quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Dia Mundial do Professor

Pois é! Hoje, para além de ser o feriado comemorativo da Implantação da República em Portugal, é também o dia destinado a reflectir sobre o papel do professor neste mundo cada vez mais globalizado e menos idealista...
Se é ponto assente que a função de docente caiu, em Portugal e nas últimas duas décadas, numa degradação tal que a sociedade olha para os professores como a classe profissional que anda com a mala às costas, que se queixa por tudo e por nada e que no início de cada ano lectivo é enxovalhada e até alvo de risota, também é verdade que a culpa desta situação não pode ser imputada apenas aos que estiveram à frente do Ministério da Educação. Digo isto porque, em trinta anos de democracia, os professores não conseguiram unir-se em torno de uma Ordem profissional que defendesse os valores do rigor, da exigência e do respeito pela classe docente. Em vez disso, temos uma série de sindicatos, afectos a partidos de esquerda, que se aproveitam dos professores para fazerem política...
Pelo contrário, os professores, através dos sindicatos, preferem falar no combate que está a ser feito aos chamados direitos "adquiridos" (congelamento das carreiras, alargamento do horário de trabalho, existência de aulas de substituição), para além de destacarem a contínua instabilidade docente e outros problemas inerentes a esta profissão...
Assim, enquanto o Governo fala de ambição e de propostas para o futuro, os sindicatos apostam nos queixumes habituais. Sampaio bem tenta pôr água na fervura, mas a fuga para a frente não é solução. Só com uma classe docente que, em vez de ser alvo de chacota nas conversas de café, volte a ser vista como uma peça chave para o desenvolvimento de Portugal, é que poderemos, de facto, ter razões para comemorar o Dia Mundial do Professor. Exigência, profissionalismo e rigor são factores basilares para que pais e alunos vejam o professor como alguém decisivo na formação e instrução da juventude portuguesa...

6 comentários:

Anónimo disse...

óh meu amigo, só quando lhe puserem uma vassoura na mão e o mandarem varrer a sua sala de aula para benefício do alunos é que talvez acordemos para a realidade.
saudações

PJ disse...

Em que medida é que a existência de uma Ordem de Professores em Portugal poderia mudar o estado das coisas em Portugal? Estou curioso em saber a sua opinião.

Patrícia disse...

De facto, Sampaio parece estar muito preocupado com a educação dos alunos e diz que o papel do professor é fundamental para uma boa educação, mas a verdade é que se esquece que para que isso aconteça é necessário que os professores também tenham boas condições para que se possam sentir motivados para exercer a sua actividade.
No que diz repeito à criação de uma Ordem para os professores, estou de acordo contigo. Pode até nem resolver muito, mas sempre deve ser mais vantajoso para os professores do que haver muitos sindicatos que passam a vida a competir uns com os outros em vez de resolver os problemas dos professores. E viva o nosso dia!

Paula disse...

Realmente...não é facil, a vossa actividade! E tão nobre que é!
Tenho sentido vergonha quando vejo as notícias e casos reais absolutamente bizarros vêm à tona.
Em Portugal, infelizmente, privilegiam-se mais outras profissões que, emboram também tenham a sua importância, não são as que "formam" as gerações futuras, as quais um dia terão de levar uma nação em frente.
Concordo que o povo e o governo têm de levar um forte abanão, para que alguma coisa possa mudar!
Continua a escrever, lindo... pois eu continuarei a ler!
Jinhos

IC disse...

Miguel, já apresentaste em posts anteriores a tua escola como modelo, mas admitirás decerto que "exigência, profissionalismo e rigor" não são exclusivos de nenhuma escola nem de nenhum professor. Quanto à possível importância de criação de uma Ordem, até estou de acordo.

Miguel disse...

Caro PJ, num próximo artigo apresentarei os argumentos pelos quais defendo que a criação de uma Ordem de Professores poderá contribuir para mudar (para melhor) o estado da Educação em Portugal.
Cara IC, não creio que tenha apresentado a minha escola como modelo; aliás, até referi alguns aspectos menos bons existentes nesta escola. O que tenho salientado é que aprecio a forma como, regra geral, esta escola funciona. Claro que "exigência, profissionalismo e rigor" não são exclusivos de nenhuma escola, nem de nenhum professor, mas penso que os Conselhos Executivos têm um papel fundamental na forma como cada escola funciona.
Patrícia e Tixa: obrigado pelos vossos comentários...