quinta-feira, 22 de julho de 2010

O que se passa com os exames de Geografia A???

Nos últimos dias estive a corrigir 28 provas de Geografia A e fiquei perplexo com o exame. Nos primeiros quatro grupos surgem 20 questões de escolha múltipla, sendo que a maioria das questões pode ser facilmente respondida por um aluno médio do 9º ano de escolaridade. Mas, o que mais incrível surge nos dois grupos de resposta aberta, visto que das oito questões apenas duas são de desenvolvimento e também estas poderiam ser respondidas de forma razoável por um aluno do 9º ano. Veja-se bem que no grupo V o tema proposto é o da evolução da distribuição da população em Portugal Continental e a sua relação com o fenómeno migratório, matéria que é leccionada no 8º ano de escolaridade e cujo teor das questões não me pareceu muito exigente. O grupo VI aborda o transporte marítimo de mercadorias (matéria também leccionada aos alunos do 9º ano) e apenas a questão de desenvolvimento exige conhecimentos leccionados no 11º ano, sendo que as três primeiras questões de resposta curta são bastante acessíveis a um aluno que termina o 3º ciclo.
Enfim, pareceu-me um exame demasiado facilitista, dando a ideia aos alunos que os exames são muito mais fáceis que as fichas de avaliação feitas ao longo do ano lectivo. Por outro lado, muitos alunos preparam-se para os exames e depois sentem-se frustrados por encontrarem um exame tão fácil de realizar. Mais uma vez, os bons alunos ficam desiludidos por se esforçarem tanto sem necessidade, enquanto que os alunos medianos são como que "levados ao colo", subindo a sua nota interna.
Enfim, seria bom que a Associação de Professores de Geografia se manifestasse sobre o assunto e defendesse a elaboração de exames bem mais exigentes. Os bons alunos seriam os primeiros a agradecer, por forma a que as provas nacionais revelassem quem realmente sabe e não sabe de Geografia.
A propósito, dos 28 exames que corrigi, foram poucos os alunos que, nas questões de desenvolvimento, tivessem elaborado resposta com princípio, meio e fim. Aliás, este ano tive alunos do 9º ano de escolaridade que nos meus testes elaboravam respostas bem mais completas do que a maioria daquelas que tive agora de corrigir nos exames do secundário.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Missão cumprida

Ontem foram publicados os resultados da 1ª fase dos exames nacionais. Sempre considerei importante que se comparem estes resultados a nível de escola e por disciplina.
Este ano "levei" 17 alunos ao exame nacional de Geografia A. Levaram uma CIF (classificação interna de frequência) de 13,3 valores. As últimas aulas do 3º período, depois de ter dado o programa nacional, destinaram-se a prepar estes alunos para o exame.
Ontem saíram os resultados e todos ficámos satisfeitos. Não houve notas abaixo de 10 e a média destes 17 alunos foi de 12,8 valores, apenas 0,5 valores abaixo da média interna.
A média nacional de Geografia A foi de 11 valores. Os "meus" alunos estiveram quase 2 valores acima da média nacional, o que me satisfaz e evidencia que todos fizemos um bom trabalho.
Seria bom que todas as escolas fizessem uma análise séria e rigorosa dos resultados dos exames nacionais.
É caso para dizer: missão cumprida!!!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Balanço final de mais um ano lectivo

Depois das aulas terem terminado há quem pense que começam as férias dos professores. Todos os anos, por estes dias, os meus vizinhos perguntam-me sempre se já estou de férias. Claro que a resposta que lhes dou é sempre a mesma: "férias só se for de alunos; há ainda muito trabalho, como reuniões de avaliação, reuniões de departamento, realização e correcção de exames de equivalência à frequência, coadjuvâncias, vigilâncias e correcção de exames nacionais, realização de inventários, análise de resultados, matrículas e muito mais trabalho burocrático". Enfim, a verdade é que muita gente pensa que acabando as aulas, o trabalho acaba para os professores. Para muitos certamente que diminui em muito, mas não é o meu caso. Até 28 de Julho há ainda muito para fazer...
Este foi para mim um ano lectivo particularmente trabalhoso. Para além de ter tido as oito turmas que me foram destinadas desde o início do ano lectivo, tive ainda a meu cargo, desde Outubro, uma turma de 11º ano (com seis horas semanais), por ter tido que substituir uma colega que ficou de baixa médica durante o resto do ano lectivo. Há ainda que acrescentar a isto uma Direcção de Turma...
Apesar de ter tido um ano cheio de trabalho (mais de 200 alunos de 4 níveis diferentes), os resultados finais foram globalmente positivos. Aqui ficam registados para memória futura:
- Nas duas turmas do 7º ano: 14% de níveis negativos
- Nas três turmas do 8º ano: 13% de níveis negativos
- Nas três turmas do 9º ano: 12% de níveis negativos
- Na turma do 11º ano: 5% de níveis negativos e uma média final de 12,7 valores
Penso que este foi dos anos em que menos alunos ficaram retidos. Nas 8 turmas do ensino básico que tive a meu cargo, num total de cerca de 180 alunos, apenas 16 não progrediram de ano, o que corresponde a uma taxa de sucesso de mais de 90%. Sinal de maior empenho dos alunos ou da falta de exigência que se instalou no ensino básico. Vou mais pela segunda opção...
Agora há ainda que esperar mais uns dias para saber os resultados dos alunos do 11º ano que foram fazer o exame nacional de Geografia A. Há sempre alguma expectativa para saber se a média que os alunos tiveram na nota interna se mantém nos exames. A ver vamos o que fazem estes 19 alunos que levam uma média interna (média conjunta do 10º e 11º ano) de 13,3 valores.
Entretanto, continua o trabalho de tudo o que tem que ver com os exames de equivalência à frequência do 9º ano e sobretudo o dos exames nacionais do ensino secundário.
Até breve

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A odisseia está quase a terminar...

Este é o meu 12º ano de serviço como professor de Geografia.
Até agora o ano mais trabalhoso: nove turmas de quatro níveis diferentes, mais de duzentos alunos na disciplina de Geografia, uma direcção de turma a meu cargo e ainda outros cargos como o de subcoordenador e o de responsável pelo projecto Parlamento dos Jovens. A isto tudo há que acrescentar as horas na biblioteca, no gabinete do aluno e nas substituições.
Resta-me dizer que passo mais tempo na escola e com actividades ligadas à escola do que com a minha família. No entanto, mais trabalho não significa melhores resultados. Bem pelo contrário!!! De ano para ano, a vida na escola torna-se mais penosa e escasseiam os alunos que têm um espírito de verdadeiros estudantes...
Desde os tempos de Guterres que se insituiu a ideia nos jovens portugueses que para transitar de ano não é necessário grande esforço. E a lógica dos PCS`s, dos CEF`s, dos cursos profissionais e das novas oportunidades veio piorar isto tudo!!!
Os grandes prejudicados de uma profissão que tem vindo a ser completamente mal tratada e ignorada pelo Ministério da Educação são os mais novos. Não esqueçamos que todas as desgraças que os sucessivos governos PS têm vindo a fazer na escola pública portuguesa terão consequências nefastas na próxima geração de adultos que (não) andamos a formar.
Daqui a dez anos é que nos vamos queixar (ainda mais) da ignorância e falta de formação manifestada pelo povo português...

sábado, 6 de março de 2010

Até quando durará a impunidade???

Já todos conhecem a história do pequeno Leandro que, à custa do bullying constante de que era alvo, colocou termo à sua vida. O seu desaparecimento não pode ser inconsequente. Muito há por esclarecer e os responsáveis (por acção ou omissão) por esta situação não podem ficar impunes.
A investigação que está a ser desencadeada pelo Ministério Público e pela Inspecção da Educação tem que ser eficaz. E a Direcção da Escola EB 2,3 Luciano Cordeiro, em Mirandela, já se deveria ter demitido e pronunciado publicamente sobre o caso. E a Ministra da Educação tem o dever de vir a público dizer que esta morte não será ignorada e que a autoridade e a disciplina das escolas serão uma prioridade deste Ministério da Educação. Basta de falar em obras nas escolas e de avaliação docente. Há que legislar "forte e feio" para punir aqueles que estão na escola não para aprender, mas para se distraírem. E os pais dos alunos indisciplinados devem ser punidos...
A partir do dia em que Leandro pôs termo à sua vida nada pode ficar na mesma. A Escola não pode ser invadida por delinquentes que estão na escola para passar o tempo. A Escola não pode ser um local de facilitismos. A Escola não pode ser o "armazém" onde os pais irresponsáveis colocam os filhos para não tomarem conta deles.
A Ministra da Educação tem que falar do assunto. O Primeiro-Ministro tem que dar a cara pela Escola Pública. O Procurador Geral da República tem que apresentar resultados da sua acção nesta matéria. E esta escola onde tudo aconteceu tem que ser investigada com o máximo de rigor para se apurarem responsabilidades e agir-se em conformidade.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Missão (quase) impossível...

Já lá vão mais de dois meses desde a última vez que aqui vim escrever. Não pensem que desisti da blogosfera. Apenas não tenho tido tempo para aqui vir. Com nove turmas (sim, nove!!!), de quatro níveis diferentes, o que perfaz quase 250 alunos e uma direcção de turma que tem dado muito que fazer, não tenho tido vagar para aqui vir "desabafar".
Resolvi vir aqui hoje porque li na revista Visão que a Ministra pretende desburocratizar a vida de professor. Espero bem que sim, porque estou farto de planos de recuperação, planos de acompanhamento, provas de recuperação, planificações, autorizações, informações, quadros, grelhas e mais burocracias que me impedem de ter tempo para preparar actividades ainda mais motivadoras para os meus alunos. E então as reuniões intermináveis é que me tiram do sério!!!
Continuação de bom trabalho para todos...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sem tempo para escrever...

Há cerca de um mês que não venho aqui escrever. Porquê? Muito simples: trabalho, trabalho, trabalho... Em quê? Muito simples: preparação de aulas, elaboração de testes, correcção de testes, correcção de trabalhos, manutenção do blogue da disciplina, encontros com encarregados de educação, registos de faltas dos alunos, substituição de aulas de uma colega que está de baixa e papelada, papelada e mais papelada relacionada não só com a Direcção de Turma, mas com tudo o que diga respeito ao departamento e grupo disciplinar.
Há cerca de um mês que as minhas 35 horas de trabalho semanais que a lei prevê são acrescentadas de, pelo menos, 15 ou 20 horas. E tenho a certeza que muitas dessas horas não são de trabalho com as oito turmas que tenho a meu cargo. Há muito trabalho ligado à Direcção de Turma e a muitas outras tarefas que não apenas ligadas à docência, mas a projectos (a Educação Sexual, o Parlamento dos Jovens, o moodle, a blogosfera, as visitas de estudo, as acções formação e muito mais).
Até ao Natal.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O que esperar da nova Ministra da Educação?

Com a saída de Maria de Lurdes Rodrigues do cargo de Ministra da Educação há quem pense que se abra uma nova porta na forma como a Educação tem sido encarada pela tutela. Certamente que o estilo de governação irá mudar, mas não me acredito que haja mudanças no rumo até aqui traçado: facilitismo, burocracia e irrealismo continuarão a ser, na minha opinião, as traves mestras deste Governo.
Há quem pense que o facto da nova Ministra Isabel Alçada já ter passado pelo ensino básico (embora há mais de 15 anos) lhe dará uma nova aura no sentido de estar familiarizada com os problemas com que a Educação se enfrenta em Portugal. Não me acredito...
Nos últimos tempos (lembremo-nos dos tempos de antena do PS) Isabel Alçada teve elogios para com a anterior Ministra que a colocam no mesmo estado de desenvolvimento político: completamente desfasada da realidade escolar.
O mal já está todo feito: indisciplina, burocratização, facilitismo e falta de democratização tomaram conta das escolas públicas portuguesas. Os professores continuam a ser "pau para toda a colher" e a escola deixou de ser um local de estudo para passar um local de "depósito de alunos". Isabel Alçada apenas irá "fazer render o peixe"... Poderá mexer nalguma pequena coisa, mas no essencial tudo ficará na mesma: o facilitismo irá continuar, a falta de disciplina e de interesse dos pais não terá consequências, a profissão docente não será valorizada...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pais afastam-se da escola

Na última sexta-feira realizou-se na escola que a minha filha frequenta uma reunião de pais e encarregados de educação. A escola tem cerca de trezentos alunos, mas apenas compareceram catorze pais. Ou seja, a taxa de adesão dos pais não chegou aos 5%. Outra curiosidade: muitos dos pais que apareceram eram professores!!! Claro que muito se comentou sobre o desinteresse manifestado pela maioria dos encarregados de educação que, de facto, de encarregados têm muito pouco...
Assim vamos de interesse dos pais pela educação dos filhos. Outro facto: este ano sou director de turma e, com mais de um mês de aulas, em dezanove alunos que tenho na minha turma ainda só conheci oito pais (menos de metade). Ainda por cima, já tentei convocar alguns encarregados de educação e de alguns deles não há sequer rasto.
Cada vez mais me convenço que só à força lá poderemos chegar: enquanto os pais não forem, efectivamente, responsabilizados pelos actos dos filhos e não for penalizado o desinteresse manifestado pelos ditos encarregados de educação, muitos destes jovens andarão à "roda livre". Com consequências nefastas no seu sucesso educativo...