segunda-feira, 20 de março de 2006

Ainda a avaliação dos professores...

O último artigo que aqui escrevi na Sala de Aula foi um dos que suscitou mais reacções, tanto a favor como contra, por parte dos leitores deste blogue. Apesar de alguns comentários menos sérios, penso que é importante que haja alguma lucidez e serenidade quando se opina sobre este ou qualquer outro assunto relacionado com a Educação. Por isso, volto à mesma temática...
Ora, o Público da última sexta-feira noticiou que a ANP, uma das muitas associações que se dizem representativas da classe docente, irá apresentar ao Ministério da Educação uma proposta com dez alterações ao estatuto da carreira docentes. Uma dessas alterações diz respeito precisamente à avaliação dos professores. A referida Associação propõe que seja desenvolvido um modelo de avaliação do desempenho profissional dos professores "orientado para a promoção do rigor e da qualidade educativa em meio escolar". Ora, não será esta a típica expressão demasiado abrangente e pouco concreta, onde pouco se diz e nada se efectiva???
Apesar de elogiar o facto desta Associação não se ficar pela reclamação de melhores salários e manutenção/alargamento de direitos como fazem outros sindicatos, debatendo também os deveres dos docentes, penso que seria importante definirem-se critérios concretos de avaliação do desempenho dos professores.
Deixo apenas alguns exemplos dos pontos em que a dita avaliação deveria incidir: avaliação de materiais desenvolvidos e postos em prática pelos docentes, tendo em conta o meio em que se insere a escola; análise das fichas de trabalho e de avaliação e sua contextualização à realidade local; avaliação das actividades desenvolvidas pelos docentes junto da comunidade escolar (visitas de estudo, debates, exposições, etc); evolução dos resultados atingidos pelos próprios alunos em termos de sucesso escolar; avaliação da relação professor-alunos, etc...
É que não basta falar em avaliação do desempenho individual, sem que sejam definidos critérios concretos de avaliação. E todos sabemos que não é com relatórios escritos do desempenho individual, como tem vindo a ser feito há muitos anos, que se avalia correctamente a capacidade científica e pedagógica dos professores. O sistema de avaliação do desempenho precisa, efectivamente, de uma reforma. Esperemos é que esta sirva para melhorar o sistema educativo nacional...

6 comentários:

Henrique Santos disse...

O Miguel foi adiantando alguns "conteúdos" de possível avaliação dos professores.
Eu gostava que tentasse desenvolver/operacionalizar um pouco mais o seu "modelo" de avaliação de professores, respondendo a questões como:
-para que serve a avaliação dos professores? Por quem deve ser feita? Que instrumentos deve usar? A que consequências deve levar? Em que momentos deve ser realizada? Etc.
Após esse desenvolvimento, talvez valha a pena comentar algumas das suas afirmações que tenho lido, acerca deste assunto.
Obrigada

Miguel disse...

Caro Henrique, agradeço-lhe o interesse demonstrado pelo assunto em análise.
Assim, e respondendo ao seu repto, irei tentar responder de forma sucinte e o melhor que sei às suas questões:
1. A avaliação dos professores deverá servir para elevar a qualidade do ensino ministrado, tendo como última finalidade o sucesso escolar;
2.A avaliação dos professores deverá ser feita, em parceria pelo Ministério da Educação (ME) e pelas organizações representativas de cada um dos grupos disciplinares. Explico melhor. É importante que o ME tenha uma estrutura unicamente vocacionada para avaliar os docentes, mas que as organizações de cada área científica tenha uma palavra a dizer. Assim, a não existir uma Ordem dos Professores (seria o ideal) cada professor deveria ser obrigado a pertencer à sua "Ordem de Professores" de Geografia, Matemática, Português, etc, que deveria auto-regular-se no sentido de avaliar o desempenho dos seus representados (tal como faz a Ordem dos Advogados, dos Médicos, etc).
3. As consequências, como já referi, deverão ser o fim das subidas de escalão automáticas e promover o esforço, a dedicação e a qualidade do serviço docente.
4. A avaliação seria feita antes do final da mudança de escalão, ou seja, com um intervalo de 3/4 anos.
Poderia desenvolver mais, mas talvez fique para outro artigo.
Abraço
PS - Fico à espera da sua análise...

Henrique Santos disse...

Caro Miguel
Agradeço a rapidez com que sucintamente tentou responder ao meu repto, e que já, em parte desvendou um pouco do que pensa do assunto.
Vou, no entanto, esperar por outro artigo mais desenvolvido e mais operacionalizado da sua parte, tal como "prometeu" para depois comentar.
Não tenha muita pressa, pois este assunto é suficientemente complexo para necessitar de tempo para o desenvolver.
Obrigado

Delfim Peixoto disse...

A avaliação só pode ser feita depois de discutida e assumida por quem a faz e por quem é avaliado, penso eu!
Pelo que vejo, irá ser inventada uma nova: por quem manda!

Anónimo disse...

Pelo que vejo, irá ser inventada uma nova: por quem manda!
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Nova???
Este País está habitado por extraterrestres!!!

ocontradito disse...

Mais umas sugestões de alteração do ECD...

http://ocontradito.blogspot.com/2006/03/reviso-do-estatuto-da-carreira-docente.html