terça-feira, 18 de outubro de 2005

O problema das substituições...

Ontem estava na sala dos professores na ocupação dos meus noventa minutos de "componente não lectiva", enquanto esperava que me pudessem chamar para ir substituir algum colega que tivesse que faltar, quando um colega (daqueles já em fim de carreira) entrou na referida sala "esbaforido" e nervoso, insurgindo-se com o que lhe tinha acontecido...
Como não fui chamado durante aqueles noventa minutos para fazer qualquer substituição, fiquei na sala dos professores a elaborar no meu computador portátil (sim, porque não existe nenhum computador na dita sala!) um teste para o 10º G, pelo que não pude evitar de tomar conhecimento da revolta que tomava conta do colega.
Então não é que o professor, já dos seus cinquenta ou sessenta e tal anos de idade, e portanto, com várias horas de redução e uma componente não lectiva alargada, foi chamado no primeiro bloco de aulas e substituir um colega de Educação Física, não lhe tendo sido facultada nenhuma sala de aula, a não ser o Ginásio da escola? Pois é, o colega queixava-se de que teve de estar durante noventa minutos a tomar conta de uma turma no Ginásio, enquanto outras turmas iam tendo, no mesmo recinto, as suas aulas de Educação Física. Acredito que não deve ter sido fácil... Sem espaço conveniente para trabalhar com os miúdos, sem recursos ou actividades disponíveis e com um professor já em final de carreira, não teria sido melhor que, em vez da dita substituição, tivesse havido lugar ao chamado "feriado"?
Já o aqui referi que concordo com o regime de substituição de aulas, mas os Conselhos Executivos devem precaver situações anómalas, de forma a evitar episódios como o que aqui retratei. Com uma planificação adequada, salas de aula apropriadas e disponibilidade de recursos e material diversos é possível fazer das aulas de substituição verdadeiros tempos de utilidade e não apenas de "entretenimento"...

8 comentários:

Miguel Sousa disse...

podia fazer algumas referências ao facto, tais como: vejam lá como é que irá dar aulas de EF um gajo com 60 anos. Mas prefiro dizere que continuo contra as aulas de substituiçãO, ESSENCIALMENTE PPORQUE acredito que o que os alunos fazem durante os feríados também é escola. Mais, fazer substituições à custa do tempo que o docente tem para preparar as aulas é o mesmo que dizer que não é importante planear com rigor

AnaCristina disse...

Opto por dizer "Qual é o problema?"...
Há alguma diferença o prof. ser de 60 anos ou de 30?
Acho muito mais grave aqueles professores mais velhos que subjugam o sistema e se baldam sempre a essas substituições... No final, os mais novos já fizeram n substituições enquanto ele se gaba de ainda não ter feito nenhuma...
:D

Miguel disse...

Cara Ana Cristina, a questão principal não é o facto do dito colega já ter 60 anos, mas sim o facto de o mesmo não ter tido a oportunidade de dar a aula de substituição uma sala de aula "normal"...
Ora, convenhamos que não deve ser fácil ir substituir um colega de Educação Física e ter de ficar no pavilhão a exercer uma função de "guarda-alunos", à espera que os 90 minutos passem!!!
É necessário que as escolas possam ter condições suficientes e mínimas para que as substituições se possam realizar de forma correcta. Para bem de alunos e professores...

Anónimo disse...

É a arrogância petulante e nervosa dos seus vinte e nove anos, e a sabedoria discreta e calma dos nossos cinquenta ou sessenta, que impede que haja unidade numa classe que apenas deveria estar interessada em ensinar mais e melhor.

Miguel disse...

Caro(a) anónimo(a), não será mais arrogante aquele que escreve sobre a capa do anonimato?

Isabel disse...

Olá Pedro

De facto foi uma situação constransgedora.
É muito complicado gerir uma escola...e mais ainda quando nela não existem condições ...
Há que haver muita criatividade...e gosto pelo que fazemos...Sim...Amor...sem ele não avançamos...e aí a arrogancia vence .Aí estaríamos num grande labirinto...


gostei do teu comentário ao anónimo!

fica bem.

IC disse...

Também ia dizer que o problema não é a idade, mas ao ler os comentários, fico-me por apoiar a tua resposta ao anónimo.

João Correia disse...

A confusão é tanta, e a diferença de escola para escola é tão grande que todo o comentário é possível.
Queria contudo deixar no ar uma questão:
Quando a meio da tarde temos uma reunião de 2 horas, já repararam que não são 2 mas 4 ou mais horas que perdemos'
Trabalhar 35 horas seguidas, não é o mesmo que trabalhar em horário de professor.
A Sra Ministra devia lembrar-se do provérbio "Pai impertinente torna o filho desobediente"

João Correia