quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Professor, esse caixeiro-viajante... Triste, muito triste...

Como toda a gente neste país já reparou, à excepção do ministro Nuno Crato, o início deste ano lectivo foi tudo menos normal. Houve atrasos e erros nos concursos, assistimos ao fecho de escolas novas e bem equipadas, voltou a haver falta de assistentes operacionais e de técnicos do ensino especial em muitas escolas, continuaram a haver alunos a terem aulas em contentores (alguns já há quatro anos consecutivos), enfim, mau demais para ser verdade num país que se diz desenvolvido e que deveria ter a Educação como uma das suas prioridades... 
Este ano, na escola onde estou a dar aulas, o caso que mais me surpreendeu foi o de uma colega efectiva, mãe de dois filhos menores, que ficou colocada a cerca de 2 horas de casa, por estradas secundárias, sinuosas e com clima severo no inverno (tendo mesmo que atravessar uma serra com mais de 1200 metros de altitude). Esta colega terá todos os dias que fazer 250 kms por estradas do norte do país, o que a obrigará a, caso não tenha boleias para fazer com outros colegas, a gastar uma boa parte do seu ordenado em deslocações para ir trabalhar. E, como este caso (ou até piores) há centenas ou milhares de situações de colegas nossos um pouco por todo o país.
Deixo aqui a reportagem, emitida pela SIC, que dá a conhecer a situação de um professor que, ao fim de mais de 10 anos de serviço, foi colocado a 350 kms de distância, longe da mulher e filhos, e que deveria servir, ao menos, para que a opinião pública menos informada mas, sobretudo, o senhor ministro tivessem um pouco mais de consideração e de respeito pela classe docente. É que, não tenhamos dúvidas, que alguns dos factores que mais contribuem para um bom desempenho docente são a motivação e a valorização. Ora, neste início de ano lectivo, o que mais vimos por parte da tutela em relação aos professores foi mesmo desrespeito, desprezo e desvalorização. Triste, muito triste... 

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14 comentários:

Anónimo disse...

O Pedro está claramente desiludido, ou mesmo indignado, com o estado da educação em Portugal. Nisso, estamos inteiramente de acordo.

Só há uma coisa que não percebo. Quando o governo é PS, o Pedro não lhes poupa críticas, seja na educação, na saúde, na justiça, seja no que for. Então, por que razão não escreve uma linha que seja a criticar o PSD, quando é o 1º a reconhecer a gravidade desta situação? Importa-se de explicar?

Pedro disse...

Caro anónimo(?), mais do que estar ou não desiludido com o estado da Educação em Portugal (e em alguns aspectos estou), estou sim indignado com a forma como decorreu todo o processo de colocação de professores. Claro que o estado da Educação também depende de termos professores motivados ou não, mas não confundamos as questões.
Quanto a criticar o PSD, que parece ser o que o anónimo tanto anseia de mim, basta reler os últimos cinco artigos que escrevi para perceber que critico quem efectivamente, na questão da colocação de professores, deve ser criticado: o ministro Nuno Crato. Não critico uma entidade abstracta como o PSD; critico quem tutela a Educação e que tem nome: Nuno Crato.
E, não tenha dúvidas: quando acho que o Governo PSD/PP deve ser criticado, faço-o sem problemas. Dou-lhe só dois exemplos recentes: a confusão com a colocação de professores e as trapalhadas ocorridas com a Justiça.

Anónimo disse...

"Não critico uma entidade abstracta como o PSD; critico quem tutela a Educação e que tem nome: Nuno Crato." diz o Pedro. Só uma pergunta: Nuno Crato foi escolhido por quem? Não foi pelo líder do seu querido partido???
É que lendo as suas palavras parece que Nuno Crato tem 100% da culpa e o PSD tem 0% de culpa, como se Nuno Crato tivesse vindo numa nave espacial directamente para o MEC e o PSD não tivesse a mínima responsabilidade na nomeação e na acção do ministro da educação. E já agora, há-de me dizer quando é que, no seu blogue, alguma vez criticou o PSD. É que o partido em si pode ser uma entidade abstracta, mas os seus membros, sejam eles governantes ou deputados, são bem concretos, assim como os profundos malefícios causados por eles, seja na educação (como o Pedro e eu bem sentimos) seja nos outros sectores.

Anónimo disse...

Um Otelo e um Campo Pequeno....

Anónimo disse...

Vejam este blog: http://porumnovoensino.blogspot.pt/

Pedro disse...

Caro anónimo(?), pergunta se alguma vez critiquei o PSD? Claro que já critiquei. Muitas vezes. Basta ir ao arquivo do blogue e vai ver que sim. Mas, mais do que criticar partidos, penso ser mais relevante criticar aqueles que são responsáveis pelas decisões políticas.
E repare que num mesmo partido, perante situações semelhantes, podemos ter atitudes bem diferentes: basta reparar na incapacidade de Nuno Crato para assumir os erros, enquanto que a ministra da Justiça até desculpa já pediu pelos erros informáticos do seu ministério. E, repare que os erros do MEC foram bem mais graves que os erros do MJ, já que têm efeitos na vida concreta de muitas famílias, enquanto que as falhas do Citius apenas têm efeitos de maior morosidade dos processos judiciais.
Ou seja, na política há que avaliar as acções dos políticos e não essa coisa abstracta que dá pelo nome de partido político...

Anónimo disse...

Pois, o Pedro vai criticando o PSD (de forma tímida e discreta) quando até parece mal se não o fizer, para não parecer tão fanático pró-PSD e anti-PS.
No entanto, eu imagino o que o Pedro escreveria aqui se este fosse um governo PS. No mínimo, exigiria que o ministro se demitisse (coisa que não fez relativamente ao Crato) e se calhar até acharia que o governo não tinha legitimidade para continuar, e teria de haver eleições antecipadas, etc, etc...

Anónimo disse...

Um Otelo e um Campo Pequeno....

Pedro disse...

Caro penúltimo anónimo(?), a resposta ao seu comentário só pode ser uma: "Olhe que não, olhe que não"...

Anónimo disse...

Olhe que sim, olhe que sim.
Faça uma auto-análise (ou vá ler o que escreveu no seu blog nos tempos do governo PS) e verá que a margem de erro dos governos PS, para si, é nula.
Já para os governos PSD, é preciso acontecer algo extremamente grave para o Pedro os criticar. E mesmo assim, só o faz porque sente que não tem alternativa.

Pedro disse...

Olhe que não! Vá lá ver o que escrevi no tempo do Sócrates e diga-me lá quando (e porquê) é que pedi a demissão de alguém...

Anónimo disse...

É mesmo muito triste. Na minha escola (em Faro) ficou colocada uma colega de Castelo Branco. Vai ter de vir com uma filha, enquanto o marido fica em Castelo Branco com o outro filho. E isto é vida?

Anónimo disse...

Pois, eu por cá continuo de «férias»!

Demita-se senhor ministro

Anónimo disse...

Enquanto uns e outros se queixam, eu, continuo de «férias»!
Às vezes falamos de barriga cheia...
Mas, claro está, a culpa é toda do bandalho do sócrates, só, os outros todos foram uns ingénuos como este coelho que é apenas uma vítima do crato