terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Notas sobre o debate com a Ministra da Educação no "Prós e Contras" da RTP

Depois de três longas horas de debate sobre as propostas do Governo para a avaliação de desempenho dos professores e para a gestão das escolas, sobressaem três ideias principais:
1. A Ministra da Educação entrou no debate com a intenção de se explicar, mas acabou a desconversar, ignorando as questões que directamente lhe eram colocadas e refugiando-se na velha e gasta estratégia de Sócrates: a fuga para a frente, ao repetir que o inglês no 1º ciclo está alargado a todo o país, que a escola a tempo inteiro é uma realidade e que a acção social escolar está reforçada. Quando se viu confrontada com argumentos sérios e directos que colocam muitas dúvidas sobre a aplicação das duas propostas governamentais em discussão, Maria de Lurdes Rodrigues desconversou e provou desconhecer muito sobre a realidade da Escola Pública portuguesa;
2. A classe docente está desmotivada, arrasada e descrente no caminho que a Educação no nosso país está a tomar. Os professores mais velhos anseiam pela reforma, enquanto que os mais novos desesperam com os principais problemas da escola: a burocracia crescente e o facilitismo extremo na avaliação dos alunos.
3. Nada melhor que professores no terreno e que efectivamente leccionam para darem a conhecer a realidade da nossa Educação: CEF´s e cursos profissionais que tentam camuflar (e não inverter) o insucesso escolar; divisão de uma classe profissional em duas categorias, que origina um mal-estar crescente na nossa profissão; aulas de substituição que na prática são uma mera ocupação do tempo livre dos alunos; pressão exercida sobre os docentes para não reterem alunos no 1º, 2º e 3º ciclos.

4 comentários:

Ana C. disse...

Ontem, no CE duma escola, a prop�sito do programa pr�s e contras, numa conversa ouvida sem inten�o de o fazer.. As personagens s�o a "belinh�belix", o "Koc� temos que fazer porque sou lambe botas" e "Kac� boa j� apanhei um tacho e nem sei como...":

- Ah! e ontem? aquilo n�o dignificou nada os professores. Deixaram ficar muito mal vista a classe dos professores.(belinh�belix)
- E j� reparaste k s� s�o professores do norte? Isto � estranho.(K�ca j� apanhei um tacho e nem sei como...)
- N�o havia l� ningu�m dos conselhos executivos. Esses � que sabem bem porque est�o no terreno.(Koc� temos que fazer porque sou lambe botas)

"Palavras para qu� S�o professores portugueses contaminados pelo v�rus da partidarite, do dogmatismo e...,acima de tudo, da estupidez."

Infelizmento para todos aqueles que se recusam a fechar as portas do c�rebro " Vemos, ouvimos e lemos, n�o podemos ignorar...
Realmente, j� dizia Pessoa que a inconsci�ncia � o caminho para a felicidade...

Qualquer semelhan�a entre este texto e a realidade n�o � mera coincid�ncia!!!

IC disse...

Bastaria conhecer a blogosfera "docente" para se constatar como a motivação de tantos professores tem sido desgastada e desmoralizada pela actual política educativa. E, por maior que fosse a crença do ME na sua política, só essa desmoralização deveria bastar para o preocupar. Mas não parece preocupar, do que se deduz que também pouco o preocupam os alunos. Enfim... para bem de todos e dos alunos em particular, que o 'acordar' não demore tempo demasiado!

Ana C. disse...

À semelhança do que tem acontecido em vários capitais de distrito, também em Lisboa vai haver uma mobilização de professores no dia 1 de Março, às 16 h, no IPJ.

A hora é de união, independentemente da cor política ou sindical. Há uma coisa que todos temos em comum: somos professores e estamos a ser humilhados enquanto assistimos à completa degradação do nosso sistema de ensino. A situação é ainda mais grave para todos os que, como eu, têm filhos.

Por isso, seria bom estarmos em massa no dia 1 no IPJ não só para nos informarmos mas também para mostrarmos que não nos vergamos. Não me canso de repetir o que diz a canção: "Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar!"

Já não há espaço para os NINS.

Ana C. disse...

Recebi esta informação duma colega, que não a conseguiu validar. Alguém sabe se é verdade ou mentira?

"Recebi uma informação que diz que a nossa Milu passou agora de Professora Auxiliar a Professora Associada sem que a vaga tivesse ido a concurso nem ela tivesse feito qq trabalho/tese. Bastou-lhe o serviço "político" prestado.

Tens alguma informação sobre isto ou forma de confirmar?

A ***** é professora universitária e para passar a Associada teve que fazer o dito trabalho e a vaga estava a concurso nacional, mas ela diz que no ensino universitário se fazem as maiores trafulhices (até se inventam "catedráticos convidados", por a vaga de catedrático ter sido ocupada por quem merecia)."