "rebuçado" que o MEC atirou sobre o adiamento da mobilidade especial. Estou farto de escrever que sou contra a mobilidade especial. Custa assim tanto entender?

À antepenúltima anónima, agradeço os elogios. Só gostava de saber se és só colega de profissão ou se também és colega na escola onde lecciono. É que não cheguei a perceber. E também te digo que vivemos num país livre e democrático, pelo que não deves ter receio de assumir as tuas opiniões. Mas, cada um sabe de si.
Volta sempre...

Anónimo disse...

"Estou farto de escrever que sou contra a mobilidade especial. Custa assim tanto entender?"
Estou a ficar desiludido com o seu poder argumentativo, Pedro. A questão obviamente que não é se o Pedro é ou não a favor da mobilidade especial. Aliás, se houver algum professor que seja a favor dessa aberração, deve ser automaticamente abrangido por ela.
Como eu dizia, o que lhe perguntei é: caso o Pedro também seja abrangido, será que vai continuar na sua de que manifestar-se ou escrever em blogues foi o máximo que devia ter feito, ou irá dar o braço a torcer, admitindo que se calhar devia ter feito greve? É que se a nossa classe estivesse unida, a força negocial seria bem maior. Ou discorda?
Fico à espera da sua resposta.

Pedro disse...

Caro anónimo(?),
vou ser direto na resposta à sua questão.
Se isso acontecesse, certamente iria continuar a pensar que a greve não teria sido a solução. Já lhe disse que há diferentes formas de demonstrar o desagrado e o protesto. Eu prefiro escrever artigos de opinião aqui no blogue e para jornais, abordar a questão em diferentes fóruns (por exemplo, a nível partidário) e participar em manifestações (que não prejudicam ninguém, ao contrário das greves).
E volto a recordar que em 2008 foi uma grande manifestação que fez o Governo recuar, tal como já com este Governo foi uma manifestação que fez com que a ideia da TSU fosse abandonada. Quanto a greves, não me lembro de nenhuma que tenha atingido os seus objectivos.
E volto a dizer que só tenho pena que esteja marcada apenas uma manifestação em Lisboa. Deveriam estar marcadas mais manifestações, como aconteceu em 2008, nas capitais de distritos e durante vários dias...
Sobre a sua última questão, discordo que uma classe mais unida em torno da greve nos dê mais força negocial. Nesta altura, parece-me que a solução não é negocial, mas sim de legalidade. É que tenho dúvidas que a mobilidade especial passe no TC.