sábado, 9 de dezembro de 2006

Um sistema de ensino que agrava as desigualdades sociais...

Segundo um estudo realizado pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE, o sistema de ensino em Portugal discrimina os alunos por escolas, por turmas e por vias de ensino, agravando os processos de desigualdade social. Nada que aqueles que estão mesmo por dentro do sistema educacional português não saibam. Refiro-me sobretudo aos professores que todos os dias têm de lidar com dezenas de alunos diferentes, em turmas díspares, e que facilmente se apercebem de como as desigualdades entre turmas da mesma escola podem condicionar o desempenho e sucesso dos alunos...
Mas, os problemas da Educação em Portugal não se resumem ao agravamento das desigualdades sociais... Muitos daqueles que, em Lisboa, estão nos seus gabinetes ministeriais à frente de um computador a tomar decisões sobre o nosso sistema de ensino não fazem a mínima ideia do que é ser, ao longo de um ano lectivo, professor de 200 ou mais alunos, nem sonham da capacidade que um bom docente tem de ter para, ao longo dos noventa minutos de cada aula (e são várias por dia), conseguir suscitar o interesse de quase trinta jovens com personalidades completamente diferentes umas das outras! Aqueles que são professores por gosto sabem do que falo!!!
Tenho a certeza de que, quando tivermos um(a) Ministro(a) da Educação que tenha passado alguns anos da sua vida a ensinar alguns milhares de alunos do nosso país (serão suficientes uns dez anos de serviço!), certamente que aí, desaparecerão muitos dos vícios em que o nosso sistema de ensino está envolto, a começar pela excessiva descredibilização e relativização do papel de professor!

5 comentários:

Arte por um Canudo 2 disse...

Concordo o que dizes e mais ainda quando referes que só quando alguém for ministro e que conheça realmente a escola com todos os seus problemas é que pode resolver os seus problemas. Para isso tem que ser professor do básico e tenha passado por esses momentos que referes.Quanto às desigualdades nas escolas na minha é impossivel e não sabia que se podia fazer noutras.Na minha, cada professor apanha com todas as turmas do mesmo ciclo sejam bons ou maus deficientes ou não. Abraço

Professorinha disse...

Li o artigo a que te referes e sinceramente discordei com todas as palavras que foram escritas. Enfim... vê-se mesmo que não entendem nada de educação...

Fica bem :)

sizandro disse...

Certamente que há muito a fazer pela escola. Certamente que há exclusão, abandono, mau ensino... Certamente que a qualidade da escola portuguesa poderia melhorar... sem dúvida.
Mas a questão que eu coloco é muito simples: -está alguém a tratar do assunto? e se está, como?

Jose disse...

Mas será que a função primeira da escola é acabar com as desigualdades sociais? Parece-me que se exige à escola o possível e o impossível.

José Carrancudo disse...

O nosso País está a sofrer as consequências da crise educativa generalizada, resultado das políticas governamentais dos últimos 20 anos, que empreenderam experiências pedagógicas malparadas na nossa Escola. Os únicos culpados são aqueles educadores oficiosos que definiram estas desastrosas políticas educativas, e não os alunos e professores.

Ora, devemos olhar para o nosso Ensino na sua integra, e não apenas para os assuntos pontuais, para podermos perceber o que se passa. Os problemas começam logo no ensino primário, e é por ai que devemos começar a reconstruir a nossa Escola. Recomendo a nossa análise, que identifica as principais razões da crise educativa e indica o caminho de saída. Em poucas palavras, é necessário fazer duas coisas: repor o método fonético no ensino de leitura e repor os exercícios de desenvolvimento da memória nos currículos de todas as disciplinas escolares. Resolvidos os problemas metódicos, muitos dos outros, com o tempo, desaparecerão, incluindo o abandono escolar. No seu estado corrente, o Ensino está a reproduzir a Ignorância, numa escala cada vez mais alargada.

Devemos todos exigir uma acção urgente e empenhada do Governo, para salvar o pouco que ainda pode ser salvo.